Tempo de relembrar... Bebeto

Tempo de relembrar... Bebeto

A fechar o ano de 2014 e como em Portugal estamos a chegar ao inverno, nada melhor do que ir até ao outro lado do atlântico onde por esta altura é verão, nomeadamente ao Brasil para recordar Bebeto, o jogador que tantas vezes nos "embalou" com os seus golos.

RodolfoReis
Rodolfo Reis

José Roberto Gama de Oliveira, ou apenas e só Bebeto, nasceu a 16 de Fevereiro de 1964 Salvador da Bahía e foi precisamente nas camadas jovens do Bahía em 1981 que jogou apenas um mês antes de se mudar para o rival Vitória da mesma cidade. Aí permaneceu dois anos e transferiu-se para o seu clube do coração o Flamengo. A chegada ao Mengão foi tudo menos fácil, já que o avançado chegava com a missão de substituir apenas e só Zico que tinha acabado de rumar a Itália para a Udinese, e tudo ficou ainda pior quando no fim da primeira época a equipa não só não conquistou qualquer título, como viu o Fluminense vencer o campeonato.

Bebeto despontou no Flamengo (Foto: marcelodieguez.com.br)

Fora dos relvados Bebeto viveu um drama familiar quando em 1984 a queda de um avião vitimou o seu irmão, e o guarda-redes e seu colega de equipa do Flamengo Figueiredo. Dois anos volvidos e os títulos regressavam com a vitória no campeonato Carioca, mas foi um ano depois e numa altura em que Zico já tinha regressado da sua aventura por terras transalpinas, que Bebeto venceu o seu primeiro Brasileirão apontando entre outros golos, o do triunfo na final contra o Internacional de Porto Alegre.

Do Vasco da Gama para a Europa

Os adeptos do Flamengo não queriam acreditar quando em 1989 Bebeto anunciou a sua saída para o outro rival do clube, o Vasco da Gama e a mudança não podia ter corrido melhor, pois logo no ano de estreia venceu o Brasileirão algo que os vascaínos já não ganhavam há 15 anos. Três anos depois Bebeto era já um ídolo do Vasco e com o também jovem na altura Edmundo levaram o clube ao título do campeonato Carioca, só que no Brasileirão e depois de terem começado bem acabariam por ser eliminados na segunda fase da competição, ironicamente pelo Flamengo restando a Bebeto o prémio de consolação de melhor marcador da prova.

Foi então que surgiu a cobiça dos clubes europeus acabando por rumar ao Deportivo da Corunha, juntamente com o seu colega de equipa Mauro Silva. Apesar de não ter conquistado qualquer campeonato espanhol, logo no ano de estreia foi o «pichichi» com 29 remates certeiros. A época de 1993 foi dramática para os galegos que seguia isolado na liderança da liga e o título parecia um dado adquirido, mas as últimas jornadas foram terríveis e as perdas de pontos aliadas a uma recuperação fantástica do Barcelona, deixaram os dois conjuntos em igualdade pontual acabando os catalães por conquistar o campeonato pelo melhor goal average.

Tudo isto poderia ter sido evitado pelo Deportivo, se Djukic tivesse convertido a grande penalidade no último minuto do jogo no Estádio Riazor frente ao Valência. Em 1995 chegou o primeiro título com a vitória na Taça do Rei ao derrotar na final o Valência por 2-1. Um ano depois e já com 32 anos, o camisola 7 decidiu regressar ao Brasil, deixando no entanto o registo de melhor marcador da história do clube da Galiza com 86 golos em 131 jogos.

«Ping Pong» em fim de carreira

Estávamos em 1996 e Bebeto voltava ao Flamengo, mas os adeptos não esqueceram a «traição» de 1989 e não vencendo qualquer competição, o avançado foi o alvo de todas as críticas, voltando para a Europa em 1997 para o Sevilha, só que a experiência foi tão má que fez apenas cinco jogos e regressou de novo ao Brasil para o clube de infância o Vitória da Bahía, onde conquistou o campeonato Baiano, mas saiu no mesmo ano para o Cruzeiro para disputar o Mundial de Clubes, onde os brasileiros seriam derrotados na final por 2-0 contra o Borussia Dortmund.

Depois de passagens sem sucesso pelo Botafogo e pelos mexicanos do Toros Neza e do Gavilanes Tampico, Bebeto mudou-se para o Japão no ano de 2000 para jogar ao serviço do Kashima Antlers, que era treinado pelo antigo colega de equipa Zico e juntos levaram o clube nipónico ao título de campeão nacional, mas também das Taças do Imperador e Liga japonesa. Voltou de novo para o Brasil e alinhou pelo Vitória e Vasco da Gama, onde fez dupla com Romário e em 2002 já com 38 anos foi para os árabes do Al-Ittihad, tendo sido dispensado após cinco jogos devido às suas más condições físicas, terminando pouco tempo depois a sua carreira.

O «Escrete»

Bebeto fez a sua estreia na selecção principal brasileira em 1985 e no seu currículo levava já um mundial de sub-20, conquistado dois anos antes. Apesar de ter ficado de fora do mundial do México em 1986, foi convocado para a equipa olímpica em 1988 onde começou a fazer «estragos» com o amigo Romário, sem que no entanto conseguissem evitar a derrota na final perante a União Soviética.

Uma lesão deixou-o de fora do campeonato do mundo de 1990 em Itália, mas a espera foi recompensada quatro anos depois com a presença nos Estados Unidos, onde fez o seu primeiro golo em fases finais diante da selecção da casa nos oitavos-de-final. Os quartos-de-final haveriam de trazer aquele que foi considerado o melhor jogo da competição, numa partida que colocou o Brasil diante da Holanda, com a «canarinha» a sair vitoriosa por 4-2, o encontro ficou marcado pelo momento em que Bebeto tirou Ed de Goeij do caminho e atirou para o fundo das redes, celebrando com o embalar de uma criança nos braços algo que nunca se tinha visto até então.

Uma celebração que ficou para a história (Foto: conexaoesportern.wordpress.com)

Bebeto diria no fim da partida que o festejo foi em homenagem ao seu filho Matheus, que nasceu durante a competição. O Brasil conquistou o campeonato do mundo na final contra a Itália nas grandes penalidades e dois anos depois nos Jogos Olímpicos de Atlanta, o craque brasileiro fez um hat-trick no desafio de atribuição do terceiro lugar frente a Portugal.

Em 1998, Bebeto participou no mundial em França agora já com Ronaldo ao seu lado, mas após a derrota com os gauleses na final e com 34 anos decidiu abandonar a selecção, tendo marcado 39 golos em 75 internacionalizações.

Palmarés

Ao longo da sua carreira Bebeto conquistou 32 títulos por todos os clubes onde passou e dez a nível individual. Além disso foi por duas vezes o melhor marcador do campeonato Carioca, uma do Brasileirão e outra da Liga espanhola com os tais 29 tentos, o seu melhor registo de sempre ao serviço do Deportivo da Corunha. Disputou 341 jogos no total de onze clubes por onde passou e apontou 178 golos.

Actualmente

Em 2010, Bebeto teve a sua única experiência como treinador ao orientar o América do Rio de Janeiro, mas uma eliminação frente ao desconhecido Olaria no campeonato Carioca levou à sua demissão. A partir daí dedicou-se à política onde foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro. Ainda como jogador fundo em 2000 juntamente com Jorginho o Instituto Bola para a Frente, que se digna a retirar das ruas crianças entre os seis e os dezasseis anos de idade.

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