Nani veio para reinar: veja como ele faz o Sporting jogar

Nani veio para reinar: veja como ele faz o Sporting jogar

É definitivamente a contratação mais sonante da temporada 2014/2015 e é, sem sombra para grandes dúvidas, uma das mais cruciais dos últimos tempos no futebol português. Nani chegou e o Sporting ganhou outra dinâmica global. Veja aqui como e porquê.

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Nani é incontornável: joga, mexe com a mecânica do jogo, agita as ordens tácticas, impulsiona a sua equipa para a frente, pensa e constrói e executa de uma forma eficiente. Não será pois, obra do acaso, que o Sporting versão 2014/2015 seja mais forte, mais apto e mais dinâmico que o do ano passado. À imagem de um Sporting disciplinado, competente mas a certos momentos 'preso' na sua rigidez mecânica, opõe-se agora um Sporting vibrante, veloz e ofensivamente imprevisível. Nani é uma das razões. É, certamente, a mais visível.

Sem desprimor para o Sporting de Leonardo Jardim, este novo Sporting, que nasce precisamente da compleição táctica e colectiva elaborada pelo próprio Jardim (honra seja feita ao actual treinador do Mónaco), é visivelmente mais arisco, mais fluente, mais pontiagudo, mais perigoso. Se a estrutura permanece a mesma (4-3-3 com as mesmas rotinas posicionais do «6» e do «8» e subidas dos laterais), os processos de desenvolvimento ofensivo denotam-se mais variados, com muitos truques na manga e maior panóplia de resoluções para os lances criados.

Muita dessa nova fluência é obra de Nani e do seu talento aprimorado. Nunca um jogador fará uma equipa, mas a quantidade de seus recursos (quer técnicos quer tácticos, intelectuais e físicos) poderá, de facto, influenciar e ajudar a moldar a forma da equipa actuar dentro de campo - quanto maior a gama de recursos e a capacidade global, maior esse poder de influência será. Sem esquecermos algo fundamental: sem a equipa nenhum jogador é desequilibrador. Nani tem-lo sido e o Sporting ganhou maior vida com o extremo; mas também Nani tem beneficiado com a boa organização imposta por Marco Silva e seus colegas de campo.

As suas actuações demonstram que o seu nível está acima da média da liga portuguesa, quer ao nível da inteligência táctica (vemos que sabe ler em antecipação e muitas vezes pensa e executa sem ser acompanhado pela compreensão dos colegas) quer ao nível da percepção espacial e da leitura dos movimentos, intentos e acções adversárias. No campo da execução técnica é caso de talento singular - no passe (curto e directo), no drible, no cruzamento e no remate.

Ora, como consegue Nani agitar o jogo a ponto de estimular novas tendências mecânicas, novas jogadas, combinações, maior amplitudes de espaço para se jogar e maior imprevisibilidade no jogo leonino? A resposta reside na sua condução de bola, rápida, na desenvoltura das suas investidas atacantes, na técnica apurada do seu drible, na sua visão de jogo e na capacidade de actuar tanto na ala como no miolo, onde pode distribuir o jogo ou furar pela barreira média do oponente, atraindo as atenções e disponibilizando metros quadrados nas faixas.

A sua mobilidade permite a eficaz subida do lateral (usado em dinâmicas de sobreposição) ao mesmo tempo que abre a possibilidade de uma flexão para a zona interior do terreno, onde as diagonais podem ser fatais. Quanto maior a mobilidade com bola, maior a adaptação defensiva que o oponente terá de fazer ao nível da sua estrutura posicional e da cobertura do espaço. A variada panóplia de recursos permite gerar indecisão defensiva ao passo que dá azo às entradas dos colegas, também eles podendo fazer desmarcações transversais (o que provoca um nó na movimentação dos defesas contrários).

O facto de ser talentoso e disruptivo para as defensivas contrárias faz com que a marcação a si destinada seja mais cerrada, o que abre, logicamente, brechas a serem explorados pelos seus colegas de equipa. Um dos exemplos mais fidedignos é o lance do golo sportinguista (Jonathan Silva) no duelo Sporting x FC Porto, para a liga portuguesa: Nani percorre o corredor central, atraíndo imediatamente a atenção de 5 jogadores portistas, que o pressionaram fortemente - o resultado foi uma total descompensação (a pressão agressiva exige recuperação de bola) no corredor direito, aproveitada por Carrillo.

Conclusão: sem dúvida que a adição de Nani foi uma vitória negocial que certamente trará (como de facto tem trazido até aqui) muitas vitórias dentro de campo. A qualidade acima da média destaca-se imediatamente e as suas capacidades apenas melhoram, refinam e variam a tipologia do futebol do Sporting, aumentando o leque de problemas das formações contrárias, que têm agora de contar, no seu plano de contenção, com mais um jogador tecnicista, veloz e imensamente desequilibrador - poucos estão ao nível de Nani nesta Primeira Liga.

Com o auxílio de qualidade de jogadores como Adrien, João Mário ou Montero (avançado móvel e perspicaz entendedor do jogo) o ataque do Sporting, bem como as performances de Nani, ganham uma preponderância diferenciadora, capaz de galvanizar o Sporting para voos altos, como a conquista da Liga nacional. 

 

 

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