A quebra de William
Foto: Lusa

A quebra de William

Tem sido uma das grandes incógnitas deste início de época no Sporting. Depois de uma temporada de grande nível esperava-se mais de William Carvalho, mas o facto é que o médio tarda em mostrar tudo o que de bom lhe foi apontado e isso tem-se reflectido nas exibições leoninas.

RodolfoReis
Rodolfo Reis

Foi a grande revelação do último campeonato onde foi eleito por seis ocasiões como Jogador do Mês. Aos 21 anos William Carvalho que tinha estado emprestado pelo Sporting ao Cércle Brugge, apareceu para fazer a pré-época com o plantel verde e branco e acabou por convencer o na altura técnico Leonardo Jardim. Daí até ser titular indiscutível foi um pequeno passo.

Forte fisicamente, com bom controlo de bola e qualidade de passe, William dava uma dinâmica não só defensiva como ofensiva e «enchia o campo». A forma como saía a jogar de forma simples estando por vezes rodeado de adversários, fazia sorrir os adeptos leoninos na bancada. Para além disso o seu 1.87 permitia-lhe ser mais um elemento de perigo para as redes adversárias, facto que o levou a marcar por quatro vezes com a curiosidade de apenas um ter sido obtido em Alvalade frente ao Paços Ferreira, a quem marcaria de novo na Mata Real, com Porto e Marítimo a serem também «brindados» com um golo.

William Carvalho jogou 29 dos 30 encontros da liga, falhando apenas por acumulação de amarelos a partida da 18ª jornada frente ao Benfica na Luz e a sua ausência sentiu-se e de que maneira na formação leonina, que fez um dos piores jogos da temporada perdendo por duas bolas a zero. A chamada à selecção nacional para o playoff diante da Suécia, foi mais um sinal da boa temporada que o médio estava a realizar.

Finalizada a época e apesar do Sporting não ter participado nas provas europeias, isso não impediu que os «tubarões» internacionais estivessem de olho no internacional português. Desde o Manchester United passando pelo Chelsea e Real Madrid, foram vários os nomes associados a William Carvalho só que os 45 milhões da cláusula de rescisão era um entrave demasiado elevado.

Com a nova época esperava-se um William Carvalho num patamar mais elevado e um nível de jogo mais maduro, mas a verdade é que o jovem leão parece ter perdido o fulgor a que nos habituou. A capacidade de pegar na bola e assumir os destinos do meio-campo parecem ter desaparecido, está um jogador mais lento, sem capacidade para dar intensidade à equipa e chega a passar ao lado da partida durante grande parte da mesma.

Estes factores já levaram o novo técnico Marco Silva a substituí-lo em três encontros, frente a Gil Vicente, Penafiel e Paços de Ferreira, tendo neste último saído mesmo ao intervalo. A única vez em que vimos um William Carvalho ao nível do que nos habituou foi no desafio da Taça de Portugal frente ao Porto, onde voltou a não ter medo de sair a jogar com a bola de não complicar e distribuir jogo.

Por outro lado está um jogador mais faltoso, o que já lhe valeu cinco amarelos em nove partidas do campeonato, um número elevado se tivermos em conta os oito mostrados em vinte e nove jogos da última época. O esquema táctico não se alterou, por isso não será por aí que esta quebra de rendimento de William Carvalho se nota. Sabemos que nestas idades todos os jogadores ambicionam jogar num grande clube europeu e apesar de sempre ter mostrado estar no Sporting a 100%, não sabemos até que ponto o médio não estará já a pensar noutros patamares. 

O certo é que as exibições de William Carvalho não têm agradado os adeptos do Sporting, que já manifestaram por diversas ocasiões a sua insatisfação. Para bem do clube seria bom que William fosse de novo o elemento preponderante da última temporada, até porque só voltando às boas exibições poderá ver reconhecido o seu valor a nível internacional.

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