Líder Carvalho de volta ao combate

Líder Carvalho de volta ao combate

A convocatória de Fernando Santos para os embates frente à França e à Dinamarca surpreendeu a nação com a inclusão de Ricardo Carvalho na lista dos seleccionados. Aos 36 anos, o defesa regressa no ano em que completa uma década de quinas ao peito.

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Francisco Dias

Depois do diferendo com o anterior seleccionador Paulo Bento, eis o inesperado regresso de Ricardo Carvalho à seleção de todos nós. O central esteve presente em 4 fases finais de Europeus e Mundiais e é uma das maiores glórias de sempre do futebol português. Com a veterania dos seus 36 anos, é chamado por Fernando Santos, que tenta assim oferecer experiência e uma voz de comando de um jogador que merece ser relembrado como um dos mais internacionais de sempre (75 jogos).

Ricardo Carvalho: uma década de Quinas ao peito

O emblemático central Ricardo Carvalho notabilizou-se em clubes como FC Porto, Chelsea, Real Madrid e, mais recentemente, no Mónaco. Ao longo da sua carreira futebolística, o defesa sagrou-se campeão português, inglês e espanhol mas atingiu o auge quando foi considerado o melhor defesa da Europa, ao ter vencido a Liga dos Campeões ao serviço do FC Porto na época 2003/2004.

Ao serviço da selecção nacional, Ricardo Carvalho trauteou por 75 ocasiões o hino nacional, sendo um dos jogadores com mais presenças de sempre pela selecção de todos nós (12º no top dos mais internacionais). Das 75 ocasiões em que representou a selecção lusitana, o central fez o gosto ao pé por 4 vezes e neste seu regresso inesperado à selecção, o jogador espera ser utilizado no confronto frente à França, exactamente no dia em que comemora 11 anos desde a sua estreia na selecção A.

11 de Outubro de 2003, data em que Ricardo Carvalho foi utilizado pela primeira vez na então selecção de Luiz Felipe Scolari. Em causa estava um encontro particular frente à Albânia, num jogo de preparação para o Euro 2004. O jogador foi suplente utilizado e participou na vitória lusa, frente aos albaneses por 5-3. Desde então, o central não mais deixou o lugar no último reduto nacional e fez parceria com: Fernando Meira, Jorge Andrade e Pepe. O ponto alto na selecção foi no Euro 2004, ao sagrar-se vice-campeão da Europa e no Mundial 2006, ainda com Scolari ao leme, com um magnífico 4º lugar dessa competição.

O primeiro golo de Ricardo Carvalho ao serviço do nosso país remonta ao ano de 2005, a contar para a qualificação do Mundial de 2006, frente ao Luxemburgo, na vitória de 6-0, com o central a fazer o 2º golo da contagem. Em Setembro de 2006, Portugal defrontou a Dinamarca, vencendo por 4-2. O actual defesa do Mónaco fez o gosto ao pé neste jogo amigável, inaugurando o marcador desta partida. Na qualificação para o Euro 2008, Portugal defrontou o Azerbeijão, com o central a fazer das suas, concretizando o 2º tento do jogo no triunfo das Quinas por 3-0.

A última vez que o central balançou as redes contrárias foi num jogo particular, frente ao Brasil, no triunfo dos lusitanos por 2-0. A última vez que Ricardo Carvalho esteve presente numa partida da selecção remonta ao ano de 2011 num particular frente ao Luxemburgo, que a equipa das Quinas venceu por 5-0. Desde então, fica para a memória de todos o diferendo com Paulo Bento e Pepe, que coincidiu com o afastamento do central da selecção lusa.

Polémica com Paulo Bento e Pepe afasta Carvalho da selecção

Na fase de apuramento para o Europeu de 2012, Ricardo Carvalho, Pepe e Paulo Bento foram protagonistas de uma das maiores novelas do futebol português. Em pleno estágio, Ricardo Carvalho alegou sentir-se injustiçado pelo tratamento que Pepe teve por parte do seleccionador, sentindo-se renegado das escolhas de Paulo Bento. Nessa época, Paulo Bento teria escolhido Pepe para o 11 titular em detrimento de Carvalho, que sempre alegou ter dado tudo pela camisola das quinas enquanto Pepe estava aparentemente lesionado. Ao sentir-se à parte, Ricardo Carvalho abandonou o estágio de livre vontade e desde então Paulo Bento excluiu o central das convocatórias.

Perante esta situação, fica a incógnita em relação a esta convocatória de Fernando Santos, uma vez que também Pepe se encontra nesta lista. Apesar de Ricardo Carvalho representar uma voz de comando e uma liderança no balneário, fica a dúvida de até que ponto o ambiente não poderá ficar incómodo entre Carvalho e Pepe.

Um central rápido e tecnicista que merece uma segunda oportunidade

Tanto ao serviço da selecção como em todos os clubes que representou, Ricardo Carvalho mostrou sempre ser um defesa rápido e inteligente na forma de abordar os lances. Para um defesa, denotou sempre uma técnica invulgar que o permitia sair com o esférico controlado ajudando os médios na primeira fase de construção. O espírito de liderança e serenidade que demonstrou sempre dentro das quatro linhas dava segurança a qualquer equipa, e juntando tudo isto a um bom jogo aéreo, Ricardo Carvalho tornou-se um jogador completo e uma mais valia para a selecção.

Se é inquestionável que se trata de um atleta fantástico, a questão que se impõe é de quais serão na realidade as condições físicas e psicológicas que o defesa apresenta para aos 36 anos ser uma mais valia para a selecção lusa, e até que ponto será vantajoso resgatar um jogador que esteve em polémicas e problemas no balneário. Mesmo equacionando todas estas vertentes, a verdade é que Fernando Santos apostou no central e não há dúvida que estamos perante um dos melhores jogadores de sempre do desporto rei nacional e internacional.

No seu regresso à selecção, Ricardo Carvalho afirma que: «Estou aqui como se fosse a primeira vez. O meu objetivo sempre foi jogar no meu clube e continuar a ir à selecção, por isso estou aqui com muito gosto», acrescentando ainda que «Fernando Santos viu o meu jogo com o Zenit, na Rússia, conversou comigo e com os portugueses que jogaram, com o João Moutinho, com o Luís Neto e com o Bernardo Silva».

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