Lotus: completamente irreconhecível
Pastor Maldonado e Romain Grosjean nos seus E22, durante o treino livre do Grande Prémio da Áustria. (Fonte: Formula1)

Lotus: completamente irreconhecível

A equipa Lotus atravessa um dos seus piores momentos, desde o seu regresso à Formula 1 em 2012. O oitavo lugar na classificação de equipas traduz as dificuldades económicas e mecânicas que assombram a equipa britânica desde o final da época passada, não se perspectivando melhorias significativas nos oito Grandes Prémios em falta. Como tal, em Enstone, já se pensa em 2015.

eliapaulo
Élia Paulo

Depois de um regresso em grande às pistas de F1, a Lotus foi a equipa surpresa  dos campeonatos de 2012 e 2013, conquistando simpatizantes dentro e fora de pista, devido ao seu desempenho e também, ao sentido de humor demonstrado em nome da equipa nas redes sociais. Porém, quando nada o fazia prever a equipa entrou em crise económica já no final do campeonato anterior envolta em polémica devido aos pagamentos dos salários em falta do seu melhor piloto, Kimi Räikkönen. Estes desentendimentos levaram à saída do piloto finlandês, mesmo antes do campeonato terminar. A Lotus ambicionava um substituto à altura do finlandês, contudo, as dificuldades económicas pelas quais passava deitaram por terra a contratação do alemão, Nico Hulkenberg. Devido à falta de investidores, a equipa de Enstone viu-se assim na obrigação de assinar com um piloto pagante, o venezuelano, Pastor Maldonado, para assegurar a sua permanência no campeonato de F1. Se tal poderia trazer alguma estabilidade financeira à equipa, não se veio a verificar, pois a situação da mesma apenas se tem agravado ainda mais no decorrer do atual campeonato.

Azares & Infelicidades

Para além de ter perdido duas caras importantes, James Allison e Eric Boullier, a equipa começou logo a pré-temporada com o pé esquerdo, pois faltou aos primeiros testes coletivos de Jerez para continuar os desenvolvimentos do seu monolugar, o E22. Portanto, perdeu parte importante na preparação do campeonato, o que se verificou ter afetado os resultados logo  nos primeiros Grande Prémios, explicando a ligeira melhoria nas provas europeias.

A equipa de Enstone também tem sido infeliz devido à falta de fiabilidade do motor híbrido Renault, estes problemas não se restringem apenas à Lotus, mas também abrangem outras equipas que utilizam o mesmo motor. O défice de ritmo do E22 tem sido uma grande dor de cabeça para a dupla de pilotos, Romain Grosjean e Pastor Maldonado, durante as provas da primeira parte do campeonato. Assim, o motor e a parte aerodinâmica têm tido um peso crucial nos resultados das equipas que disputam o campeonato, o que pode justificar em parte os resultados fracassados da equipa britânica.

A situação financeira da equipa tem-se agravado, sendo que, os prejuízos da equipa britânica durante esta temporada já são os maiores de sempre alguma vez registados por uma equipa de desporto automóvel. Esta perda deve-se, essencialmente, aos custos suportados com a equipa. A Lotus tem procurado novos investidores e patrocinadores para tentar melhorar a sua situação, contudo, não tem tido muita sorte nessa mesma procura. 

Romain Grosjean

Romain Grosjean (Fonte: Pitpass)

O piloto francês, Romain Grosjean, demonstrou desde a sua chegada à F1 ter um talento inato na modalidade, talento esse, confirmado nas duas temporadas passadas através da conquista de vários pódios e excelentes resultados. Apesar disso, ao longo deste campeonato a frustração tem dominado o piloto, que se vê impotente de triunfar com um carro nada fiável. O piloto francês vê-se assim envolvido na pouca sorte da equipa, contando com quatro abandonos devido a problemas mecânicos no seu E22. Durante o frustrante Grande Prémio da China, Romain Grosjean viu-se obrigado a abandonar a corrida devido a um problema na caixa de velocidades, quando se encontrava na décima posição, prestes a ganhar o primeiro ponto da equipa. Já durante o GP da Hungria, o francês sofreu um acidente embaraçoso durante a presença do safety car em pista, retirando-se da corrida. O seu melhor resultado foi a oitava posição, nos Grande Prémios da Espanha e do Mónaco. Atualmente encontra-se na décima quarta posição da classificação de pilotos, com 8 pontos. O desempenho do piloto francês tem sido superior ao do seu companheiro de equipa,  especialmente, durante as qualificações, como já era expectável. 

Pastor Maldonado
 

Pastor Maldonado (Fonte: SkySportsF1)

O piloto venezuelano é conhecido na F1, mas pelas piores razões, tem “abrilhantado” os campeonatos da modalidade com os mais aparatosos incidentes. E este campeonato não tem sido exceção, pois  atualmente, é o piloto com mais pontos de penalização atribuídos, contando já com quatro. Um dos acidentes mais violentos que provocou foi durante o Grande Prémio do Bahrein, em que fez rodopiar literalmente o monolugar de Esteban Gutierrez, piloto da Sauber, para fora de pista. Felizmente o piloto mexicano escapou ileso. As prestações de Pastor Maldonado têm sido claramente inferiores às do seu companheiro de equipa, tendo também sofrido com a fiabilidade do seu E22, sendo obrigado a retirar-se em quatro corridas devido a problemas no seu monolugar, nos Grandes Prémios da Austrália, da Malásia, do Mónaco e do Canadá. A sua melhor posição foi um décimo segundo lugar, nos Grandes Prémios da Áustria e da Alemanha. Atualmente, o venezuelano encontra-se na décima nona posição da classificação individual de pilotos, com 0 pontos.

Acidente provocado por Pastor Maldonado a Esteban Gutierrez durante o GP do Bahrain. (Fonte: BBC)

 

Perpectivas futuras da equipa

A Lotus encontra-se na oitava posição da classificação de equipas, atrás desta só mesmo, a Marussia, a Sauber e a Catherham. Os 8 pontos que possui foram conseguidos apenas por Romain Grosjean, contudo, foi o piloto venezuelano, Pastor Maldonado, que viu renovado o seu contrato de permanência na equipa britânica em 2015. O que é certo, é que o piloto venezuelano ainda não pontuou neste campeonato, porém, para a Lotus , este é definitivamente uma mais valia financeira para a equipa, devido ao contributo da Petrolífera Venezuelana. Por outro lado, o piloto francês não garante a sua permanência na Lotus em 2015, pois pretende competitividade, algo que a equipa de Enstone poderá não lhe oferecer.  

Os representantes da equipa têm-se demonstrado confiantes na capacidade de resolução dos problemas atuais, por parte da equipa, em 2015. Apesar das mudanças radicais que se avizinham, nos motores Renault, face aos problemas com que a equipa britânica se tem debatido, devido aos motores fornecidos, ao que tudo indica, esta estará para anunciar o seu novo fornecedor de motores para 2015, a Mercedes. Será este um dos motivos para tanta confiança e esperança em 2015, por parte da equipa?

Tendo um dos carros mais incertos da grelha, com um motor claramente fraco de potência comparativamente às restantes equipas, a Lotus precisaria de melhorar urgentemente, para conseguir regressar às vitórias, pois parte dos Grandes Prémios que se avizinham vão depender muito da potência do motor. 

A equipa britânica já demonstrou ter potencial em épocas anteriores, como tal, as aspirações da equipa para esta segunda parte do campeonato consistem na possibilidade de tornar o E22 num monolugar competitivo, apesar do fraco início de temporada.

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