Alvalade «crime scene investigation»: quem tentou tramar Marco Silva?

Alvalade «crime scene investigation»: quem tentou tramar Marco Silva?

Em Alvalade, parece ter tudo voltado à paz, mas a guerra despoletada e indesmentível, aparentou ter um alvo: Marco Silva. Nesta crónica analisamos a crise leonina, as intervenções de José Eduardo, os silêncios directivos e as questões nunca respondidas ou clarificadas nesta trama de mistério.

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Crónica VAVEL:

A crise no Sporting amainou, ouvem-se, até, clamores de paz, após a vitória leonina sobre o Estoril e as pazes entre Marco Silva e o presidente Bruno de Carvalho. Depois da novela de contornos dúbios mas factos inquestionáveis, equipa técnica e a direcção baixaram as armas e resolveram, sim, fazer tréguas.

No fim da partida em Alvalade, no passado Sábado, o cenário foi elucidativo: Marco Silva ouviu aplausos fortes no arranque do jogo e Bruno de Carvalho escutou assobios após o apito final, e, assim, se traça o fim deste capítulo referente à guerra entre Bruno de Carvalho e Marco Silva - o treinador ganhou e, baseado na sua popularidade, fez abanar e depois recuar o confrontacional presidente leonino...obrigado a engolir um sapo do tamanho de seu treinador.

O texto já é do domínio público, e, deixemos de lado as mirabólicas teorias da conspiração, que elevam a imprensa desportiva a sabotadora principal do clube de Alvalade, já habituado a dar tiros nos seus próprios pés - Bruno de Carvalho chocou com Silva, preparou-se para a sua saída mas acabou por colidir com uma personalidade calma, reflectida e repleta de carácter. 

Vendo o calor das bancadas puxar por Marco Silva, o ror das redes sociais em suporte do mesmo e a opinião das claques (às quais dá ouvidos), Bruno de Carvalho tremeu, reconsiderou e, em última instância, recuou na decisão de afastar o ex-Estoril de Alvalade. A crise, instalada no interior do Sporting e dentro dele criada, gerou uma onda de apoio a Marco Silva que acabou por tirar o tapete ao presidente, impedindo-o, sob pena de ceifada de popularidade drástica, despedir Silva ou com ele chegar a um acordo de rescisão mútuo.

Silva permaneceu, impenetrável, Cavalho voltou, pela segunda vez, a confirmar que este era o treinador leonino - como se não o soubessemos? De facto, essa parecia ser a novidade - Marco Silva continuaria no Sporting, algo no qual ninguém já acreditava, ainda para mais tendo em conta as duríssimas, ácidas, rocambolescas, graves e perniciosas declarações do conselheiro leonino José Eduardo, «ideólogo», em parte, do aclamado projecto leonino (suas palavras), com as quais atacou Silva - o divórcio foi por este declarado, mas nunca confirmado pelo presidente.

Seguiu-se um silênco ensurdecedor, vindo de um presidente frontal que nunca se coibira de falar, acusar, dissertar e reflectir sobre todos os temas do futebol português e até internacional. Pela calada de um «blackout», o Sporting nunca se desmarcou das afirmações de José Eduardo, e nunca veio a terreiro defender o seu treinador, que fora alvo de um ataque vil sem provas - apenas silêncio. Ainda hoje, apesar de um ténue e amedrontado lavar de mãos (onde a direcção se afastou de José Eduardo sem sequer lhe pronunciar o nome...), Marco Silva continua sem defesa institucional da entidade que lhe paga o salário e o chama de treinador.

Afinal, Silva ostraciza ou não jogadores nos treinos? Escolhe ou não o onze titular com base em «interesses obscuros»? Está ou não a mando de agentes ou fundos? Tem ou não a equipa consigo? Afrontou gravemente ou não o presidente? Quer ou não boicotar o projecto do Sporting? Tudo sem resposta, e, fatidicamente, tudo tão grave, em saco roto. Será normal, justo, lógico, habitual, avisado e solidário que a instituição não defenda a honra de um profissional seu, atacado de modo discricionário? Se o ataque foi justo e certeiro: como ainda não foi Silva despedido?

Bruno de Carvalho, que tanto fala, tinha de escolher a altura pior para estar calado. Aparentemente, a «família sportinguista» que apregoa defender foi atacada veementemente e este nada fez ou disse para a escudar dos ataques que, ironia das ironias, vinham de um sportinguista, não de um jornalista contorcionista ou de um meio de comunicação social maquiavélico, sequer de Benfica ou Porto. Caso Eduardo tenha falado verdade, Silva é um «diabo pintado de anjo» e, Deus livre o Sporting, de ter como treinador um infernal técnico que «quer destituir o presidente». 

É óbvio que toda esta novela de «poeira» tem outras explicações hipotéticas: José Eduardo, que não é débil mental nem mentiroso compulsivo, estaria a propagar a voz do presidente, pressionando a saída de Marco Silva, de modo a não chamuscar directamente Carvalho. Uma coisa é certa: Eduardo falou com aparente conhecimento de causa, enumerando supostos factos da vida interna do clube e da equipa, falando num plural majestático que transparecia total consonância com a ideologia de Bruno de Carvalho. Nem a propósito: disse-se «mandatado» para reunir com Silva, imagine-se. Terá inventado tudo isto? Se sim, terá consequentemente de ser internado (por insanidade) ou processado (por Silva), 

Ao que parece, a cena do crime de Alvalade ficará sem investigação, as perguntas ficarão, por agora, sem respostas cabais e inequívocas. Sabemos, sim, que houve uma clara tentativa de homicídio (de Marco Silva, o treinador) em Alvalade, José Eduardo deixou provas da sua presença no local mas, ao que tudo indica, este não terá sido o mandante da empreitada. Eu não sou detective mas o silêncio ensurdecedor de quem nunca se calara antes é meia-prova rumo à epifania: quem tentou tramar Marco Silva?...

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