GP de Itália: análise às equipas
Hamilton foi o vencedor em Monza (Foto: Mercedes).

GP de Itália: análise às equipas

Mais uma excelente corrida proporcionada pelos pilotos numa pista mítica, rápida e com fãs do outro mundo. A F1 sem Monza não faz sentido.

fabiocostamendes
Fábio Mendes

Uma corrida recheada de batalhas interessantes, grandes recuperações, excelentes ultrapassagens. Parece repetido? Sim, são argumentos que já usamos anteriormente mas que temos de voltar a usar. Esta F1 está interessante, emotiva e nunca é demais realçar isso.

Mercedes

Depois da “bronca” em Spa e da multa a Rosberg, havia a curiosidade em saber como a dupla ia lidar com a nova situação. E pelos vistos a força mental de Rosberg claudicou este fim de semana. Hamilton foi constantemente o mais rápido e mereceu interiamente a vitória. O britanico teve uma partida péssima devido a problema de software mas recuperou e de que maneira, colocando pressão em Rosberg que falhou duas vezes no mesmo sitio. Já há teorias da conspiração que acham muito estranho o alemão errar duas vezes no mesmo sitio. É de facto muito estranho ele errar daquela maneira, ele que não tinha errado até agora. Mas a situação a diferente. A equipa culpou-o pelo mau resultado de Spa, os fãs assobiaram-no no pódio e em corrida viu um Hamilton a ganhar terreno quando lhe pediam para poupar combustível. Pode ser frio como o gelo mas não é de ferro. Hamilton por sua vez voltou a ter de recuperar de azares o que só vem aumentar a sua motivação e confiança. Mas é claro que o clima de paz podre reina na Mercedes. Nota-se que a equipa está divida e para isso basta ver a forma como o engº de Rosberg se referiu ao carro de Hamilton ( “o outro carro”). Para uns pode ser inocente mas para mim é sintomático e foi uma expressão que nunca tinha ouvido antes por parte do engº de Nico. Tudo isto parece um reviver da época da McLaren na luta Prost - Senna. Obrigado e continuem pois nós gostamos.

Williams

Spa e Monza seriam os circuitos de eleição para os rápidos carros da Williams. A sua velocidade em recta seria um trunfo importante para ter bons resultados nestas pistas e não desiludiram. Na qualificação ficaram perto dos Mercedes e em corrida foram inteligentes para não entrar em lutas desnecessárias com a Mercedes e gerir o resultado. Massa mostrou que quando o azar se esquece dele pode fazer coisas boas. Merecido 3º lugar numa corrida onde controlou as operações de forma excelente. Mas Bottas esteve espectacular. Foi obrigado a recuperar de uma má largada e como se isso não bastasse a ida as boxes foi mal calculada e colocou-o de novo no meio do “barulho” caindo muitas posições sendo obrigado a recuperar de novo. Pode não ser o resultado que esperava mas Bottas está de parabéns. Boas ultrapassagens, ritmo alucinante. O finlandês está a conquistar tudo e todos. O homem que vem do frio também tem a chama dentro de si para lutar com a “faca na boca”, sendo sempre cauteloso em dar o espaço suficiente para não estragar a sua corrida nem do adversário. Que surpresa agradável. Frank Williams está radiante ao ver a sua aposta dar frutos.

Red Bull

Já se sabia que Monza não lhes iria sorrir muito, mas mesmo assim conseguiram excelentes resultados. Vettel pareceu outro com o novo chassis fornecido pela equipa. Foi rápido e consistente. Não brilhou é certo mas esteve sempre no top 5 e graças a isso conquistou pontos preciosos. Se foi apenas psicológico ou não não sabemos mas a troca de chassis resultou em cheio para o alemão que já teve um aproveitamento mais próximo do que se espera dele. Não fez melhor pois a estratégia não o favoreceu. Ricciardo voltou a encher-nos as medidas. Com um inicio de corrida mau,  foi melhorando até fazer mais uma ponta final arrasadora. Ultrapassagens fenomenais e um ritmo frenético a quem ninguém se conseguiu opor.  Já vem sendo recorrente o australiano mostrar um ritmo alucinante nas últimas voltas recuperando muitas posições. O homem que está sempre no sitio certo á hora certa, voltou a ficar à frente do seu colega de equipa.

Force India

Perez voltou a mostrar que de facto é bom piloto. Muitas lutas, especialmente com Button que deram um colorido extra à corrida. Perez defendeu-se muito bem e atacou ainda melhor. Já Hulkenberg voltou a ficar fora dos pontos. O erro na Hungria afectou-o e já vai na 3ª corrida sem pontuar. O que se passa com Hulk? E o que se passa com a Force India? A equipa mantem-se na luta com a McLaren mas não parece que consigam ter argumentos por muito mais tempo. O patrão da equipa voltou a ser noticia com problemas ao nível de dinheiros. Será esse o problema que está a impedir a equipa de melhorar claramente os carros? É que o potencial dos carros é claramente superior ao que se tem visto em pista. E este ano a Force India devia apostar forte em consolidar a sua posição no grid.

McLaren

A equipa continua a dar passos positivos. O carro vai melhorando aos poucos e já se nota que consegue fazer frente a Force India e Ferrari até. A evolução está a ser mais lenta do que gostariam mas desde que seja feita de forma consolidada não há problema. Este ano está perdido e está. E os pilotos estão a mostrar algo mais. Tanto Button como Magnussen estão mais aguerridos e Dennis deve estar contente por ver a sua estratégia de não definir pilotos estar a resultar. Button travou lutas muito interessantes que não venceu. Mas já se sabe que é um gentleman racer. Já Magnussen voltou a ser penalizado por supostamente exagerar na defesa da sua posição. Não achamos que seja correcto. Tanto em Spa como em Monza o jovem defendia uma posição que ainda era dele. Como tal penaliza-lo por isso é estar a retirar a essência do desporto motorizado. Ninguem gosta de ver pilotos a facilitarem a passagem só para não serem penalizados. Cada piloto tem de defender-se dentro do bom senso como é óbvio. Os comissários disseram que iam ter uma visão mas complacente mas até agora pouco ou nada se viu.

Ferrari

A jogar em casa tudo correu mal. O carro continua com os problemas do costume e nem Alonso conseguiu o milagre do costume de colocar o carro no pódio em Monza, com o seu motor a parar de um momento para o outro no final da recta da meta.  Um castigo demasiado pesado para o espanhol. Kimi salvou a honra da casa e pontuou mas mesmo isso foi difícil de conquistar.  Há vários rumores que apontam para a saída de Montezemolo  da chefia da Ferrari juntamente com mais uma profunda reestruturação. A Ferrari continua a mostrar falta de estabilidade e de rumo. Pelo menos é isso que passa para fora. A equipa já teve vários anos “zero” e tem necessidade de estabelecer um rumo de uma vez por todas. Será que Alonso ainda quer ficar assim?

Toro Rosso

Kvyat fez uma corrida espectacular. Depois de ser penalizado pela troca de motor e cair para 21º, o russo fez uma recuperação fantástica até ao 11º lugar. E não conseguiu mais porque ficou sem travões a duas voltas do fim acabando ainda assim a corrida. O jovem russo mostrou qualidade. Já Vergne em 13º não foi carne nem peixe, dando razão a Marko. Não é a melhor maneira de mostrar serviço.

Lotus

A única boa noticia é que ambos os carros conseguiram acabar a corrida. Mas o ritmo mantém-se baixo e a competitividade pouca. Maldonado conseguiu acabar melhor que Grosjean, mas o rendimento de ambos fica sempre mascarado pelo péssimo carro que voltou a mostrar problemas. Mais uma vez uma peça soltou-se do carro de Grosjean mostrando uma “qualidade de construção” questionável. A vida não está fácil para a Lotus.

Sauber

Novidades? Nenhumas. A Sauber continua longe dos pontos e Gutierrez com um erro crasso estragou o trabalho da tarde. Já não é a primeira vez que o mexicano tem falhas destas e são daquelas que ficam mal no currículo. Há fortes rumores que há interessados na compra da equipa e a Sauber é sem duvida uma das equipas mais apetecíveis pois para além de estar “barata” tem todas as condições necessárias para ter um bom desempenho.

Caterham/ Marussia

Kobayashi fez questão de mostrar porque é um erro a Caterham não apostar nele a sério. Foi  o melhor “dos últimos” e até deu “porrada” em Bianchi. Esteve muito bem o japonês. Ericsson voltou a mostrar porque é o pior do grid e Chilton acabou mais cedo ao contrário do que é costume. Um erro pouco vulgar num piloto que arrisca muito pouco e faz da regularidade a sua principal arma.

Rumores

A saída de Christijan Albers da estrutura da equipa é um mau presságio. A única cara conhecida do novo projecto abandona por não estar a receber os fundos que lhe foram prometidos no inicio. Há muitos rumores que dizem qua a F1 está mesmo a caminhar para um formato com 8 equipas e 3 carros o que pode dizer que estão 3 equipas para sair. Mas há que ter em conta a entrada da Haas. Há muitas pontas soltas no que diz respeito a este assunto mas parece que a vontade de Bernie vai mesmo em frente.

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