Formação do Sporting em xeque: Juvenis, o resultado do desinvestimento
Foto: Rui Minderico

Formação do Sporting em xeque: Juvenis, o resultado do desinvestimento

O desinvestimento do Sporting na formação, assim como a ultrapassagem realizada pelos rivais nessa vertente, teve como primeira consequência o 'descalabro' que assolou a sua equipa de Juvenis.

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Rafael Reis

Embora os Juvenis do Sporting tenham derrotado o Atlético por 4-1, está já confirmado o que para muitos é um escândalo e que passa pela eliminação dos leões da disputa do Campeonato Nacional ainda na 1ª fase, passando a disputar a Série de Manutenção com os oponentes da fase que havia disputado com excepção para Benfica e Real SC, apurados para a fase de disputa do título.

Tratou-se assim de um acontecimento inédito. Primeiro ponto, mérito para a equipa qualificada, o Real, que se vem apresentando como um clube formador a ter como modelo, bastando para tal contabilizar os talentos que ano após ano se dão a conhecer no clube para em seguida seguirem para os mais altos patamares.

Ainda neste mercado invernal dois jovens revelados no clube, João Sousa e Enca ’Nani’ Fati saltaram directamente da Pró-Nacional da AF Lisboa para a Primeira Liga ao rubricarem contratos profissionais com o Moreirense, e esta geração do clube de Queluz/Monte Abraão não constitui excepção e vários dos elementos desta surpreendente equipa estarão já na próxima época em clubes de maior nomeada.

Para isso contribui uma temporada na qual podem agora desfrutar e alinhar em fases nunca antes atingidas pelo modesto clube (o principal criativo desta equipa, Zidane Banjaqui, vem fazendo parte das escolhas da Selecção Nacional sub-17, por exemplo). Todavia, não deixa de ser um momento para os responsáveis da Academia leonina pararem para pensar...

Mudanças nos sub-17, grande parte por iniciativa dos responsáveis do clube, retiraram qualidade

Espero não ver os habituais comentários de quem não vê e não conhece 'rasgando' por completo os rapazes verde-e-brancos, que têm potencial, até mais do que a equipa sub-19 em meu entender, razão pela qual três jogadores sub-17 jogam nessa equipa com regularidade. De qualquer forma, não é menos verdade que este insucesso apenas reflecte uma realidade que tem sido vista desde há alguns anos a esta parte em Alcochete.

Que realidade? Um claro desinvestimento directamente relacionado com a tentativa de recuperar terreno ao nível sénior ao mesmo tempo que têm sido feitas dispensas sem o mínimo de sentido - vários dos dispensados neste escalão nas últimas épocas disputarão o título nacional em clubes como o Vitória de Guimarães, Belenenses, no próprio Real e até no rival Benfica.

Pior sinal para os verde-e-brancos será o facto de nos últimos anos também ultrapassou os leões também no aspecto da formação ao chamar a si os mais promissores jovens que despontam no futebol português e construir um Centro de Estágio com condições de ponta para o efeito.

O mesmo acontece com o FC Porto e deve ainda descontar-se, mas ainda assim recordar-se, a excepção que constituiu a saída de Moreto Cassamá e Idrisa Sambú para os dragões por iniciativa dos próprios jogadores e muito devido ao ’Caso Bruma’, especialmente o facto de partilharem o empresário com o jovem jogador do Galatasaray.

Foram mais duas partidas importantes colmatadas com contratações difíceis de explicar, recrutando-se alguns jogadores sem o mínimo de capacidades para jogar num clube de tão grande dimensão. Deve sublinhar-se que essa situação não sucede apenas com esta equipa de Juvenis, estendendo-se a todos os escalões jovens verde-e-brancos, bastando atentar-se aos 19 pontos que distanciam o líder Benfica em relação ao Sporting no Nacional de Juniores, ainda que neste caso o resultado dos sub-17 venha acentuar a preocupação uma vez que se trata de um afastamento definitivo.

Ainda assim, detendo esta equipa vários jovens com potencial como o médio Pedro Ferreira, os centrais Bruno Paz e Gonçalo Vieira (o mencionado trio que alinha na equipa de Juniores), assim como o defesa Abdu Conté, o ponta-de-lança Gil Santos ou o criativo Luís Esteves, entre outros - existe valor para ser explorado.

Treinador Telmo Costa não deve ser o único responsável pelo insucesso da equipa

Caberá aos responsáveis leoninos alterar o seu comportamento na hora de mexer nas suas equipas, devendo sim aumentar o rigor na escolha de quem selecciona, dispensa e contrata. Deve ponderar-se se o scouting e estratégia não necessitam de mudanças profundas, bem mais vincadas do que a dispensa do treinador Telmo Costa, que irá para o 1º de Agosto através de uma parceria entre os leões e o emblema angolano.

Sobre o técnico fica a dúvida se terá responsabilidades directas no processo de selecção dos jogadores, tanto os que já se encontravam no clube como os novos. Se esteve directamente ligado, merece grande parte da culpa; se não esteve, apenas pode ser responsabilizado pelo que a equipa fez (e especialmente não fez) em campo e não deve ser o único ’vilão’.

Os resultados e evolução das várias equipas sportinguistas pelo menos até à equipa B indicam que os problemas da formação do Sporting vão para além da competência ou falta dela no que concerne aos treinadores, o que sugere como acima refiro um período de reflexão.

Mesmo assim, será aconselhável para as unidades decisoras na formação do clube manter pelo menos um aspecto do rumo que vem sendo tomado: não ceder aos comentários e pressões dos ‘abutres’ que buscam insucessos para comentar, autodenominar-se como a solução apenas para promoção pessoal e sem o mínimo interesse pelo futuro do clube. Que se aposte no profissionalismo e não no chico-espertismo.

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