Crónica: Mediático Sporting de Bruno de Carvalho abraça agora o silêncio

Crónica: Mediático Sporting de Bruno de Carvalho abraça agora o silêncio

Tem feito da palavra a sua grande arma e do franco mediatismo o seu «modus operandi», mas, ontem, o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, lançou o Sporting no silêncio. Uma viragem de 180 graus que contrasta com a prática leonina do reinado de Bruno de Carvalho.

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Numa viragem de rumo inesperada, o Sporting emitiu um comunicado, ontem, declarando um «blackout» à imprensa: jogadores, equipa técnica, colaboradores e dirigentes, estarão em disciplina de silêncio por decisão da direcção leonina, numa altura em que os ânimos do Leão estão, inequivocamente, ao rubro, devido à controversa cisão entre Marco Silva e o presidente Bruno de Carvalho.

Silêncio de quem nos habituou a ouvir

O silêncio agora estipulado contrasta, em absoluto, com a política de acção comunicacional levada a cabo por Bruno de Carvalho desde que tomou conta dos destinos directivos do Sporting - no seu estilo directo, arrojado e confrontacional, o presidente da reestruturação financeira tem cavalgado o caudal da imprensa para veicular ideias, intentos, posições quanto aos temas do futebol nacional e internacional e até atacar rivais, defender os seus e lançar as bases de uma nova filosofia comunicacional, mais agressiva.

Também conhecido como rei dos comunicados, Bruno de Carvalho liderou, até à passada Sexta-feira, uma política comunicacional prolífica, sustentada em numerosas mensagens públicas (até nas redes sociais e na TV do clube leonino), discursos institucionais e comunicados. Mas, ontem, o Sporting decidiu saltar para o polo oposto: silêncio decretado, justificado com o comportamento abusivo da imprensa, precisamente aquela que Bruno de Carvalho tem utilizado sobejamente para veicular as suas ideias numa cadência bastante regular. Irónico?

«Blackout» para conter uma situação de emergência

Este «blackout» surge, coincidentemente, com o período atribulado vivido no seio do clube, onde são mais que muitos os indícios de uma cisão entre o treinador Marco Silva e o presidente Bruno de Carvalho. Desde a mensagem pública feroz deixada pelo presidente no Facebook, na ressaca dura da derrota leonina em Guimarães, as relações entre o balneário e a administração (equipa técnica e direcção) sofreram uma degradação visível, muitas vezes espelhada no ambiente vivido no banco de suplentes do clube de Alvalde. Negar é, neste momento, atirar «poeira» para os olhos dos próprios sportinguistas...

Os últimos dias têm aumentado a instabilidade da relação entre Marco Silva e Bruno de Carvalho: o comunicado do clube acentuou o descontentamento do balneário leonino, que se posiciona do lado do técnico de 37 anos. Marco Silva, pressionado pelas críticas do presidente, tem mantido a tranquilidade discursiva mas a fuga à confrontação (ainda que indirecta) nem sempre pode ser fintada: no rescaldo do jogo da Madeira, Marco Silva respondeu a Bruno de Carvalho: «Não querendo comentar as palavras do presidente, o que vos posso dizer é que como treinador, pessoalmente, prefiro criticar ou elogiar cara a cara, com os meus atletas presentes e a ouvir. É a forma que eu tenho e que tenho seguido. E é assim que vou continuar a fazer».

Será o silêncio leonino forçado pela tensão emergente entre a direcção e a equipa técnica? A probabilidade dos eventos estarem consequentemente ligados é altíssima: o «blackout» em Alvalade chega como medida de prevenção, espécie de isolamento de emergência que minimize os estragos de uma ferida interna que tem tendência para aumentar de tamanho. É uma provável explicação. O Sporting, que cavalgou o mediatismo da imprensa, vira-se agora para dentro de si, tentando sanar problemas que já transbordaram (pela voz do presidente) para a esfera do escrutínio público. Será uma forma, urgente, de emendar a mão e resolver o diferendo internamente?

Maior que Bruno e Marco?

O diferendo interno é, ao que tudo indica, mais complexo que a simples dicotomia Marco Silva/Bruno de Carvalho. O presidente leonino falou, no comunicado veiculado na Sexta-feira, em «inimigos internos», deixando entreaberta a porta para uma análise mais abrangente dos problemas vividos actualmente no reino do Leão. Estará Bruno de Carvalho a apontar o dedo a pressões vindas de empresários, fundos de investimento ou outros agentes que se movem dentra da esfera leonina? Restam mais perguntas que respostas - mas, agora o tempo é, precisamente, de profundo silêncio no reino do Leão. 

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