1-0 60' TALISCA
Talisca afastou as bruxas e fez Benfica vencer
Foto: Rafaela Reis

Talisca afastou as bruxas e fez Benfica vencer

Numa partida morna e de velocidade realizada em dia de Halloween o Benfica afastou a possibilidade de ser incomodado por quaisquer 'bruxas' com um tento solitário de Anderson Talisca.

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Rafael Reis

Para abrir a jornada na Liga, nada melhor do que colocar o campeão nacional sobre teste menos de uma semana após ter sofrido uma derrota perante um adversário incómodo como o Rio Ave que ainda assim nunca logrou vencer na Luz. Tal como um qualquer encontro caseiro mas neste caso ainda mais importante em função da proximidade dos seus rivais, em especial o FC Porto que se colocava a apenas um ponto, vencer era a única saída possível para o Benfica.

Para tornar evidente que as diferenças entre a águia que na época passada brilhou a grande altura, vencendo o seu rival directo em todas as competições possíveis com excepção das provas internacionais, nas quais logrou atingir mais uma final europeia, e o seu conjunto actual, o Benfica, que apresentava o regresso de Júlio César à titularidade na baliza quando poucos o preveriam nesta altura, necessitava de entrar bem.

Foi isso que acabou por suceder, embora a primeira oportunidade de registo apenas tenha surgido ao minuto 16 num remate de Lima que obrigou o guarda-redes contrário Cássio a defender com dificuldade para a trave.

Os encarnados voltariam a criar perigo logo no minuto seguinte, desta feita numa tentativa de Enzo Pérez travada por Cássio com facilidade. Mais, mesmo sem estarem a realizar uma exibição deslumbrante conseguiam apresentar uma constante superioridade numérica no momento ofensivo, o que permitia controlar a partida com facilidade.

Partida de toada morna chegava ao intervalo sem golos

Muito disto se devia à gestão e pressão conseguida pelo meio-campo benfiquista apesar de há várias semanas a esta parte se encontrarem privados de várias unidades como Rúben Amorim, uma “dor de cabeça”, como já reconheceu Jorge Jesus, e um jogador de Selecção Nacional que tanto jeito daria.

Todavia, faltava alguma rapidez de processos e por esse motivo as ocasiões de perigo apenas surgiam a espaços, regressando à passagem do minuto 24 num cabeceamento de Lisandro Lopez que levou algum perigo às redes adversárias.

O encontro, que continuava longe de ser um espectáculo ao nível do que a Luz já vivenciou, a exemplo da final da Liga dos Campeões ali realizada meses antes, mantinha-se morno e assim continuou até ao descanso, sendo que minutos antes do apito de Manuel Mota para essa pausa Anderson Talisca ’treinou’ a sua mira num primeiro remate.

Para dar início à segunda metade, Jorge Jesus deixou bem carregado ’ao que vinha’, lançando de imediato o influentíssimo Nico Gaitán, o que reposicionou Talisca no centro do terreno e deu lugar ao testado recuo de Enzo para a posição 6 sempre com a perspectiva de uma intermediária sem receio de arriscar e mais próxima do golo.

No entanto, sempre com a consciência do risco que isso implicava em função do oponente com o qual na época anterior havia disputado as finais das Taças de Portugal e da Liga, as águias voltaram a procurar entrar tão forte quanto possível, aproximando-se novamente da baliza adversária logo aos 47 minutos numa investida de cabeça de Eduardo Salvio que passou junto ao poste esquerdo.

Após o golo o Benfica geriu o ritmo, vencendo de forma incontestável sem deslumbrar

A equipa visitante também se manifestou quatro minutos depois, a partir de um cabeceamento do médio Tarantini que Júlio César segurou com atenção, mas aos 59 minutos o Benfica conseguiria mesmo accionar o marcador em jogada conduzida por Salvio, que flectiu para o meio e descobriu Talisca que atirou em arco de meia distância para um bonito golo.

Em vantagem e pesem as tentativas dos vilacondenses em equilibrar o jogo e o resultado, os encarnados apenas devem a si próprios e ao facto de não aproveitarem devidamente as transições ofensivas pelas alas - faltou profundidade ao flanco esquerdo, o que certamente reforçaria o pendor atacante da equipa da casa, de qualquer forma o ritmo e o rumo da partida foram sempre correndo ao ritmo de quem já vencia.

Com essa questão ciente e com uma perfeita gestão física dos seus activos, Jorge Jesus ainda lançou alternativas como Pizzi em campo, o que de uma assentada permitiu refrescar o meio-campo e ainda o ataque com a rendição de Lima com a passagem de Talisca para o apoio ao ponta-de-lança, a terceira posição diferente em apenas 90 minutos, o que realça a sua importância para uma equipa que venceu com o golo do brasileiro.

Em noite de Halloween, a vitória do Benfica tem mesmo o simbolismo de afastar as possíveis ’bruxas’ que se acercariam da equipa e da sua confiança caso esta perdesse pontos em dois jogos consecutivas na Liga. Desta forma, não acusou a pressão e segura o seu posto de líder.

 

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