O meritório regresso do histórico Oriental

O meritório regresso do histórico Oriental

A Liga 2 Cabovisão terá esta temporada uma novidade que se prende pelo regresso do histórico lisboeta Oriental, que volta às competições profissionais após ausência prolongada.

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Rafael Reis

Provavelmente quem acompanhou a primeira fase da temporada do Clube Oriental de Lisboa na Série G do Campeonato Nacional de Seniores dificilmente acreditaria que no final da época os seus jogadores, dirigentes, equipa técnica, dirigentes e adeptos estariam a celebrar o regresso do histórico emblema às provas profissionais e logo como vencedor da Série Sul de Subida, o que confere a presença na final da competição frente ao Freamunde na qual se poderá sagrar campeão da divisão.

No entanto, uma observação cuidada permitiria apurar que o plantel orientalista se tratou desde o início do mais apetrechado em termos de opções para praticamente todas as posições entre os clubes com os quais disputou a fase inicial de Subida – não se atinge mesmo qualquer exagero indicar-se vários nomes como os melhores das respectivas posições entre todos os conjuntos que disputaram o CNS.

Ainda assim, e como foi sugerido no início do texto, os sobressaltos pelos quais o Oriental passou na primeira fase da prova chegaram mesmo a colocar em causa este sucesso revestido de justiça dado que a um excelente início de Campeonato coroado com a liderança isolada e uma defesa que sofreu o primeiro golo apenas à quinta jornada perante o surpreendente Loures.

No entanto, juntamente com o primeiro golo sofrido o Oriental consentiu a primeira derrota que deu início a uma série de cinco encontros sem vencer que chegou mesmo a retirar a equipa dos primeiros postos e criou mesmo uma onda de contestação ao técnico João Barbosa, que nesse momento teve o mérito de continuar a crer nas suas convicções, mantendo as suas ideias de trabalho para uma recuperação que se adivinhava no encontro que ironicamente resultou no afastamento da equipa da Taça de Portugal.

Nesse momento, e perante um Académico de Viseu a evoluir num escalão superior, o conjunto lisboeta ficou a dever a si próprio e alguma falta de fortuna o que teria sido uma surpresa e quem sabe mais uma etapa num percurso surpreendente na mais histórica prova do futebol nacional. Mais importante do que isso, nesse encontro o Oriental começou a reerguer-se.

Subida acabou por tornar-se mais facilitada do que seria inicialmente expectável

Face ao enorme equilíbrio que pautava a Série G, o clube de Marvila sabia que não mais poderia voltar a errar para manter intactas as suas esperanças de lograr a presença na Série de Subida, o que haveria de conseguir ao apenas ter somado mais um desaire até ao final da Série ao ter sido derrotado na sua casa novamente pelo Loures num encontro também marcado pela polémica.

Com uma natural goleada sobre o frágil Futebol Benfica o apuramento foi mesmo uma realidade, no segundo posto e num ‘sprint final’ com os açorianos do Operário, que terminaram a prova com os mesmos pontos conquistados.

Enquanto respirava de alívio pela passagem ‘in extremis’ a equipa lisboeta comprovou o seu crescimento precisamente quando este foi mais, entrando dominador numa Série de Subida que passou de imediato a dominar de tal maneira que o primeiro desaire apenas chegou à sétima jornada num surpreendente triunfo do Ferreiras em Lisboa. Até lá, o clube grená apenas voltou a ser derrotado por mais duas ocasiões, logrando a subida com pouca dificuldade.

O momento em que a subida terá sido garantida terá estado na última partida da equipa em casa, curiosamente perante o Loures que havia saído vitorioso nas duas anteriores ocasiões. Contudo, nesse momento em declarações a mim prestadas no final do encontro e agora divulgadas por VAVEL João Barbosa não embandeirava em arco dizendo que «entrámos muito forte mesmo, merecemos chegar à vantagem embora ache que o Loures equilibrou bem o jogo.»

«Não temos euforias absolutamente nenhumas», assim proferiu como mensagem de uma equipa que passo a passo conseguiu atingir o seu grande objectivo. Para que este sucesso fosse possível foi necessário um colectivo muito forte liderado por várias individualidades que demonstraram capacidade para na próxima temporada realizar uma participação de qualidade na Liga 2 Cabovisão e na sua estreia absoluta na Taça da Liga.

Vários jogadores se destacam entre aqueles que encaminharam o Oriental à subida

Deve destacar-se um trio de jogadores com experiência de divisões superiores que acrescentou uma classe extra a um conjunto composto por várias revelações a ter em conta. A existir um ‘prémio regularidade’ esse teria de ser atribuído a Tiago Mota, um dos capitães de equipa e o verdadeiro pêndulo do meio-campo.

Por essa razão foi mesmo o elemento mais utilizado entre todos os elementos do plantel ao ter alinhado em 35 encontros nos quais alternou o papel de médio mais defensivo com o de interior pela vertente construtiva do seu jogo que deverá ser determinante na caminhada da equipa no futebol profissional.

Também determinante pelos golos apontados, em especial pelos momentos em que estes tiveram lugar, o experiente Mauro Bastos, um dos pouquíssimos atletas do plantel com experiência de primeiro escalão, foi determinante para que a subida tenha mesmo tido lugar. 

Mesmo tendo a dada altura perdido para a titularidade para Anderson, que não continuará no clube, o atacante para muitos apelidado de Tanque fez jus ao seu estatuto e fez por merecer a continuidade nos quadros do emblema de Marvila nesta passagem às provas profissionais.

A mesma sorte não teve Sebastien Malagueira, que apontou o mesmo número de tentos, doze ao todo, mas acaba por ter a vantagem de ter actuado menos minutos pelo facto de não ter sido um titular indiscutível, pelo que foi o jogador com melhor média de golos por encontro.

Todavia, tal não lhe garantiu a continuidade na equipa uma vez que conheceu a dispensa no final da temporada para depois se juntar ao Benfica e Castelo Branco, que milita no Campeonato Nacional de Seniores. De qualquer forma, é também merecedor de destaque.

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