GP do Brasil: Rosberg volta à carga mas Hamilton mantém-se na liderança
(Foto: XPB/Motorsport)

GP do Brasil: Rosberg volta à carga mas Hamilton mantém-se na liderança

O GP do Brasil veio apimentar ainda mais as contas pelo título. Quem sairá vencedor de Abu Dhabi?

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Fábio Mendes

Fora de pista, o reboliço do costume. As equipas tentam encontrar bases de entendimento mas há muito para se discutir ainda. As ajudas às equipas pequenas que ainda esperam por uma decisão por parte da FOM, decisão que pode ser decisiva para o futuro de Lotus, Force India e Sauber. Já há fortes boatos de que equipas como Red Bull e Ferrari irão alinhar com 3 carros para o ano, uma vez que as equipas grandes estão contratualmente obrigadas a alinhar com 3 carros caso o grid fique com apenas 16 carros. Há quem defenda também que tudo isto não passa de um plano para eliminar as equipas mais pequenas. Além disso fala-se num acordo para que seja permitido alterar os motores para 2015. A Mercedes não quer perder a vantagem que tem mas as equipas poderão chegar a um consenso para beneficiar o desporto. Por enquanto esse acordo parece muito longe de ser atingido. Muito para discutir ainda. Uma coisa é certa. A F1 dentro de pista está interessante e emotiva, mas fora dela está a escolher um rumo francamente negativo. Os maiores adversários da modalidade encontram-se no paddock e isso é grave.

Quanto às incidências em pista, foi uma corrida interessante, com boas lutas e bons desempenhos por parte de alguns pilotos. Clara vantagem para as equipas com motores Mercedes que tiveram uma vantagem significativa ao nível da velocidade de ponta. Os pneus foram o ponto-chave da corrida de hoje. A temperatura elevada do asfalto levou a uma degradação mais elevada do que o esperado, tendo um papel decisivo nas estratégias das equipas.

Mercedes

Foto: XPB Images

A resposta de Rosberg ainda chegou a tempo. O alemão jogava uma cartada decisiva nesta penúltima jornada e não falhou. Dominou o fim-de-semana todo e foi melhor que Hamilton. Quando muito se falava da força mental, ou da falta dela desde o incidente de Spa, Rosberg puxou pelo melhor que tem e disse “presente”. Hamilton colocou muita pressão durante a corrida e ficou no ar a dúvida em relação ao que poderia ter sido a corrida caso o britânico não tivesse a saída de pista, quando forçava o andamento antes da 2ª paragem. Acredito que a vantagem de Rosberg ficaria anulada e que a luta entre ambos atingiria outras proporções. Mesmo assim, Hamilton recuperou de uma desvantagem de 7 segundos e ainda colocou Rosberg em sentido. Mas o alemão sempre que sentiu o colega de equipa demasiado próximo, forçou o andamento e conseguiu manter-se longe de problemas. Uma vitória justa e merecida. Agora vem o tira-teimas em Abu Dhabi. Pontos a dobrar, e onde tudo se vai decidir. Uma final “à antiga”, onde tudo pode acontecer. Questiona-se ainda a validade e a justiça dos pontos a dobrar na última ronda, mas é inegável que traz mais colorido à competição. Que vença o melhor.

Williams

Foto: XPB Images

Foram hoje outra vez os melhores “não Mercedes” e causa alguma estranheza não estarem em 2º no campeonato. Mas a equipa pagou caro os erros do início do ano. Um começo menos titubeante, poderia ter dado o vice campeonato à Williams. O carro é bom, tem potencial e tem velocidade. Os pilotos garantem pontos e tem estado em bom nível ao longo do ano, o que se traduz numa época muito boa. É preciso relembrar que há 12 meses atrás a Williams tinha um dos piores desempenhos de sempre. Este ressurgimento é de louvar. Massa esteve muito bem. Errou duas vezes nas boxes, uma vez ultrapassando o limite de velocidade da “pit lane” e da segunda vez confundindo os mecânicos da McLaren com os da Williams. Mas a tudo isso respondeu com um ritmo excelente, levado pelo público, que o apoiou muito. Um prémio justo para um piloto que teve bastantes azares este ano. Bottas esteve mais discreto. Duas paragens horríveis nas boxes também o prejudicaram, mas o finlandês não mostrou o nível a que nos habituou este ano. 10º lugar é manifestamente pouco para o que pode fazer.

McLaren

Foto: XPB Images

O 5º lugar nos construtores parece estar no bolso. A Force India não parece ser ameaça e com as agulhas já claramente apontadas a 2015, a equipa vai seguindo o seu programa de desenvolvimento. Para Abu Dhabi está prevista a utilização de uma versão B do carro deste ano, com muitas mudanças a serem testadas, para serem usadas na próxima época. Espera-se que esse carro apareça na FP1. O novo chefe da aerodinâmica não perdeu tempo e já está a mostrar serviço. Quanto à corrida de hoje, Button foi mais uma vez o homem do dia para a equipa. A experiencia é um posto e Button faz questão de relembrar isso a cada corrida. Teve o pódio em vista, mas a estratégia não o favoreceu e o andamento do carro também não permitia ir atrás de Massa. Mas foi mais uma excelente corrida por parte do britânico, que já deu a entender que o seu futuro pode não passar pela F1. É uma pena ver um piloto com esta qualidade sair, caso se confirme. Já Magnussen teve problemas em gerir os pneus e com isso a sua prestação ficou bem mais apagada. 9º lugar e pouco mais.

Red Bull

Foto: XPB Images

A equipa confirmou hoje o vice-campeonato de construtores, numa época que começou muito mal. Se alguém dissesse que a Red Bull estaria nesta posição no início do ano haveria muita gente a não acreditar. Uma clara mostra da força desta equipa, que soube aproveitar como ninguém os restos da Mercedes. Numa pista onde já foi bastante feliz, Vettel fez o que se exigia. Tirou o melhor partido do carro que dispunha e conseguiu a melhor classificação possível. 5º lugar não é fenomenal, mas dadas as circunstâncias é um resultado bom para a equipa. Vettel tentou ir atrás do 4º mas nunca teve ritmo para isso. Falta uma corrida para abandonar a sua casa de sempre. Não terá sido uma época como imaginou, mas terá crescido como piloto. Ricciardo confirmou hoje o 3º lugar no campeonato. O australiano coroa assim uma excelente época de estreia na Red Bull com um lugar no pódio. E de facto merece. Não pelo que fez hoje, pois o azar complicou-lhe a vida, com uma falha na suspensão que o obrigou a desistir. Mas pelo que fez durante a época toda. Foi o único piloto a bater o pé aos Mercedes. E foi provavelmente o piloto mais entusiasmou os fãs com as sua ultrapassagens fantásticas. Se continuar assim vai ser um caso sério.

Ferrari

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A Scuderia voltou a fazer o que habituou este ano. Nada de mais. Embora o 6º e 7º lugar sejam um bom resultado, a verdade é que se espera sempre mais da Ferrari. Alonso esteve ao seu nível, combativo, intenso e sempre na luta. Tirou o 6º lugar ao seu colega de equipa numa altura onde talvez ainda pudesse ir atrás de Vettel. Mas a equipa achou por bem não dar a ordem para Kimi deixar passar o espanhol e como tal tivemos uma interessante troca de “argumentos” no asfalto brasileiro, com a vantagem a cair mais uma vez para Alonso, que tinha pneus mais “frescos” que o finlandês. Notam-se poucas melhorias na Ferrari, ao contrário da McLaren. Ambas as equipas já pensam apenas em 2015 mas a Scuderia demora a mostrar melhorias e vive da inspiração de Alonso. Kimi esteve melhor este fim-de-semana e poderá ser uma forma de animar a equipa e a ele próprio. Mas ainda está longe do Kimi que conhecemos e que gostamos.

Force India

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Hulkenberg voltou ao normal. Ou seja, voltou a ser um piloto eficiente, inteligente na gestão e com um bom ritmo. Poupou bastante nos pneus de forma a ter de parar menos que a concorrência, para assim compensar a falta de andamento. Conseguiu com isso um 8º lugar bem positivo para ele e para a equipa. É este Hulkenberg que gostamos e que pode fazer mais ainda. Pérez teve uma corrida bem discreta. Depois do disparate em Austin, pagou a factura com a penalização e teve dificuldade em subir posições. Ficou fora dos pontos. Falou-se que o contrato com a Force India está quase pronto. Teremos Pérez mais um ano. Ainda bem pois pode fazer mais.

Toro Rosso

foto: XPB Images

Se para a Red Bull era complicado acompanhar o andamento dos outros com o défice de potência, o que dizer da Toro Rosso. Claramente nada mais havia a fazer para a equipa. Kvyat, ainda assim, esteve num bom plano, com bom ritmo, ficando perto dos pontos. Já Vergne nada fez de relevo e o Vergne do final da corrida de Austin parece coisa do passado. Será que os boatos da permanência do francês na Toro Rosso fizeram baixar os níveis de motivação?

Lotus

Foto: XPB Images

Não foi um fim de semana tão produtivo como o de Austin. O carro também não tinha argumentos para mais. Maldonado fez uma corrida limpa (o que já é bom) e Gorsjean foi mais uma vez obrigado a parar mais cedo com um problema no motor. Infelizmente é uma cena repetida. Pensar na próxima época e acima de tudo arranjar recursos para que poder evoluir mais devem ser agora as prioridades da equipa.

Sauber

Foto: XPB Images

Sem a concorrência da Marussia e da Caterham, a equipa tem uma oportunidade de ouro de tentar o 9º lugar. Mas mesmo assim parece muito difícil a vida da equipa. E poucos são os que esperam que venham a pontuar na última corrida. O dinheiro fazia falta mas não parece haver condições para tal. Um ano horrível.

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