Repensar a F1?
(Foto: XPB Images)

Repensar a F1?

O grande circo ainda não recuperou do choque de Domingo. A F1 viu um dos seus mais promissores talentos sair de pista e chocar contra um tractor de forma violenta, num acidente que coloca agora em jogo a vida do piloto.

fabiocostamendes
Fábio Mendes

O vídeo que a FOM tanto tentou silenciar apareceu na internet e mostra a brutalidade do embate que Jules Bianchi sofreu. Ao ver as imagens é impossível não ficar espantado com a violência do choque e acima de tudo com o azar que se abateu sobre o piloto na curva Dunlop naquele momento. Uma série de factores que levaram a um desfecho triste para todos os que vivem e seguem a modalidade.

Questionar uma paixão

A F1 será sempre uma modalidade perigosa e pouco se pode fazer contra isso ( XPB Images)

São estes acontecimentos que nos fazem questionar e pensar o que é este desporto. O que ele significa e o que ele exige. E se para os fãs isso acontece, que dizer dos pilotos, que têm de encarar a situação de frente e entrar no carro já amanhã, tentando esquecer as imagens que viram recentemente. Será talvez o maior desafio que estes pilotos terão de enfrentar na carreira. Voltar a subir para o monolugar, tentando apagar as imagens do fim de semana passado. Algo que será ainda mais complicado pois o manto de "invencibilidade" que os pilotos usam, para não temer os perigos da competição, está agora rasgado. A confiança e a segurança que tinham estarão por certo abaladas. 

É certo que os acidentes na F1 são uma constante e alguns deles nos últimos anos têm sido graves. Vimos Kubica escapar a um acidente brutal sem grandes consequências, vimos Webber voar e sair do carro pelo próprio pé, este ano vimos Massa envolvido em 2 grandes acidentes e mesmo assim não sofrer mazelas dos choques violentos. Mas desde o dia em que a F1 perdeu um dos seus maiores talentos, o grande Ayrton Senna, que nunca mais ninguém teve de pagar com a vida o sonho de correr no grande circo. A partir desse dia, a busca pela segurança tem sido incansável e os resultados obtidos não podem deixar de ser destacados. 20 anos sem uma fatalidade.  É sinal que algo está a ser bem feito. Os pilotos confiam e sentem-se minimamente protegidos, dentro do que é possivel. Mas este fim de semana, inevitávelmente, esse sentimento será menor.

A busca pela segurança não pode parar

A FIA tem de investigar o acidente de forma a evitar que tal volte a acontecer ( XPB Images)

No passado domingo, a lição foi aprendida da pior maneira. A F1 não pode nunca descurar e facilitar no que diz respeito à segurança. Há aspectos que têm de ser repensados. Muitos dizem que antigamente é que era e que se corria sob chuvas torrenciais. Mas é mesmo para evitar os erros de antigamente que se devem ter cuidados extra. A corrida deveria ter sido antecipada, como pedido pela FIA. Os pilotos deveriam ter sido consultados, pois são eles que vão para a pista. Aquele tractor nunca deveria ter entrado em pista sem um Safety Car para limitar as velocidades. Mas mais uma vez a F1 cedeu aos interesses financeiros e infelizmente o azar não perdoou. Se no geral a FIA seguiu as regras impostas e geriu minimamente bem as condições de segurança, não deixa de ser verdade que deveriam ter sido mais enérgicos na tentativa de antecipar a prova. Teria de haver um mecanismo para que tal acontecesse. A vida dos pilotos tem de estar sempre em primeiro lugar.

A inevitabilidade do perigo

Não serve este texto para culpar ou desculpar ninguém em especifico. Apenas para reforçar uma ideia. A F1 será sempre um desporto perigoso. Nunca será 100% seguro. O nível de segurança atingido nos últimos anos é de louvar, no entanto há coisas que devem ser melhoradas, como a limitação de velocidade nas zonas de bandeira amarelas, como acontece no WEC, ou a interdição de tractores dentro da pista para retirar os carros, ou o uso de carros com o cokpit fechado. Haverá quem entenda mais e melhor do assunto que eu para tratar disso. Mas medidas terão de ser tomadas para que um acidente semelhante não aconteça. 

Será preciso rever e questionar tudo? Não me parece. Há coisas que estão bem feitas. É preciso voltar a pensar que não se atingiu o limite de segurança e que se pode fazer mais. Afinal quanto menos cenas como a do último domingo virmos, melhor será para todos. A filosofia da F1 é evoluir. Seja na parte mecânica ou na parte de segurança.

VAVEL Logo