Benfica confirmou prenúncio de Jesus sobre jogo...de «Champions»
Foto original: Miguel Vidal/Reuters

Benfica confirmou prenúncio de Jesus sobre jogo...de «Champions»

Jesus previu um jogo de Champions e o Braga assim o serviu, duro, combativo e tacticamente inteligente. Os encarnados continuam a não convencer perante equipas mais equilibradas e competentes. Quais serão as razões desse fenómeno?

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Jorge Jesus deixou no ar o aviso - o jogo Braga x Benfica teria carácter de «Champions». O difícil embate, tradicionalmente difícil, junte-se-lhe, não correu de feição aos encarnados, que até romperam pelo AXA adentro com um golo madrugador de Talisca (seu sétimo tento na Liga). A estrutura táctica do Braga, adormecida e desligada, foi apanhada de surpresa e Eliseu, calmamente, assistiu o brasileiro para o 0-1. Se esses primeiros 15/20 minutos em nada se assemelharam à dureza da «Champions», o restante jogo foi, sem dúvida, outra conversa.

Braga respondeu com inteligência táctica

O Braga fez recuar Rúben Micael para a faixa central, criando um trio batalhador (Tiba, Micael e Danilo) no meio-campo que, aos poucos, foi carcomendo a zona central encarnada, povoada apenas por Enzo e Samaris, com o grego autenticamente perdido na tradução do esquema táctico e das obrigações inerentes à posição «6» idealizada por Jesus - Sérgio Conceição antevia uma resolução para os seus problemas tácticos...

Se no meio-campo do Benfica o próprio se via grego para lidar com as segundas bolas ganhas pelo oponente e com a supremacia na zona central do terreno (visível desde os 35 minutos), o Braga de Conceição estabelecia-se passo a passo como equipa dominadora, obrigando o Benfica a suar para impedir as investidas rápidas de Pardo (muito solicitado), as subidas meticulosas de Tiba (em forma) e as deambulações de Rafa Silva

Confere: mais um resultado de «Champions»

Entre o acordar do Braga e o fim da partida, ficaram dois golos arsenalistas (Éder e Salvador Agra) para a História, que facilmente se esquecerá da acentuada pressão benfiquista, muitas vezes sacudida pelo homem da partida, o guardião brasileiro Matheus. Ao soar o apito final, a profecia de Jesus cumpria-se: um autêntico jogo de «Champions», muita garra bracarense, derrota encarnada e críticas à estratégia do treinador e à forma da equipa - tal e qual como na Liga dos Campeões 2014/2015.

As críticas adensaram-se: afinal - afirmam os comentadores - este Benfica tem sido incapaz de vencer os grandes desafios. Desde o Sporting e Braga, passando pelas três partidas da Liga milonária, o Benfica teima em não mostrar tenacidade capaz de resgatar os três pontos sempre que o oponente é de craveira média-alta. Será fruto do imberbe entrosamente colectivo? Da irremediável perda de qualidade? Do sistema táctico insuficiente? Ou será resultado de todas as perguntas anteriores? Talvez a resposta seja uma pitada de tudo:

O inicial Benfica de 2014/2015 perdeu qualidade (saídas de Markovic, Rodrigo, Oblak, Garay, Siqueira e André Gomes), reforçou-se com jogadores de tarimba dúbia ou somente de valor por provar (Júlio César, Eliseu, Lisandro López, Samaris, Cristante, Derley, Pizzi, Bebé e Jara) e insiste em jogar com um esquema táctico que, de raiz posicional, destapa incrivelmente a zona central e desequilibra toda a formação devido ao seu balanceamento ultra-ofensivo - esta poderá ser uma resposta à problemática equação de questões.

Contra formações mais fracas, menos ritmadas e menos astutas táctica e tecnicamente, os resultados surgem, muitas vezes com uma facilidade banhada a golos. Mas, diante de equipas defensivamente consistentes, munidas de um meio-campo trabalhador e solidário que 'coma' o núcleo encarnado, o andamento do Benfica pára, encrava - Enzo prende-se à pressão adversária, impossibilitado de se soltar para tratar das transições, e logo aí o meio-campo da Luz se apaga momentaneamente. O que se verifica contra formações destas? O Benfica esbarra na sua incapacidade de sair a jogar (note-se o jogo com o Zenit nos primeiros 20 minutos) e é abafado pela pressão alta e índice de trabalho dos médios adversários (note-se o jogo com o Leverkusen). 

Espaços a mais para Benfica ver Braga por um canudo

Contra o Braga o Benfica deparou-se, de facto, com um desafio similar ao da «Champions» e nisso Jorge Jesus tinhar razão: pressão alta, meio-campo combativo (com três homens em superioridade no meio-campo e ainda a ajuda pontual de Rafa) e velocidade matreira no contra-ataque - artimanha que rendeu dois golos ao conjunto arsenalista, que se alimentou da carcaça táctica encarnada, repleta de buracos, espaços por preencher e falta de coordenação na movimentação defensiva sem bola.

A entrada de Jonas, ainda que reflicta a salutar ambição de Jorge Jesus, foi um golpe auto-infligido que a velocidade de Salvador Agra (Sérgio não o colocou em campo por acaso...) fez questão de materializar - um golpe de contra-ataque desenhado sobre a auto-estrada do corredor central do Benfica, que com a entrada de Jonas passou a ser comandada por Enzo e Talisca. O buraco intermédio, no lance do golo, é incomensurável e revela um desnível estrutural próprio do 4-2-4 do momento. Jesus sabia os riscos que corria, arriscou e até teve chances para dar a volta ao marcador, mas o seu homólogo, sapiente, preferiu arriscar de modo mais astuto...

Jonas entra aos 62 minutos para a saída de Samaris, que, apesar de desorientado, se fixava na zona média-baixa. Sérgio Conceição, antevendo espaços livres para o contra-ataque (Benfica balanceava-se para o ataque com Salvio, Gaitán, Lima, Jonas, Talisca e Enzo, com participações dos laterais...), lança Salvador Agra e depois Sami, na tentativa de explorar as vias para a baliza de Artur Moraes - o golo de Agra é o retrato daquilo que Conceição antevira. O resto foi sorte e uma noite inesquecível de Matheus.

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