Entrevista VAVEL (parte 1): Rui Capela
Foto: Demotix

Entrevista VAVEL (parte 1): Rui Capela

Protagonista de uma carreira de sucesso em quatro continentes, Rui Capela concedeu uma longa entrevista a VAVEL sobre o seu percurso.

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Rafael Reis

Num percurso repleto de conquistas em apenas cinco anos falta apenas trabalhar na Oceânia, apesar de na Europa nunca ter chegado a orientar qualquer clube principal nem mesmo no nosso País de onde é natural. Esperando um dia vir a ter essa oportunidade, o técnico acedeu a conceder uma entrevista exclusiva a VAVEL.

Rafael Reis: Juntou-se ao WAC Casablanca, como está a correr a experiência?

Rui Capela: Sim, mais uma experiência muito rica, num grande clube (talvez o maior de Marrocos e um grande de África) numa grande cidade e num país que gosta do futebol, a experiência esta a correr bem, voltei a trabalhar na área da coordenação Técnica e o trabalho esta a desenvolver-se de uma forma positiva.

Rafael Reis: Aos comandos da equipa principal encontra John Toshack. Como o descreve enquanto profissional?

Rui Capela: Toda a gente conhece o John Toshack, o seu CV fala por si.

Rafael Reis: Falei com ele quando vieram jogar ao Estoril, muito simpático.

Rui Capela: Sim, boa pessoa.

Rafael Reis: Está Toshack como treinador principal e o Mister como coordenador, não é?

Rui Capela: Estou como director técnico, ele é o Treinador, sou coordenador técnico, aqui chamam director técnico ao cargo, estou satisfeito em mais um passo na minha carreira, em tempos disse que não voltava à coordenação, mas não podia recusar um dos maiores clubes de África, entendes? O meu futuro passa por treinador, mas pode esperar, sou treinador para todos os efeitos. Em Portugal não faço ideia da minha projecção mas aposto que quase todo o Mundo me conhece, não achas? Já são 5 anos no estrangeiro em 4 continentes diferentes, estará o Mundo do futebol a acompanhar o meu processo?

Rafael Reis: Ou seja a diferença é que coordena o trabalho dos restantes treinadores do clube. Isso acontece só com a formação, ou também faz isso com Toshack?

Rui Capela: Estou a coordenar até às esperanças, estamos em primeiro lugar em sub-23. Toshack é independente no seu trabalho.

Rafael Reis: O seu percurso é respeitável, semelhante neste momento ao seu só existe o Guilherme Farinha que está igual, falta-lhe apenas um continente para dizer que treinou em todos. Vem sendo falado por ser tão invulgar, pensa chegar ainda mais longe?

Rui Capela: Entendo, invulgar e muito difícil, falta a Austrália (risos), a Oceânia, não quero bater recordes desse nível mas se surgir a oportunidade lá estarei, estou apenas para ganhar coisas do que para bater recordes (risos). Já ganhei em Portugal muitos títulos mas a nível do Algarve, no Paraguai em Juniores, na Ásia a Taça do Bangladesh, falta ganhar aqui em África.

Rafael Reis: No WAC isso torna-se mais fácil. Lá está, o seu recorde seria ainda mais impressionante que o de Farinha - ele treinou em 4 continentes, o Mister não só fez o mesmo como conquistou títulos em todos eles...

Rui Capela: Sim, campeão do Algarve no Lagoa e Lagos, e conquista da Taça do Algarve também nesse clube, o resto é conhecido, títulos nacionais no Paraguai e Bangladesh, falta mesmo África, quero também treinar aqui na Primeira Liga se tiver oportunidade.

Rafael Reis: O WAC é muito visível. Seria expectável que um clube de menor dimensão ou um rival não pudesse apostar em si como técnico? Acharia surpreendente?

Rui Capela: Pode acontecer, o WAC é um monstro, só vendo no estádio e a massa adepta que tem.

Rafael Reis: Até a jogar no Estoril, um amigável, o WAC tinha adeptos. Denotou-se que era uma equipa com qualidade. Que pensa sobre a equipa?

Rui Capela: Joga bem, e ganhou ao Vitória de Setubal e ao Belenenses, ainda eu não estava, quando fez a pré-temporada  em Portugal, ainda eu não imaginava vir!

Rafael Reis: É curioso como o WAC esteve a jogar em Portugal e pouco depois aposta mesmo num português…

Rui Capela: Casualidade, foi o CV, gostaram e vim.

Rafael Reis: O WAC pode ser aquele trampolim que já merecia, não concorda?

Rui Capela: Sim, espero cimentar o meu percurso como treinador brevemente, a coordenação é muito duro, muito difícil, trabalho, mentalidades, país, treinadores, sócios, uma série de coisas que desgastam muito, como treinei na Primeira Liga do Paraguai e Bangladesh quero dar continuidade ao treino, vamos ver se tenho alguma oportunidade, luto por isso.

* A entrevista a Rui Capela continuará no título «Entrevista VAVEL (parte 2): Rui Capela».

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