Mercedes: ainda a meio, 2014 já é ano histórico
Os W05 têm sido visão habitual na liderança dos GPs de 2014 (Foto: Mercedes).

Mercedes: ainda a meio, 2014 já é ano histórico

A Mercedes liderou muito claramente a primeira metade da época 2014 em F1, mas as últimas corridas têm sido marcadas por alguns desentendimentos entre ambos os pilotos e a equipa, assim como por graves problemas de fiabilidade nos seus monolugares. Hoje, no Vavel, inauguramos a primeira análise por escuderia na primeira metade da temporada.

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Hugo Picado de Almeida

A Mercedes entrou em 2014 a todo o gás. A escuderia das Flechas de Prata bateu todos os recordes neste início de época e apresenta-se como a equipa que claramente melhor lidou com os novos regulamentos da F1. Em 11 corridas, a marca alemã venceu nove, começando a época com uma série de seis triunfos consecutivos (e 5 dobradinhas consecutivas). Um início avassalador, ímpar na história da F1, imposto por Nico Rosberg e Lewis Hamilton, que neste momento dominam o campeonato, abrindo já um fosso para Ricciardo, o mais próximo perseguidor. Rosberg lidera, com 202 pontos, seguido de Hamilton (191) e Ricciardo (131).

Solução única oferece vantagem na potência

A actual dupla Hamilton-Rosberg conduz as Flechas de Prata pelo segundo ano consecutivo, e se no ano transacto os dois experientes pilotos tinham alcançado um 2º lugar para a marca alemã (com 360 pontos, face aos 596 da dominadora Red Bull, na última temporada da bem-sucedida dupla Vettel-Webber), em 2014 a Mercedes foi a equipa que melhor interpretou os revolucionários regulamentos da competição, conseguindo com o seu W05 abrir clara vantagem sobre os seus perseguidores.

De facto, o W05, além de se assumir como um monolugar muito equilibrado e estável, respondendo bem em termos aerodinâmicos sempre que a isso chamado, reclama a maior vantagem sobre os demais monolugares em situação de recta, uma vez que é o monolugar que presentemente apresenta maior velocidade de ponta. Para tal, muito terá contribuído a inovadora solução desenvolvida pelos engenheiros da Mercedes: a colocação do compressor e da turbina um à frente do outro, ao contrário da normal colocação lado a lado, oferece diversos benefícios, como a entrada de ar mais fresco no sistema (exigindo um intercooler de menores dimensões), além da consequente redução da perda de pressão e simultâneo aumento da potência gerada. Esta disposição do sistema permite ao turbo responder mais depressa, além de aumentar a potência disponível.

Lewis Hamilton dominou na fase inicial da época, até à chegada ao Mónaco (Foto: Mercedes).

Rosberg e Hamilton, juntos nas dobradinhas e nos problemas de fiabilidade

Depois de uma corrida inaugural, na Austrália, em que Rosberg subiu ao pódio após um abandono precoce de Lewis Hamilton, o alemão cedeu o protagonismo ao inglês. Nos quatro GPs seguintes (Malásia, Bahrain, China e Espanha), Hamilton segurou a pole position e subiu ao lugar mais alto do pódio, enquanto Rosberg falhava por pouco em alcançar o melhor tempo da Qualificação, e durante a corrida, apesar de acompanhar o ritmo do seu colega, não sucedia em segurar a liderança. 

Nico Rosberg no seu monolugar (Foto: Mercedes).

A tendência inverteu-se no Mónaco, uma das corridas domésticas para Rosberg, que reside no Principado. Após um erro (que Hamilton consideraria propositado) do alemão em cima do final da Qualificação, impossibilitando o seu colega de tentar um último ataque à pole position, Rosberg interromperia a série de quatro poles e vitórias consecutivas de Hamilton. 

A corrida seguinte, no Canadá, abriria porém uma nova fase da época para a Mercedes, inesperada até quando atentando ao facto de nas primeiras seis corridas a equipa ter obtido cinco dobradinhas e ainda um sexto primeiro lugar. A verdade é que no Canadá ambos os pilotos da marca alemã experimentaram problemas no sistema de travagem, levando mesmo ao abandono de Hamilton, enquanto Rosberg lutou por terminar no segundo posto. Após o revés em Montecarlo e a traição do seu monolugar no circuito Gilles Villeneuve, o desempenho de Hamilton caiu ligeiramente, até que no GP da Grã-Bretanha os papéis se inverteram e foi Rosberg a ser forçado a desistir. 

Pausa de verão é bem-vinda em momentos de discórdia

E se a época se iniciara brilhantemente para as Flechas de Prata, a pausa parece vir no momento mais indicado para a equipa de Brackley. Na Alemanha, Hamilton voltou a experimentar problemas de travões, que lhe minaram desde a Q1 o lugar na grelha de partida, agravada com uma necessária troca de caixa-de-velocidades. O inglês parece reagir bem às adversidades e, depois de largar em 20º, cortou a meta no último degrau do pódio, enquanto Rosberg tornava a triunfar. Mas a Hungria, última escala do "grande circo" antes das férias de Verão, traria novamente dissabores à marca alemã. Depois de nova Qualificação falhada, com o inglês a ver o monolugar irromper em chamas. Partindo praticamente do final da grelha, Hamilton voltou a fazer uma corrida de trás para a frente, e com alguma sorte face ao tempo de entrada do safety car, o britânico foi novamente terceiro. A tensão tornou a subir entre ambos os pilotos e amigos, depois de Rosberg, que terminou em 4º, não ter gostado de ver o seu colega desrespeitar a ordem vinda do pit wall: a Mercedes deu ordem a Hamilton para que deixasse passar Rosberg, mas o inglês, sabendo que lutava por importantes pontos no campeonato, não acedeu. A comunicação via rádio da equipa é especialmente inesperada, depois de por várias vezes Toto Wolff e Niki Lauda terem afirmado que deixariam os pilotos lutar.

A luta tem-se intensificado entre ambos os pilotos da marca alemã (Foto: Mercedes).

Fiabilidade e ordens de equipa definirão resto da temporada

A pausa de Verão será, por isso, um óbvio momento para a Mercedes parar um pouco e reflectir. Por um lado, será necessário tomar uma posição clara acerca da relação entre os seus dois pilotos: definir ordens ou permitir a luta? Este deverá ser um dos prementes assuntos a esclarecer no seio de Brackley, ao mesmo tempo que significativos esforços deverão ser desenvolvidos para assegurar a fiabilidade que parecia reclamada pelo W05 no início da temporada: problemas no MGU-H e nos travões traseiros, por sobreaquecimento, têm sido verificados nos monolugares dos dois pilotos em diversas fases das últimas corridas.

A Mercedes iniciará a segunda parte da temporada, maioritariamente corrida fora da Europa, com uma nítida vantagem de 174 pontos sobre a Red Bull (393 contra 219), mas a marca alemã terá de vigiar de perto a concorrência, numa altura em que tanto Red Bull como a Williams e mesmo a Ferrari parecem estar a conseguir incrementar a potência nos seus monolugares e a reduzir a diferença para Rosberg e Hamilton. 

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