Mário Jardel: o goleador de ambas as trincheiras

Mário Jardel: o goleador de ambas as trincheiras

Goleador nato e temível ponta-de-lança, Mário Jardel actuou pelos dois clubes que hoje irão medir forças. Campeão no FC Porto e no Sporting, a antiga glória da liga portuguesa batalhou em ambas as trincheiras e é, sem margem para dúvidas, uma das figuras mais incontornáveis dos duelos entre Leões e Dragões.

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Todos se lembram dos seus golos infindáveis, das suas movimentações inteligentes, sorrateiras e mortíferas, das suas cabeçadas certeiras e dos seus pontapés flamejantes: Mário Jardel, «Super Mário» como lhe chamavam, inundou o futebol nacional com a sua veia letal e com a enxurrada de golos com que banhou o panorama futebolístico português.

Golos e títulos: assim se resume o «Super Mário»

Chegou ao FC Porto na época de 1996/1997, discretamente, mas cedo se revelou um assassínio inenarrável dentro das grandes áreas adversárias. Lento mas perspicaz na leitura do jogo e nas desmarcações, Jardel foi lesto a impressionar pela eficácia. Nessa primeira época de Dragão ao peito, Jardel marcou 35 golos em 44 partidas, deixando marcas profundas na consagração do Porto campeão.

Na temporada seguinte, o ponta-de-lança vindo do Grémio subiu o nível: marcou 39 golos em 41 partidas, voltando a deixar marcas bem visíveis na nova coroação do Porto campeão, versão 1997/1998. Em 1998/1999, Jardel voltou a destacar-se, apresentando um nível de rendimento altíssimo, pleno de regularidade - 39 jogos e 38 golos, tricampeonato para os portistas com Jardel em forma tremenda.

Em 1999/2000, ano do Sporting, «Super Mário» explodiu recordes, marcando 56 golos em 51 jogos, fazendo o seu nome viajar além-fronteiras. As chuvas de golos valeram-lhe a ida para o Galatasaray, onde apenas militou durante uma temporada. Regressou ao futebol luso para representar um grande rival do seu amor nortenho - no arranque da época 2001/2002, Jardel era apresentado pelo Sporting Clube de Portugal.

Cedo Alvalade foi conquistada pelo matador brasileiro natural de Fortaleza. A época de estreia no clube leonino foi de arromba - 55 golos marcados em apenas 42 jogos, um «score» estrondoso que fez de 2001/2002 a época mais profícua de Jardel em termos de eficiência e eficácia. O Sporting tornar-se-ia campeão e Jardel, perdurava a ideia de que carregava consigo a boaventura dos triunfos. Depois de três ligas ganhas no Porto, o brasileiro juntava mais uma ao pecúlio, pelo Leão.

Jardel nos clássicos entre Sporting e Porto

Jardel jogou onze clássicos entre Sporting e Porto, nove com a camisola azul e branca vestida e apenas dois em representação dos Leões. Em 96/97 enfrentou o Sporting uma vez, ficando em branco. O seu primeiro golo nestes clássicos aconteceria na época seguinte, 97/98, no dia 8 de Novembro de 1997, no empate 1-1 diante do Sporting (Jardel empatou a partida aos 22 minutos, no Estádio das Antas).

Em 98/99 Mário Jardel voltou a disputar dois encontros contra o Sporting e a marcar um golo - no dia 19 de Dezembro de 1998, Jardel marcava o seu segundo golo aos Leões, na vitória caseira do Porto, 3-2 numa noite em que o compatriota Doriva brilhou com dois golos assinados. Em 99/00, o matador encontrou o Leão por quatro vezes, marcando três golos - bisou, nas Antas, no 3-0 do dia 30 de Outubro de 1999. Voltaria a marcar a 21 de Maio de 2000, para a final da Taça de Portugal, no 1-1.

No Sporting, Jardel apenas defrontou o antigo clube por duas ocasiões, tendo marcado um único golo, na primeira vez que enfrentou o Porto: de grande penalidade, o goleador feriu o Dragão no 2-2 da temporada 2001/2002, e não mais viria a festejar um golo à custa da sua primeira equipa em Portugal. Na época que se seguiu, Jardel defrontou o Porto uma vez, entrando aos 45 minutos e ficando em branco.

Histórico goleador que se sagrou campeão por Porto e Sporting, Jardel partilha com os dois clubes experiências e narrativas que ficarão para as antologias do futebol nacional. Hoje, frente-a-frente, os dois rivais digladiam-se e Jardel, que vestiu ambas as camisolas, saberá de cor as emoções de quem viveu um Clássico nos dois lados da barricada.

 

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