1-0, min.3, Benzema. 2-0, min.69, Pogba. 2-1, min.77, Quaresma (p).
Boa atitude não impede nova derrota diante de França
(Foto: Thomas Sampson)

Boa atitude não impede nova derrota diante de França

Portugal perdeu esta noite diante de França (2-1), em Paris. Benzema marcou aos 3 minutos e o ímpeto francês parecia querer ensombrar a estreia de Fernando Santos. Portugal demorou a reagir, mas uma boa segunda parte acabou por deixar a imagem de uma selecção portuguesa com atitude e disposta a reabilitar a sua imagem pós-mundial.

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Hugo Picado de Almeida

Portugal entrava no Stade de France, em Paris, para um encontro com a história: há 39 anos que a selecção portuguesa não vencia os gauleses, desde que em 1975 Nené e Marinho apontaram dois golos na vitória por 0-2 da Equipa das Quinas no Estádio Olímpico Yves-du-Manoir. Fernando Santos estreava-se num palco difícil, promovendo um novo modelo de jogo para Portugal, em 4-4-2 (losango), e fazendo a sua pequena revolução na convocatória. Tiago, Ricardo Carvalho e Quaresma eram regressos, Cédric e João Mário foram estreias, num estádio repleto de adeptos portugueses.

A equipa portuguesa demonstrou boa atitude, mas alguns erros defensivos acabaram por ditar nova derrota diante da selecção francesa.

Portugal entra mal e tarda a correr atrás do prejuízo

A selecção gaulesa entrou no jogo com um golo de Benzema aos 3' (Foto: in sapo.pt).

O jogo abriu com o golo francês, apontado por Benzema aos 3'. As equipas ainda procuravam o seu espaço em campo quando o corredor direito português, demasiado permissivo, deu espaço à subida em campo dos franceses. A defesa portuguesa, mal posicionada e contando coma distracção de Eliseu do lado direito, permitiu o remate de Sagna, solto à entrada da área, que Benzema aproveitou após defesa incompleta de Patrício.

Após o golo, França continuou a sobrecarregar as alas, onde Eliseu e Cédric, surpresas no onze inicial, destacando-se a estreia do jogador do Sporting, sentiam claras dificuldades para segurar Sagna e Griezmann. De facto, por diversos momentos na primeira parte, Eliseu e Cédric provaram estar uns furos abaixo do esperado pelo seleccionador, valendo a atenção e entreajuda de Pepe a solucionar alguns apertos. Do lado português, pouca produção ofensiva se verificava também. Nani, Danny e Ronaldo pouco espaço tinham e pouco controlavam, e a bola rareava no meio-campo gaulês. O jogo era comandado pela França, em postura muito ofensiva, com destaque para a boa circulação de bola entre Cabayé, Matuidi e Pogba, e instalada maioritariamente em terrenos portugueses. A equipa francesa trocava a bola com velocidade e perícia, havendo espaço para vários passes a rasgar entre as linhas portuguesas e para as costas da defesa, onde os franceses surgiam velozes. Griezmann era disso bom exemplo.

Aos 20 minutos surge a primeira chance de golo para Portugal. Nani pega na bola à entrada da área, leva em diagonal para a esquerda e remata, cruzado e rasteiro, para ver a bola roçar o poste esquerdo da baliza de Mandanda. A partir deste lance, Portugal sacudiu alguma da pressão francesa e começou a aparecer mais frequentemente junto à área gaulesa, nomeadamente através de Nani, Tiago e Ronaldo, que embora sempre vigiado de muito perto, como Didier Deschamps prometera, se esforçava por libertar a bola em velocidade.

Aos 26 minutos, surge nova chance para Portugal. Após canto, André Gomes tira Sagna do caminho e remata, mas a bola sai por cima. Pouco depois, Eliseu tem erro clamoroso, deixando a bola nos pés de Benzema, que galga o campo isolado. O lateral português consegue recuperar posição e evita que o perigoso avançado francês possa alvejar a baliza de Patrício. O francês tenta o cruzamento mas a defesa portuguesa limpa a jogada. Eram indícios do nervosismo que os dois laterais portugueses experimentavam, e por onde França, inteligente, forçava o jogo.

E ainda que até aos 45 minutos França continuasse a comandar a toada do jogo, Portugal foi equilibrando a partida. Surgindo mais frequentemente em terrenos adiantados e disputando progressivamente mais a posse de bola, a verdade é que Portugal também não se mostrava esclarecido, e poucos frutos davam algumas boas combinações entre Tiago, Moutinho e Ronaldo. Tirando um par de subidas de Cristiano Ronaldo – numa apanhado em fora de jogo e noutra perdendo a bola ao procurar a finta −, poucos calafrios causou Portugal ao guarda-redes Mandanda.

Fernando Santos corrige atitudes e promove substituições logo ao intervalo

Na segunda parte, Fernando Santos trouxe a jogo William Carvalho (por André Gomes) e Ricardo Carvalho (no lugar de Bruno Alves), atendendo à clara necessidade de dar mais corpo e segurança quer no suster dos ímpetos franceses quer na construção de jogo numa primeira fase.

Portugal reentrou bem no jogo, e aos 50 minutos esteve muito perto do golo. Um belo cruzamento de Nani, na esquerda, encontra a cabeça de Ronaldo, que sobe ao primeiro andar e cabeceia colocado, a bola puxada para junto do poste direito, que apenas um bom voo de Mandanda impede que se transforme em golo. Portugal ia crescendo no jogo e empurrando a França para o seu reduto. A colocação de Tiago como 8 e o apoio de William como 6 produziam resultados. A equipa lusa variava agora mais rapidamente a bola de flanco e mostrava-se mais veloz e agressiva sobre a bola. Cédric e Nani, por sua vez, apareciam mais nas alas, cruzando e libertando Ronaldo, que assumia agora todo o protagonismo no ataque luso. Aos 60 minutos, um passe teleguiado de William não tem a melhor recepção de Nani, mas o extremo desculpa-se com um toque de calcanhar para Danny, que acaba por falhar o remate.

França baixa de rendimento, mas não perdoa

Da selecção francesa, pouco na segunda parte se viu até ao golo de Pogba, com excepção para um remate de Fayet aos 62 minutos. Mas aos 69', com Pogba a assinar o 2-0 para a equipa francesa, ficando novamente a clara sensação de demasiado espaço dado pela defesa lusitana aos adversários, Portugal tornou a ceder o comando do jogo e França cresceu. Prova disso é que, logo aos 72 minutos, Matuidi poderia ter dilatado a vantagem, com a bola a sair a escassos centímetros da baliza de Patrício. Portugal parecia entregar o jogo ao adversário, tendo sofrido o revés no momento em que Fernando Santos procurava mexer no jogo: Éder entrara por Tiago e Quaresma por Nani, no minuto antecedente ao golo.

Aos 75 minutos, o novo seleccionador promovia nova alteração e nova estreia: João Mário, o jovem jogador do Sporting, era chamado ao jogo para render Ronaldo, e logo na sua primeira jogada João Mário arranca pela área e ganha uma grande penalidade por toque de Pogba. Ricardo Quaresma, outro regressado, marca e reduz a vantagem francesa, devolvendo ânimo à equipa portuguesa. Sinal disso foi o livre tenso cobrado por Quaresma, que leva muito perigo à pequena área de Mandanda, aos 79 minutos, e um belo remate de João Mário, em arco, mas com a bola a passar pouco ao lado da baliza adversária.

Selecção de atitude renovada persiste ainda em alguns erros do passado

Não foi um início desanimador da Era Fernando Santos, mas fica na boca o gosto de que um melhor resultado Portugal poderia ter conseguido nesta visita a Paris. Na segunda parte, a equipa portuguesa subiu claramente de rendimento, mas as desatenções da defesa, cujas fragilidades nas laterais, sobretudo na primeira parte, que foram claras e demasiadas, não evitaram nova derrota lusa diante dos gauleses. Jogo amigável, primeiro de Fernando Santos, parece dar algumas boas indicações para a recuperação da selecção portuguesa, tendo ainda permitido ensaiar o regresso ao 4-2-2 (losango) e promover as estreias de João Mário e Cédric, além do regresso de diversas caras afastadas por Paulo Bento e que se anunciam, assim, também como reforços da Equipa das Quinas para o caminho rumo ao Euro 2016.

No final do encontro, Fernando Santos destacou a «atitude muito forte dos jogadores», e reconhecendo alguns maus momentos, como os erros defensivos, e lamentando alguma incapacidade para chegar tão frequentemente à área adversária, preferiu colocar a tónica na forma como a equipa encarou o jogo, concluindo que um empate teria sido um resultado justo para a partida.

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