Palestina faz história ao participar pela primeira vez na Taça Asiática
Foto via: CNN.com

Palestina faz história ao participar pela primeira vez na Taça Asiática

A Palestina perdeu com os ultra-favoritos Japão mas ainda tem possibilidades de passar. Anos de ofensivas militares por parte de Israel não impede o país de participar em grandes competições. O torneio pode ser visionado no canal Eurosport.

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Paulo Pereira

A selecção da Palestina defrontou o Japão na primeira jornada do grupo D da Taça Asiática. Frente aos «Samurais» favoritos neste jogo e um dos favoritos no torneio, a equipa palestiniana perdeu por 4-0. Os nipônicos foram os vencedores da competição em 2011 e têm uma experiência internacional grande. A competição desenrola-se na Austrália de 9 de janeiro a 31 desse mesmo mês. Neste momento Ashraf Nu'man, médio de 28 anos, é o melhor jogador do país e joga no Al-Faisaly da Arábia Saudita.

Palestina contra Japão (Foto: AP)

Foi a estreia deste país na fase final da Taça Asiática qualificando-se por em 2014 ter conseguido vencer as Filipinas na final da AFC Challenge Cup, competição de países criada em 2006 para desenvolver o futebol e potencialmente descobrir novos talentos. Ahmed Al Hassan é, actualmente, o seleccionador e já treinou equipas no Iraque e na Palestina, era adjunto antes de tomar conta de selecção. Neste momento estão em 115º do ranking da FIFA e 14º entre paises asiáticos.

Covenhamos que num país que está em conflito desde meados de 1948 o desenvolvimento do futebol se afigura como algo muito improvável, a 14 de janeiro de 2009, o futebol palestiniano sofria um dos mais duros golpes quando na sequência de uma ofensiva militar israelita na faixa de Gaza (integrada na Operação Chumbo Fundido, que resultou em 1315 mortos e mais de cinco mil feridos durante as três semanas que durou a intervenção), perderam a vida Ayman Alkurd, Shadi Sbakhe e a jovem promessa Wajeh Moshtahe.

No mesmo dia, os bombardeamentos da força aérea israelita, destruíram o Estádio de Rafah (tal como havia sido atingido alguns quilómetros a norte o Estádio de Gaza, em 2006 e novamente em 2012). Não foi a única fatalidade no futebol palestiniano. Em julho último, Ahed Zaqout, 49 anos, ex-médio internacional que marcou uma geração, foi vítima de uma bomba lançada no seu apartamento. No mesmo mês, e também em Gaza, quatro crianças que jogavam futebol na praia foram mortas durante outro raide militar.

Zaqout faleceu numa ataque militar

Atletas palestinianos precisam de permissão israelita para a maioria das viagens tanto para ir de Israel para a Faixa de Gaza quanto para entrar ou sair da Cisjordânia, um percalço que muitas vezes impediu atletas de participaram de jogos decisivos. Mas a agressão israelita não se contempla só a nivel do futebol, em 1982 houve a guerra do Líbano em que Israel invadiu o Líbano para, oficialmente, acabar com os ataques da Organização de Libertação da Palestina. A 16 de dezembro acabaram por acontecer o massacre de Sabra e Chatila, em que o exército israelita, a pedido dos falangistas libaneses, cercaram Sabra e Shatila e bloquearam as saídas dos campos para impedir a saída dos moradores.

A carnificina começou imediatamente continuando até ao meio dia. O oficial falangista pediu iluminação e os israelitas diligentemente atenderam ao pedido disparando foguetes de iluminação, enquanto grupos de milicianos, com cerca de 150 homens cada um, iam chegando aos campos para prosseguir a execução do massacre. O número de vítimas não é bem conhecido e, conforme a fonte, a estimativa pode variar de algumas centenas a 3.500 pessoas sendo na grande maioria crianças, mulheres e idosos. Do qual foi feito o filme da animação «Valsa com Bashir». A 16 de dezembro de 1982, a Assembleia-Geral das Nações Unidas condenou o massacre declarando-o um acto de genocídio. Portugal votou abstenção como outros países como os E.U.A. ou o Reino Unido.

Após o fim da segunda guerra mundial o Plano de Partição da Palestina foi apresentado pelo UNSCOP (United Nations Special Committee on Palestine), liderado pelos Estados Unidos e União Soviética às Nações Unidas, consistindo basicamente na divisão da Palestina num estado judeu cuja área corresponderia a 53% do total e um estado palestiniano com 47%. A proposta foi rejeitada pelos árabes. A  11 de setembro de 1948 Israel declarou independência e aconteceu a Guerra árabe-israelita em que os exércitos do Egipto, Síria, Iraque, Jordânia, Líbano e Arábia Saudita convergiram para uma minúscula faixa de território que era Israel.

A guerra foi vencida pelos israelitas que ampliaram o seu domínio por uma área de 20 mil km² (75% da superfície da Palestina) e provocou o deslocamento de aproximadamente 900 mil palestiniaos que deixaram as áreas incorporadas por Israel. Esse imenso contingente de refugiados permaneceu disperso pelos campos do Oriente Médio e, nos anos seguintes, será frequentemente referido como "a questão palestiniana" que permanece sem solução até os dias atuais. Actualmente, segundo a UNRWA (Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente), o número de refugiados que vivem nos territórios ocupados, Líbano, Síria e Jordânia está próximo de cinco milhões.

A Taça Asiática está dividida em quatro grupos com o Grupo A a ser constituido pela Austrália, Coreia do Sul, Oman e Kuwait. Na primeira jornada a equipa da casa venceu por 4-1 o Kuwait e a Coreia do sul ganhou por 1-0 a Oman. O Grupo B tem a China, Coreia do Norte, Uzbequistão e a Arábia Saudita, com os chineses a baterem por 1-0 os sauditas e o Uzbequistão a sair vencedor também por 1-0 no confronto com a Coreia do Norte. O Grupo C tem as equipas dos Emiratos Árabes Unidos, o Irão do treinador Carlos Queiroz, o Bahrein e Qatar. Os Emiratos venceram 4-1 o Qatar e o Irão venceu por 2-0 o Bahrein. No último grupo estão as selecções do Japão, Palestina, Iraque e Jordânia. O Japão bateu a Palestina por 4-0 e a Jordânia perdeu 1-0 com o Iraque.

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