Sporting: De um extremo ao outro

Sporting: De um extremo ao outro

Se na época passada o principal problema do Sporting prendia-se com a falta de opções e de qualidade nas alas, nesta vive exactamente o cenário inverso

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João Carlos Fervença

A época não começou bem. Apesar de apresentar futebol de elevado nível em alguns momentos, a equipa tem sofrido muito com erros individuais, falta de cobertura nas costas do meio campo e falhas gritantes na finalização. O Sporting apenas tem 6 vitórias em 15 jogos e por isso, procuram-se culpados e explicações.

Se no ano passado, muita da culpa passava por um Carrillo inconsistente, um Capel sem ideias e um Mané muito verde, neste ano não tem sido por aqui que o Sporting não tem desequilibrado e ganho mais jogos.

Chegou Nani, o melhor jogador do campeonato (discutível perante o nível exibicional de Brahimi). Quando em forma, tudo lhe sai bem com o mínimo esforço. Classe, inteligência e critério no último passe. Critério, uma palavra que alguns sportinguistas não entendem, visível na insistência em assobiá-lo quando pára o jogo e pensa-o por mais do que 5 segundos para poder tomar a melhor decisão.

Carrillo parece outro. Menos bem contra o Paços (já há quem o peça no banco), mas incomparavelmente mais consistente e jogador de equipa. É o extremo leonino que mais (e melhor) defende e apoia o seu lateral. Não desequilibra tanto como nos seus primeiros tempos, mas expõe menos a equipa. Está muito mais jogador e valerá o esforço aparente que o Sporting está a fazer para o segurar (renovação mais compra de 50% do passe). Não esqueçamos que ainda tem 22 anos.

Carrillo mais jogador de colectivo 

Confesso que gosto mais de ver o Mané no meio, como vagabundo atrás do ponta de lança. Mas se essa posição é de Montero na maioria dos jogos em que o Sporting se encontra num cenário de desvantagem, Mané tem dado conta do recado nas alas. É o extremo mais explosivo e vertical que o Sporting tem, mas ainda tem muito que evoluir: precisa de decidir melhor o último passe e melhorar o instinto em frente à baliza.

Mané progride a olhos vistos (Foto: SuperSporting.net)

Estes 3 extremos, ignorando tudo o resto, em teoria, oferecem opções válidas ao Sporting para se afirmar como equipa grande. Para completar, faltaria um extremo ou falso avançado com mais jogo interior, na minha opinião.

Capel passou para 4ª opção. Com um estilo de jogo complicativo, repetitivo e enervante em alguns momentos, perdeu naturalmente o seu espaço. Com o seu salário milionário, idealmente sairá já em Janeiro. Mas terá mercado?

Heldon e Shikabala foram 2 erros de «casting». O 1º é um jogador que dá-se melhor em contra ataque e fraco no momento de decisão. Está claramente no mercado. O 2º cheirava a flop desde o momento em que aterrou na Portela e ninguém sabe onde anda.

Ora, abre-se uma vaga. E quem tem um miúdo a explodir no primeiro ano de sénior na equipa B como o Podence, em que em momentos faz lembrar um outro pequenino que joga na esquerda no Chelsea e um outro, um pouco menos miúdo, que só precisa que lhe dêem um voto de confiança, como o Iuri, pode estar descansado. Para esta época, o Sporting tem recursos que garantem qualidade.

Na próxima época a conversa será outra com a mais que provável saída do Nani. Mas ainda vamos em Novembro, cada coisa a seu tempo.

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