Real Madrid bate Barcelona num El Clásico com cunho português

Num dos clássicos mais debatidos nos últimos tempos, envolto em grande mediatismo dado à possibilidade de Leo Messi se sagrar melhor marcador de sempre da Liga Espanhola no reduto do maior rival do Barcelona e à estreia de Luis Suaréz, o Real Madrid recebeu e venceu os blaugrana por um enfático 3-1, encurtando assim a distância pontual para os catalães, que lideram a prova com apenas mais um ponto do que os merengues.

Desalento dos craques catalães marcou o jogo (Foto: Miguel Ruiz/FCB)

O jogo prometia, com Neymar Jr. a abrir o marcador logo aos 4 minutos: Suaréz a variar o jogo da direita para a esquerda, com o brasileiro, após ultrapassar Carvajal e Pepe, a atirar para o fundo das redes da baliza de Iker Casillas, num lance com algumas responsabilidades para o luso-brasileiro. Estavam iniciadas as hostilidades, e um jogo que era antevisto com grande expectativa ganhava agora o ingrediente extra sempre adicionado por um golo prematuro. A primeira meia hora de jogo teve clara superioridade da equipa visitante, com os de Luis Enrique a imporem o seu próprio estilo de jogo no meio campo madrileno. Não obstante, poderiam os de Ancelotti ter reduzido o marcador à passagem do minuto 11, com Benzema a acertar com a bola nos ferros duas vezes consecutivas.

Até que ao minuto 34, Marcelo dá origem ao lance que viria a assinalar uma mudança no rumo da partida: arrancada espectacular (mais uma!) do brasileiro pela esquerda que conquista assim a linha de fundo a Dani Alves e, num cruzamento atrasado, a bola toca no braço de Gerard Piqué, com o árbitro Gil Manzano a assinalando prontamente o castigo máximo. Da marca dos 11 metros, Cristiano Ronaldo converte a penalidade em golo e repõe o equilíbrio do marcador, situação que se manteria até ao intervalo da partida.

Terminado o período de descanso, regressam os mesmos 22 jogadores ao relvado mas para nos mostrarem uma história totalmente diferente daquela a que assistimos no primeiro tempo: muito mais Real Madrid para um Barcelona que voltou quase apático. Mais intensidade de jogo, mais oportunidades, mais posse de bola para a equipa da casa, que só podia trazer uma consequência: Kroos mostra que um canto bem batido pode fazer toda a diferença, com Pepe isolado ao segundo poste a cabecear à vontade para golo, após um bom movimento que lhe permitiu libertar-se de qualquer marcador. Assinalada a reviravolta no marcador, tentou responder o Barcelona, mas sempre sem qualquer lance de perigo ou digno de relevo. O Real Madrid permitiu ao Barcelona uma maior troca de bola, mas sempre de olhos postos da baliza adversária, causando algum perigo sobretudo em lances de contra-ataque.

Golo de Pepe (Foto: Denis Doyle)

Dez minutos depois, canto do lado direito batido “à Camacho” por Rakitic (que ao minuto 60 tinha entrado para o lugar de Xavi) e que culmina em golo dos campeões europeus: alívio de James Rodriguez que havia interceptado a bola na cabeça da área, com Iniesta, pressionado por Isco, a cometer um erro muito pouco característico que permitiu ao ex-Málaga libertar para Ronaldo, que rapidamente coloca em James, e que por sua vez serve Benzema para este disparar sem hipóteses para o fundo da baliza de Claudio Bravo. Um golo que pode ser considerado um excelente exemplo daquilo que é futebol de transição. Novo golo do Real Madrid que pareceu colocar um ponto final nas ambições blaugranas: as trocas de Luis Enrique foram meramente devidas a questões físicas, e os próprios jogadores não mostraram vontade de inverter o rumo dos acontecimentos. Espelho da fraca exibição catalã pode ser considerado o remate de Messi na execução de um pontapé livre, que em boa posição atirou muito desenquadrado com a baliza.

Três pontos muito merecidos pelo Real Madrid, equipa que durante a maior parte do jogo mais procurou o golo e mais vontade mostrou no futebol que praticou, que volta assim a estar à distância de apenas um ponto do seu maior rival, e que mostrou argumentos mais que suficientes para serem tidos em conta como sérios candidatos ao título. Destaque ainda para a dupla Kroos-Modric, e para o croata em particular que terminou o jogo com uma eficácia de passe a rondar os 90%, provando assim o excelente momento de forma em que se encontra o número 19 dos merengues.

Festa madrilena (Foto: TalkSport.com)

Homem do jogo: Não só pelo seu envolvimento ofensivo que tantas dores de cabeça causou à defesa do Barcelona, mas também pela correcção e excelente posicionamento nas acções defensivas, a escolha recai sobre Marcelo. O brasileiro de 26 anos deu mostras de todo o seu potencial, e caso dê continuidade a este momento de forma, rapidamente recuperará o estatuto de melhor lateral-esquerdo da actualidade.

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