Braga x Benfica: banco do Benfica com 21 milhões por render

Braga x Benfica: banco do Benfica com 21 milhões por render

O Benfica voltou, em Braga, a não usar o crédito do seu banco de suplentes, tendo apenas colocado um jogador em três possíveis, quando o jogo não lhe corria de feição. No banco ficaram 21 milhões de euros parados. Terá Jesus pouca confiança no plantel que ele mesmo elencou? Artigo de opinião para ler em Vavel Portugal.

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O jogo Braga x Benfica não correu de feição aos encarnados, que viram a derrota na Pedreira diminuir a vantagem para Porto, Vitória Sport Clube, Sporting e para o próprio clube arsenalista. Jorge Jesus, mesmo a perder o controlo da partida (e do resultado), preferiu recorrer ao banco apenas por uma ocasião, para lançar Jonas e retirar o grego Samaris

Esta é a segunda vez que Jesus assim procede: na partida contra o Sporting, na Luz, o treinador das Águias também foi parco em alterações, deixando duas por efectuar. Sempre que o Benfica perdeu pontos na Liga, o banco encarnado foi pouco solicitado: estará Jesus a indiciar falta de confiança no crédito do seu banco? A opinião de Vitor Pereira, ex-treinador do FC Porto e bicampeão nacional vai exactamente nesse sentido: quando um treinador se abstém de gastar as suas substituições num jogo de dificuldade extrema, a mensagem é óbvia - falta qualidade no banco. Terá pensado assim Jesus?

As suas escolhas assim deixam desconfiar. Olhando para o banco encarnado presente na Pedreira, e comparando-o com o lote de suplentes convocados para a deslocação ao Estádio AXA na temporada passada, vislubramos naturalmente um certo desfasamento qualitativo que não deve ser ignorado: em 2013/2014, o Benfica tinha no banco Salvio, Amorim, Artur Moraes, Cardozo, Maxi, Jardel e André Gomes. Na semana passada, o banco foi constituído por: Júlio César, Jara, Pizzi, Bebé, Cristante, Jonas e André Almeida.

Poder-se-á questionar: estará Jesus a demonstrar que não possui um banco à altura de toda a competitividade global da temporada? Ainda assim não nos poderemos esquecer das imensas lesões e impedimentos que assolam o reino encarnado: Fejsa e Amorim estão gravemente lesionados (até Janeiro), Jardel tarda em recuperar de maleita muscular, Ola John enfrenta caso similar, Sulejmani é caso idefinido e Sílvio ainda dá passos rumo à total recuperação, depois de ter partido a perna na recta final da passada época.

Mesmo face às ondas de lesões musculares, Jesus estava já prevenido, no começo da temporada, para os casos morosos de Sílvio, Fejsa e Sulejmani (que parece agora recuperado mas fora das opções técnicas). Elaborou o novo plantel 2014/2015 recorrendo às contratações de César, Bebé, Pizzi, Cristante, Samaris, Júlio César, Jonas, Derley, Talisca, Benito e os retornos de Lisandro, Jara, Nélson Oliveira e Ola John (além dos prescritos Djavan, Candeias, Dawidowicz, Friesenbichler, Victor Andrade, Luis Felipe e do entretanto esquecido João Teixeira).

Então, porque se absteve Jesus de lançar Bebé, pelo qual o Benfica pagou 3 milhões por metade do passe? Ou Cristante, que chegou ao Benfica por 6 milhões? Ou mesmo Pizzi, pelo qual o Benfica pagou 6 milhões de euros na época passada? E Jara, não poderia ser opção alternativa, dados os 5 milhões pagos em 2010/2011 e ao retorno do avançado nesta pré-época, prova de que é escolha válida para Jesus? A conclusão parece ser uma: apesar do avultado investimento (actual ou a longo prazo, como Jara), Jesus não parece confiar, totalmente, na capacidade presente dos seus jogadores para enfrentar desafios de extrema dificuldade.

Apesar de ter perdido qualidade, o plantel de Jesus é, ainda assim e apesar de tudo, sua produção, seu elenco, sua responsabilidade. Na Pedreira, o Benfica juntou cerca de 21 milhões de euros (valores pagos pelos passes, aos quais não juntamos prémios de assinatura, como no caso de Júlio César e Jonas) no banco mas Jesus preferiu não colocar a pequena fortuna a render. 

 

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