Umas desculpas aceites... outras não
Scolari deu a cara pelo insucesso da derrota (Foto: Ivan Pacheco)

No rescaldo da maior derrota da sua História nunca as palavras ‘desculpa’ ou ‘perdão’ estiveram tanto na ordem do dia no Brasil, com a diferença a estar na aceitação das mesmas não só por parte do público como inclusivamente entre vários tipos de agentes desportivos num país que já estava em convulsão política e social e que agora vê suceder o mesmo no seu futebol.

O primeiro a pedir o perdão dos seus compatriotas depois de um verdadeiro ‘dia não’ foi mesmo David Luiz, que minutos após a ‘derrocada’ do escrete avançava que «só queria poder dar uma alegria ao meu país, infelizmente não conseguimos. Peço desculpa a todos os brasileiros, só queria ver todos a sorrir. Eles foram melhores, estavam preparados e fizeram melhor jogo.»

«No início, perdemo-nos um pouco ali, eles viram que a gente estava assim e conseguiram marcar. Na minha vida, aprendi a ser homem em todos os momentos, nunca fugi de nada», completou o defesa, que acabou por receber em público uma espécie de absolvição protagonizada por uma pequena menina de 9 anos que escreveu uma carta ao jogador.

Críticas e pedidos de desculpa sucedem-se após o descalabro em Belo Horizonte

Depois do sincero pedido de desculpas, David Luiz acabou novamente emocionado, tal como todos os internautas, até porque o defensor venceria, se existisse, o título de jogador mais sensível da equipa brasileira, o que se compreende perfeitamente quando nos deparamos com as palavras da pequena Ana Luz, que apela tanto ou mais à sentimentalidade que o próprio atleta. 

Provou-se então que a sinceridade do central chegou ao coração dos brasileiros, bastando tomar como exemplo a carta da autoria da menina que escreveu para o próprio David, tendo tido a sua mãe como intermediária em virtude da paixão que a pequena manifesta pelo jogador, considerando-o o melhor do Mundial, após a disputa da presença na final na qual o Brasil acabou copiosamente derrotado pela Alemanha no passado dia 8 de Julho no Mineirão, em Belo Horizonte.

Ao invés da paz generalizada com David Luiz, junto do representante de Neymar, Wagner Ribeiro, o pé de guerra é bem latente visto que criticou sem reservas o selecionador brasileiro, Luiz Felipe Scolari, apelidando-o de «velho tonto, arrogante, prepotente e ridículo».

O empresário foi mais longe, descrevendo de forma irónica os ‘sucessos’ que o levaram a regressar ao comando da equipa – «treinar a seleção de Portugal e não ganhar nada, ir ao Chelsea e ser despedido, treinar no Usbequistão, voltar ao Brasil, treinar uma equipa grande e relegá-la para a segunda divisão, e pedir a demissão 56 dias antes da final do campeonato para fugir à descida

Sob enorme pressão, Felipão promete «honrar aquilo que é a equipa»

Alvo de fortes críticas, o seleccionador do Brasil em pessoa assume as culpas pela histórica derrota que tornou David Luiz um protagonista pelas lágrimas derramadas e surpreendeu os próprios germânicos, como por exemplo Thomas Müller, que demorou a acreditar num resultado tão desequilibrado perante os comandados de Luiz Felipe Scolari.

O seleccionador do Brasil não se escondeu, adiantando que «primeiro peço desculpas pelo resultado negativo, por não chegar à final. Vamos trabalhar e honrar aquilo que é a nossa equipa, jogando pelo terceiro lugar em Brasília. Eu fiz o meu trabalho como em qualquer lugar. Fiz o que achava correcto e melhor.»

«Tivemos uma derrota hoje, mas de há um ano e meio para cá, esta foi a primeira derrota. Foi horrível pelo resultado de 7 a 1, mas depois de 5 a 0 corremos atrás do resultado para honrar a camisola» , concluiu Felipão no que para muitos se aproximou de um remake da famosa declaração ‘e o burro sou eu?’ proferida ainda como seleccionador de Portugal.

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