Zenit x Benfica: Vontade suplanta o frio

Zenit x Benfica: Vontade suplanta o frio

O Benfica terá de assumir a responsabilidade de um conjunto com prestígio nacional e defender para sair vencedor no frio de São Petersburgo.

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Rafael Reis

Perante o gélido clima da Rússia mas acima de tudo um rival á sua altura como o Zenit, o Benfica joga hoje o seu destino na Liga dos Campeões e até mesmo a sua própria continuidade nas provas europeias, jogando por três pontos fulcrais para essas lutas nas quais se encontra envolvido pelos quais muito dependerá a férrea vontade dos jogadores encarnados em saírem vitoriosos de uma casa complicada mas ainda assim ao alcance da turma portuguesa.

Contrariamente ao que há algumas semanas declarou o comentador televisivo e cirurgião Eduardo Barroso referentemente à vontade dos atletas em abandonarem os respectivos clubes sem respeito pela entidade patronal, «o futebol português é uma vergonha pelo facto de os clubes dependerem da vontade dos jogadores,»será precisamente nessa vontade e brio que o Benfica terá de se sustentar para manter intactas as suas aspirações europeias.

A Matemática, ao contrário do que é normalmente afirmado, não cria qualquer constrangimento desta vez, apontando que em caso de vitória sobre o Zenit as águias poderão ter pelo menos a permanência na Liga Europa bem encaminhada ao ficarem a tão somente um ponto dessa repescagem.

Mesmo o próprio apuramento para a próxima fase da Champions pode ficar à mercê em caso desse mesmo triunfo e no restante encontro do grupo o Monaco pelo menos não vencer o praticamente apurado Bayer Leverkusen, e mesmo o conjunto alemão poderia num cenário mais improvável vir a ser suplantado em caso de derrota ante os franceses e novo desaire na última jornada na Luz…

Águias terão de chamar a si a responsabilidade inerente a um dominador nacional e grande europeu

A esse esforço colectivo o Benfica terá de juntar a competência defensiva, um aspecto que oferece sempre alguma preocupação tendo em conta que neste momento a média de golos sofridos na Champions ultrapassa um golo por jogo, pelo que será de esperar o regresso do experiente Maxi Pereira à lateral direita, assim como serão depositadas muitas esperanças na dupla Luisão/Jardel e mesmo na própria evolução de César, a alternativa imediata que figurará no banco de suplentes.

Será no entanto na lateral esquerda que reside a maior dúvida visto que Loris Benito deixou muito boa conta de si na recente eliminatória da Taça de Portugal frente ao Moreirense mas estará ainda em desvantagem perante o adaptado André Almeida.

Face aos prós e contras que a utilização de cada um oferece, a dúvida sobre qual dos dois será utilizado parece legítima numa equipa que se encontra obrigada a defender o seu prestígio nacional de um conjunto detentor de Liga, Taça de Portugal e Taça da Liga, mas também europeu face às duas finais europeias consecutivas que conseguiu nos últimos dois anos, o que faz com que cada um dos atletas deva sentir essa responsabilidade como uma motivação acrescida.

Esse é um aspecto que será visível em jogadores como os argentinos Enzo Perez, Nico Gaitán e Eduardo Salvio, que terão lugar garantido na equipa titular, o primeiro no centro do terreno e os restantes nas alas esquerda e direita do ataque, respectivamente.

Quanto ao restante posto no centro do terreno, o lugar de médio defensivo junto a Enzo, surge nova dúvida ainda mais quando Bryan Cristante correspondeu também no último fim-de-semana e possui qualidades que poderiam ser muito bem aproveitadas num encontro deste cariz no qual o seu critério no passe e assertividade no passe longo poderiam tornar as transições benfiquistas ainda mais perigosas.

Duelo com o Zenit permite novo reencontro com antigos jogadores do clube

O ataque acaba por trazer mais interrogações, até porque à equação devem acrescentar-se as condicionantes físicas que têm afectado Lima e Derley e mesmo o desgaste físico a que Talisca tem sido sujeito ao aspecto táctico que demonstra que para uma defesa como a do Zenit, que não se encontra ao nível dos respectivos sectores, seria aconselhável uma dupla de ‘guerreiros’ como o são os dois primeiros jogadores mencionados.

A necessidade de batalhar por cada bola, em especial na primeira metade, poderá tornar o encontro pouco propício às qualidades de Anderson Talisca - ver-se-á qual será o entendimento de Jorge Jesus. Como dificuldade acrescida, as águias terão ainda o facto de neste duelo de Champions encararem o reencontro com vários antigos futebolistas dos seus quadros.

São esses os casos do defesa central Ezequiel Garay e a dupla de médios composta pelo espanhol Javi Garcia e o médio Axel Witsel, um trio que já havia competido na primeira jornada disputada na Luz e que deverá alinhar entre os titulares de um clube russo que poderia em teoria ter o enorme frio que se irá sentir à hora do encontro; na prática essa situação não será tão vantajosa como possa parecer…

Pode recordar-se um encontro também determinante para os benfiquistas perante o Shakhtar Donetsk há praticamente sete anos no qual os termómetros registavam um grau pelo início do encontro, tendo caído até cerca dos 12 graus negativos, o que não impediu o Benfica de vencer por 2-1 com um conjunto no qual alinhavam Maxi Pereira e Luisão, que poderão fazer uso dessa memória para resgatar novamente um importante triunfo.

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