Custo - Rendimento: os «flops» e os ases da Primeira Liga

Custo - Rendimento: os «flops» e os ases da Primeira Liga

O ano de 2014 chega agora ao fim e o campeonato, prestes a atingir a sua metade, já conheceu os reforços dos clubes da Primeira Liga. Depois de 14 jornadas, Vavel Portugal faz um balanço da política de contratações dos clubes lusos, baseando a sua avaliação na ponderação «custo vs rendimento».

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Os ases mais desarmantes

Anderson Talisca é, certamente, um dos ases maiores desta Primeira Liga: contratado por 4 milhões de euros ao Bahia, o longilíneo baiano cedo mostrou credenciais e golos, algo que cai sempre bem nas hostes futebolísticas. Além de ser oportuno e dono de um bom remate, o brasileiro ascendeu rapidamente à categoria de artilheiro-mor do Benfica, apontando 8 golos na Liga e um na «Champions». Apesar de viver momentos de menor fulgor, Talisca é incontornável personagem-chave destas 14 jornadas - o médio ofensivo saltou directamente para o onze de Jorge Jesus e tornou-se num dos mais eloquentes executantes do ofensivo Benfica, que lidera a Primeira Liga. 

Yacine Brahimi é outro dos ases mais desarmantes do campeonato: contratado ao Granada por 6,5 milhões de euros, o médio argelino rapidamente comprovou as habilidades que os analistas lhe adjudicavam, mostrando em Portugal, com magia técnica por poucos tida, como se desmontam defesas e se criam golos do fino ar. Dono de um drible invejável e de uma propensão ofensiva vertiginosa, Brahimi ganhou o estatuto de mago do futebol do FC Porto, dono da varinha de condão portista capaz de quebrar as muralhas contrárias. Leva 8 golos ao serviço do Porto (3 na Primeira Liga) e impressinou na estreia da «Champions» ao marcar 3 tentos ao BATE.

Nani foi, indubitavelmente, a transferência mais impactante do defeso: o calibre do internacional do Manchester United arrombou o mediatismo de todas as outras compras, mesmo tratando-se somente de um empréstimo com vida finita. Jogador de alto nível, habituado aos palcos cheios da afamada Premier League, o extremo reforçou o Sporting e viveu para confirmar as expectativas imputadas pelos portugueses a um activo de qualidade estratosférica. Rapidamente pegou na batuta do ataque e, com superior inteligência, orquestrou o pensamento ofensivo do Sporting, destacando-se pelo brilhantismo da sua técnica e dos seus movimentos - marcou 7 golos, 2 deles da Primeira Liga e 4 na «Champions».

Os «flops» mais embaraçosos

Andreas Samaris terá de ser nomeado como um dos «flops» do mercado, tendo por base o período entre Agosto e Dezembro: o médio grego custou 10 milhões de euros ao Benfica e tarda, ainda, em consolidar o seu valor na equipa principal, apesar das insistências de Jorge Jesus. Não condenamos o jogador ao fracasso nesta avaliação, mas apenas fazemos a constatação que se exige - tendo por base o elevadíssimo preço, o internacional Samaris ainda está longe de contar como um reforço de peso inquestionável na turma da Luz: estará o grego apto para ser titular numa equipa com Fejsa e Amorim recuperados? Dificilmente, pelo menos a fazer jus nas prestações até agora verificadas.

Adrián Lopez é, seguramente, o grande «flop» da primeira metade da Primeira Liga 2014/2015: com um custo vertiginoso de 11 milhões de euros por 60% do passe, o espanhol chegou ao FC Porto banhado no ouro da responsabilidade de singrar na formação titular do Dragão, mas, tal não aconteceu. O jogador, fora da filosofia táctica imposta por Lopetegui, foi relegado para o crónico lugar de suplente, não tendo conseguido até agora furar pelo principal adentro. O custo astronómico torna-se ainda mais oneroso quando verificamos a nulidade que o ex-Atlético Madrid apresenta na versão portista 2014/2015, que passa muito bem sem o campeão espanhol. 

Simeon Slavchev é outro dos «flops» aqui elencados, por razões naturais: custou 2,5 milhões de euros por 85% do passe e foi um dos activos mais caros da gestão de Bruno de Carvalho no cômputo das contratações. O médio búlgaro Slavchev foi aposta do presidente leonino e, numa altura de vacas bem magras, o preço pago pelo Sporting logo indicou que o médio vinha para ser opção credível no plantel. Mas a prática reflectiu uma realidade bem diferente - o jogador nunca alinhou pela formação treinada por Marco Silva e até na equipa B a sua utilização tem sido volátil. O seu futuro em Alvalade permanece incerto, numa actual condenação à equipa do lado B leonino.

Outros ases que vale a pena não esquecer

Os ases não se cingem ao trio de tecnicistas acima elencados, pois muitos outros pisam os relvados da liga portuguesa. Óliver, emprestado pelo Atlético Madrid ao FC Porto, tem-se revelado um médio capaz de desequilíbrios perigosos na manobra atacante do Porto. Paulo Oliveira, central do Sporting, também se tem evidenciado nesta Liga, liderando a defesa ao lado de Maurício. Pedro Tiba e Danilo também se destacaram no meio-campo do SC Braga, ajudando à escalada arsenalista na Liga (3º lugar na actualidade). Kuca, extremo do Estoril, é outra das sensações da Primeira Liga 2014/2015: as suas fintas e incursões pela área têm ajudado muito o ataque estorilista.

Também o Vitória de Guimarães contribuiu para aumentar o leque de ases, acertando na mouche em algumas contratações: João Afonso, central vindo do Benfica de Castelo Branco, tem sido uma das mais notórias apostas de qualidade feitas por Rui Vitória. Outro dos ases é Maazou: o possante ponta-de-lança trocou o Vitória SC pelo Marítimo e tem sido um dos mais eficientes goleadores, com 8 golos apontados na Liga. Marco Matias, que também deixou os vimaranenses, é hoje jogador de referência no Nacional da Madeira.

Três grandes monopolizam os «flops»

Pela fasquia do preço, os três grandes são, naturalmente, aqueles que monopolizam os «flops»: habituados a gastar dinheiro nos defesos, Benfica, Porto e Sporting são dos donos do monopólio dos falhanços. A crise de falhanços agudiza-se: a grande maioria das contratações dos grandes não actua pela equipa principal. O FC Porto tem Opare, Otávio, Campaña, Evandro, Andrés e Aboubakar estagnados, quais segundas linhas eternamente devotadas ao esquecimento, salvo raríssimas excepções. No Benfica, o caso é idêntico: Cristante, César, Bebé, Benito e Derley permanecem em segundo plano.

No Sporting, o caso é similar: dos 15 milhões gastos em reforços, apenas Nani (a custo zero, emprestado), Jonathan Silva e Paulo Oliveira mostraram serviço; Ryan Gauld, Sacko, Rosell, Sarr, Geraldes, Rabia, Tanaka são exemplos de contratações que, até agora, pouco ou nada demonstraram de Leão ao peito.

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