Nacional da Madeira: O branco...e o preto

Nacional da Madeira: O branco...e o preto

O Nacional da Madeira é certamente uma das equipas do nosso campeonato com maior discrepância pontual relativamente ao período homólogo de 2013. No 14º lugar com apenas nove pontos em onze jornadas, os madeirenses atravessam uma fase complicada da época, algo fora do comum para uma equipa que se tem vindo a habituar aos lugares cimeiros da tabela, e ainda `presença em competições europeias.

Francisco_Ferreira
Francisco Ferreira Gomes

Caça à pérolas alvinegras

A temporada 2013/2014 terminou com um belo quinto lugar para o Nacional, posição que lhe garantiu a presença no playoff de apuramento para a fase de grupos da Liga Europa na época em que nos encontramos. A boa campanha dos alvinegros no campeonato permitiu o destaque de muitos jogadores nacionalistas e, por conseguinte, levou à cobiça dos mesmos por parte de outros emblemas.

Perante as necessidades financeiras do clube e da imutável lei do mercado, o treinador Manuel Machado viu-se privado de peças nucleares da sua equipa. Exemplos são os casos de Candeias (transferido para o Benfica), Djaniny (Santos Laguna do México), Claudemir (Beitar Jerusalém) ou Mexer (Rennes), nomes aos que podemos juntar os de Diego Barcellos, Ricardo Baptista ou Edgar Costa. (fotos: ASF)

Para compensar todas estas (importantes) saídas, a direcção do Nacional procurou reforçar a equipa procurando reduzir custos e garantir uma qualidade igual ou superior à dos jogadores que tinham saído do clube. Para tal foram explorados, não só o mercado nacional, como também o sul-americano e o asiático. Estes mercados fizeram chegar ao clube madeirense jogadores oriundos da Arábia Saudita, Egipto, Peru ou Colômbia, e de onde resultaram em catorze novas contratações, de onde se destacam Marco Matias (ex-Vitória de Guimarães), e ainda o sul-coreano Suk (ex- Al-Ahli Jeddah). (fotos: vavel.com)

O antes e o depois

Esqueçamos por momentos a eliminação do Nacional do playoff da Liga Europa às mãos do Dínamo de Minsk. Se olharmos apenas para o campeonato, verificamos que, com onze jornadas volvidas, o Nacional da Madeira ocupa a 14ª posição com apenas nove pontos, em contraste com o sétimo lugar e os dezasseis pontos somados no mesmo número de jornadas da época anterior.

Assim, em 2013/2014 por esta altura, os madeirenses lutavam por um lugar europeu, encontrando-se a apenas dois pontos do quarto lugar. Para além disso, os homens de Manuel Machado tinham já quinze golos marcados, mais de metade dos registados na época acutal (7), e tinham menos um golo sofrido (12).

Outra grande diferença regista-se também nos jogos realizados fora da Choupana. Com efeito, em onze jornadas da temporada anterior, o Nacional já contava com dois triunfos fora de portas, registando ainda um empate (frente ao FC Porto) e duas derrotas, uma delas na Luz diante do Benfica. Em 2014/2015 os alvinegros ainda não sabem o que é ganhar fora, contabilizando um empate e quatro derrotas em cinco partidas realizadas. (foto: expresso.sapo.pt)

A razão desta queda abrupta de rendimento pode-se expilcar sobre dois motivos: o primeiro prende-se com o claro minguar de qualidade do plantel acutal relativamente ao da época anterior; as saídas foram muitas e importantes, e a direcção do Nacional não foi capaz de colmatar as mesmas com alternativas credíveis e capazes de ter o mesmo rendimento.

Outro motivo assenta na mudança directiva; a saída de Mário Figueiredo da liderança da Liga de Clubes, e a consequente candidatura de Rui Alves ao cargo, abriu caminho a uma nova direcção que, apesar de parecer querer dar seguimento ao trabalho do engenheiro madeirense, ainda não conseguiu criar a estabilidade necessária. Não se quer dizer com isto que existam críticas exacerbadas ou fragilidade na direcção alvinegra, mas o Nacional sem Rui Alves não se pode comparar aos tempos de comando por parte do ex-presidente, uma figura que transmitia confiança e ambição a adeptos e jogadores, uma figura de respeito e autoridade no clube madeirense.

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