GP da Bélgica: análise às equipas
Ricciardo está a apanhar o gosto às vitórias. Já é a terceira este ano (foto: Red Bull)

GP da Bélgica: análise às equipas

Se as coisas já andavam a ficar cinzentas para a Mercedes, ficaram definitivamente negras. A gestão de dois potenciais campeões do mundo nunca é fácil mas o erro de Rosberg já era esperado. Com tanta luta algum havia de errar. No entanto quem perdeu foi a equipa e permitiram que a Red Bull conseguisse recuperar algum terreno. Erros destes podem pagar-se caros em alta competição.

fabiocostamendes
Fábio Mendes

Mercedes

O que poderia ter sido mais uma exclente corrida deu origem a um problema que pode ser complicado de resolver ( Foto: Mercedes)

Podia ter sido mais uma corrida perfeita… mas acabou em desastre. Rosberg usou a “táctica Hamilton” para tentar passar o britânico, sendo agressivo em demasia. Acabou como o mau da fita. Arruinou a corrida de Lewis que podia facilmente ter chegado ao pódio e a sua também. Uma potencial dobradinha acabou apenas num 3º lugar e uma desistência. É justo culpar Rosberg pelo incidente? Sim. O alemão tinha espaço suficiente para não tocar em Hamilton e a azia de Hungria, onde Hamilton esqueceu as ordens de equipa, estarão no cerne da questão. É justo fazer dele o vilão? Não. Isto é competição. Se fosse ao contrário? Sou sincero não aprecio muito o alemão mas começa-se a ver um Hamilton bastante apoiado fruto dos constantes azares que tem tido e um Rosberg que se calhar se começa a sentir um pouco desvalorizado, mais ainda sendo o líder do campeonato. A culpa é claramente de Rosberg desta vez, mas se não fosse a ponderação do alemão o caldo já tinha entronado há muito tempo. Mas não vejo nada de mais no acidente. Foi um erro. Agora pensar que foi propositado? Parece-me rebuscado demais. O que tirar deste incidente? Provavelmente Hamilton terá alguma benesse em estratégia numa corrida futura, para acalmar a situação. Mas que a Mercedes vai tentar a todo o custo evitar mais confrontos isso parece certo. Agora será através de ordens de equipa? É que se o método for esse, não vai haver Rennie que chegue para os dois. Como Wolf, Lauda e Lowe vão gerir esta “crise”, pode definir o resto do campeonato e até o futuro da equipa. Se calhar começam a ter saudades de Brawn. Mas isto é F1. Este tipo de novelas faz falta. Continuem assim rapazes.

Red Bull

Red Bull a encurtar as distâncias para a Mercedes ( foto: Red Bull)

Mais uma corrida espectacular de Ricciardo. Os Bull´s estiveram menos bem na qualificação e quem viu nos treinos reparou que o carro era um pouco nervoso a entrar nas curvas, devido à “pouca asa”. A equipa voltou a fazer um trabalho excelente na afinação. E Ricciardo mais uma vez aproveitou os desperdícios da Mercedes. Passou por Vettel que errou muito nesta corrida ( errou vezes demais para um tetra campeão do mundo) e que lhe escancarou a porta para o australiano passar. Um par de boas manobras e uma gestão impecável da corrida. Que piloto este Ricciardo. É a surpresa do ano. Está a envergonhar o colega de equipa. Não parece certo que consiga chegar ao titulo. Se os Mercedes deixarem as brincadeiras os Red Bull não tem hipótese. Mas que o encurtar da distancia da ânimo à equipa e ao piloto isso é certo. Outra coisa que é certa…Ricciardo conquistou o respeito e admiração do paddock e dos fãs. Esse será o ser maior prémio este ano.

Williams

Bottas continua a brilhar ( foto: Williams)

Ver Bottas a passar Raikkonen cheirou a passagem de testemunho. Raikkonen já avisou mais uma vez que o futuro na F1 pode não ser tão longo quanto isso e Valtteri está a conquistar cada vez mais pontos. Mais um pódio (3 em 4 corridas) e mais uma excelente corrida. A Williams tem o melhor carro em recta sendo Spa e Monza as melhores pistas para brilharem. Bottas fez por isso. Já Massa teve problemas com a asa dianteira. Pedaços de borracha diminuíram o apoio aerodinâmico e estragaram a corrida do brasileiro que não se livra de problemas nas corridas. Espera-se muito deles em Monza. Mas a forma como a Williams está a crescer alegra quem gosta de F1.

Ferrari

Kimi finalmente mostrou o que pode fazer ( foto: Ferrari)

O Iceman voltou. O rei de Spa regressou do exilio e pelo meio das brumas da floresta belga veio mostrar que quem sabe nunca esquece. Uma corrida muito boa do finlandês que finalmente se mostrou na Ferrari. Muito discreto mas sempre no sítio certo, fez uma corrida “Lotus Style” onde ninguém dá por ele, mas ele factura. So podemos estar contentes com esta corrida de Kimi. Já precisava de uma corrida assim para se animar. Pela primeira vez esta época ficou à frente de Alonso que fez uma corrida mediana, para quem nos habituou a tanto. Não foi uma corrida fácil e ganha mais uma vez o trofeu de melhor ultrapassagem (passar por fora em Rivagem, está só mesmo ao alcance dos melhores). A Ferrari foi criticada e com razão pode ter arriscado a integridade dos mecânicos ao entrarem em pista com a volta de lançamento em curso para voltar a ligar o carro de Alonso. Para quem coloca a segurança em primeiro lugar e as vezes de forma abusiva apenas 5 seg de penalização parece curto.

McLaren

McLaren mostra sinais de evolução positivos ( imagem :McLaren)

Passos pequenos mas passos em frente. A equipa mostrou evolução numa pista que os favorece. Ainda está longe do nível exigido mas nota-se agora claramente uma evolução positiva. Button esteve ao seu nível, combativo mas leal e com um bom resultado. Magnussen deu nas vistas. Foi penalizado por ter abusado na defesa da sua zona mas é por causa destas penalizações que se diz que a F1 é para meninos de 17 anos. É verdade que Alonso foi a relva por causa disso mas foi no limite e podiam bem ter deixado passar. Mas o menino da McLaren fez-se homem e fez cara feia a Alonso, Vettel e Button. É assim que gostamos dele. Aguerrido. Nós, que já tínhamos dito que lhe faltava um pouco de sangue na guelra, mostrou que afinal quando quer sabe ser valente. Um resultado positivo para a equipa.

Force India

Force Inda começa  a marcar passo ( imagem: Force India)

Como no ano passado. Começaram muito bem mas agora parecem claudicar. Numa pista onde podiam e deviam ter sido melhores ficaram atrás da McLaren e os desempenhos não foram os melhores. Pérez ainda pontuou mas andou sempre longe das lutas e Hulkenberg, depois da desistência na Hungria voltou a ficar em branco. Fez uma boa recuperação é certo mas não foi o suficiente. A Force India está a desperdiçar uma excelente hipótese de brilhar mais. Seria um passo fundamental para a consolidação da equipa.

Toro Rosso

Kvyat voltou a ser melhor que JEV (Foto: Toro Rosso)

Kvyat esteve mais uma vez muito bem. O jovem russo foi o melhor Toro Rosso mais uma vez e fez uma corrida muito consistente sendo considerado por alguns o rookie do ano. Já Vergne não conseguiu sobressair e fazer melhor que o rookie. Foi esta diferença mínima para Kvyat que o fez perder o lugar. O francês tem agora o resto do ano para mostrar que merece um lugar na F1. Mas parece-nos que as portas começam a fechar-se para JEV.

Sauber

Sauber não dá sinais de querer melhorar ( foto: Sauber)

Mais do mesmo também. O carro não anda nem desanda. Evoluções não se vislumbram e os pilotos também mantem a mesma bitola exibicional. Ou seja tudo muito complicado. Os pontos ainda estão muito longe. Ao menos não desistiram. O único sinal positivo.

Marussia/ Caterham

Marussia continua na frente da Cateham ( foto: Marussia)

Bianchi com o toque logo no inicio com Grosjean ficou para trás e o resto da corrida foi muiti difícil. Foi obrigado a desistir perto do final mas não teve hipótese de mostra a sua qualidade. Ficou com Chilton o dever de defender a equipa e conseguiu e ultrapassou Ericsson nas ultimas voltas. Ficou então visto quem é o melhor dos piores. No entanto foi uma “estalada” para a equipa que quis colocar Rossi no lugar de Chilton que foi obrigado a desembolsar mais dinheiro para se manter. Ericsson foi mais do mesmo. Mas interessa dizer aos leitores que se tiverem muito dinheiro e uma super-licença poderão conduzir um Caterham. A equipa pelos vistos colocou os lugares “à venda” e já se fala que Sainz Jr poderá ter lugar no próximo GP patrocinado pela Red Bull. E mais pilotos estão na calha. É este o estado da Caterham. Vender lugares para ter dinheiro. Lotterer foi a primeira experiencia mas correu mal. Foi obrigado a desistir na primeira volta.

Lotus

Lotus foi mais do mesmo. ( foto: Lotus)

Mais uma corrida ingória para ambos os pilotos. Maldonado continua a acumular erros e Grosjean voltou a não acabar a corrida. Evoluções, nem vê-las, tal como a fiabilidade e a velocidade. Nada a acrescentar.

Próxima paragem, a catedral da velocidade: Monza.

VAVEL Logo