Jornada 1 da Primeira Liga vista à lupa

Jornada 1 da Primeira Liga vista à lupa

Com o arranque do campeonato português, o VAVEL inicia uma análise semanal de alguns detalhes dos vários jogos da competição nacional.

Robayna
Miguel G. Robayna

Nos primeiros instantes da liga costumam surgir jogadores inesperados: as equipas não estão oleadas e nesta campanha, que começa depois da Copa do Mundo, algumas das estrelas estão ainda a calibrar. Tal foi o que podemos comprovar nesta primeira jornada da liga portuguesa.

A jornada inaugural deixou-nos uma brilhante apresentação de Rúben Neves num jogo que em que Brahimi se destacou, a constatação do peso que Enzo Pérez tem no Benfica e a confirmação de que o SC Braga pode mesmo voltar à luta pelos lugares cimeiros. Vários nomes se destacaram num início com surpresas, como a vitória do Moreirense sobre o Nacional e o empate entre uma Académica séria e um Sporting conformista.

O laboratório do «mister»

Os primeiros dias do campeonato reflectem-nos uma grande quantidade de detalhes tácticos, quer pela positiva quer pela negativa, devido aos ajustes que os treinadores fazem nas suas respectivas equipas. Foi pelo lado positivo que o Belenenses de Vidigal mostrou como o técnico do Restelo pretende que a sua equipa ocupe os espaços ofensivos.

Durante grande parte do encontro o Belenenses encarregou-se de efectuar transições rápidas iniciadas pelo meio, prosseguiam com um passe para as alas e concluiam-se com um cruzamento. Balões para o coração da área aos adeptos penafidelenses sem qualquer alento, em grande medida devido às movimentações dos homens que atacavam a área da casa.

Quandos as saídas não eram rápidas, Deyverson e Sturgeon caiam para a zona do esférico, com intenção de criar superioridade na jogada e com isso obrigar à iniciativa defensiva (saída de posição) de um dos centrais. Desta forma, um dos jogadores do Belenenses atacava o primeiro poste e outro o poste mais distante, fazendo com que os centros gerassem sempre grande sensação de perigo. Assim nasceram o primeiro e terceiro golos do conjunto de Belém.

A estrela: Hernâni

O dianteiro do conjunto vimaranense marcou dois na deslocação vitoriosa da sua equipa a Barcelos. Em ambos os casos deixou o seu selo de «caça-golos» e mesmo no golo que não teve a sua assinatura, realizou um movimento de desmarcação que acabou por impedir Pecks de cobrir o tiro que acabaria por criar o 2-0, obra de Bernard.

No primeiro golo da partida, Hernâni manteve-se escondido atrás do defesa, esperando um possível ressalto para surpreender e adiantar-se com a bola na imediação, enquanto que no segundo golo, realizou uma desmarcação diagonal arrastando os defesas, deixando o lado direito livre para a incorporação de um companheiro, ocupando depois o único espaço por cobrir pela defesa gilista.

Desta forma, o 'sete' do Vitória de Guimarães coloca-se na liderança dos melhores marcadores - apesar de ser extremo e não avançado - e com 23 anos apresenta credenciais para aspirar a tornar-se potencial revelação de um campeonato que aglutina muito talento jovem.

A desilusão: William Carvalho

Foi a revelação do futebol português na época passada e este ano toca-lhe a si dar mais um passo adiante. Os focos apontam directamente e exige-se mais que há uns meses atrás, pelo menos no que toca ao âmbito sportinguista. Por tudo isto ganha relevância a sua expulsão em Coimbra: o preciso jogador que equilibra a equipa, descompensou-a à passagem da hora de jogo.

No momento em que a Académica mais apertava, e numa falta desnecessária sobre Rui Pedro, William viu o segundo cartão amarelo que o expulsou do encontro. O jogador da Briosa encaminhava-se para uma situação de quatro para quatro no meio do campo quando o médio leonino o derrubou. A partir daí (67 minutos) o Sporting ficou aturdido, perdeu toda a sua ordem táctica e acabou encaixando o golo do empate nos descontos.

Pode ler o artigo original de Miguel G. Robayna em espanhol aqui.

Tradução realizada por Bruno Falcão Cardoso.

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