1-0, JEFFERSON, MIN. 87 1-1, JARDEL, MIN. 90+3
Sporting 1-1 Benfica: Seis minutos capazes de fazer sorrir o Porto
Jardel empatou derby nos segundos finais (Foto via: A Bola)

Sporting 1-1 Benfica: Seis minutos capazes de fazer sorrir o Porto

No rescaldo do derby lisboeta, sai como maior vitorioso o rival espectador portista, que com o empate de Alvalade se aproxima da liderança encarnada. O Benfica contrai a margem para 4 pontos e o Sporting falha a hipótese de se impor na luta pelo campeonato, continuando com 7 pontos de desvantagem.

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Mara Guerra

Alvalade foi como uma casa domingueira cheia, reunindo o ambiente certo para o jogo clássico da capital, que, embora não fosse decisivo para as contas da liderança, muito poderia traduzir o desfecho do campeonato. Na hipótese de vitória do anfitrião Sporting, que quase se concretizou com o golo de Jefferson aos 87 minutos, a competição poderia ter ganho um novo concorrente ao título. Mas, a quebrar o festejo caseiro, o Benfica serviu-se de herói improvável: Jardel, marcador no último minuto, que permite aos encarnados sair da casa vizinha com cabeça levantada.

Jogo demasiado permissivo para o desfecho intenso

A entrada bonita de ambas as equipas, num primeiro quarto de hora de divisão, onde os rivais tentavam marcar a sua posição ofensiva para ganhar respeito no jogo, fazia adivinhar uma partida de maior intensidade. Mas, em olhar mais atento, muitos dos sinais do embate morno fizeram-se sentir precocemente. Desde logo, na cordialidade das facções em assumir um papel no jogo. Se é verdade que tentavam ganhar espaço, também o é que não continham argumentos suficientes para procurar o golo, anulando-se em espectáculo, em detrimento da necessidade de demonstrar eficácia.

Foi, por isso, um jogo para boa análise táctica, onde foram visíveis as zonas pobres de Sporting e Benfica. Por um lado, a necessidade dos da casa fazerem impor o seu jogo, dada a importância acrescida que lhes significava a vitória. Por outro, a falta de recursos para o pôr em prática. Faltam estrelas em Alvalade, mas, na sua ausência, valeu um colectivo que ambicionou mais. E, sobretudo, um treinador sem medo. Marco Silva foi líder activo e inteligente na ânsia dos 3 pontos; Jefferson, pelo cheiro do tento, e William Carvalho, pela visão limpa do jogo, foram bons aliados. A Nani não lhe cabe papel de leão, por esta altura, nem tão pouco a Carrillo, que não soube aproveitar o espaço dado pelo mau trabalho de Eliseu na marcação.

«Factor J»

O segundo tempo reforçou vontade maior pintada de verde. O Sporting percebeu que conseguia chegar melhor à baliza de Artur, ganhando bolas em profundidade, e mesmo que continuando focado na sua organização defensiva. O Benfica não conseguia encarar Rui Patrício, apesar da aposta em Talisca para inverter a tendência de crescendo para os da casa.  E, colhendo os frutos da espera e do crer, o Sporting acabaria por festejar a vitória cedo de mais. Não porque o golo chegou cedo no marcador, mas porque não definiria o resultado final de vitória.

Foi, definitivamente, o «Factor J» que definiu o empate assistido em Alvalade. Primeiro, Jefferson, em recarga a remate de João Mário defendido por Artur, ofereceu aos adeptos o festejo daquela que parecia a vitória assinada em final de partida. Seis minutos depois, foi Jardel, que empurrou a bola para as redes de Patrício, em jogada iniciada em lançamento de Maxi Pereira, servindo de carrasco para aqueles que já saiam do estádio a julgar estar a 4 pontos. Entre os tentos, Marco Silva tinha lançado Capel e Tanaka, mostrando o papel de ambição que faltou a Jesus.

Competência defensiva contrai a liderança encarnada

Jorge Jesus transportou para o outro lado da circular, uma equipa sem façanhas de líder, pelo que importa colocar em debate se esta foi uma opção inteligente, com um conjunto menos capaz que outrora e em casa de rival, ou se revelou um acto de cobardia para quem defende a revalidação do título. Sendo que em nenhum momento de jogo se assistiu a um Benfica imponente, o assistido leva a crer que a demonstração de eficácia defensiva foi o principal propósito no esquema do treinador encarnado.

O Benfica teve em Samaris o seu melhor recurso e em Artur um guardião esforçado. O que faz ressaltar o propósito de jogo, no bloqueio defensivo do adversário Sporting, que muito passou em anular o seu trabalho nas alas, e a pouca inspiração para se assumir, até em momentos de contra-ataque. No final, e depois do susto provocado por Jefferson, o empate serviu de festejo, sendo sintomático de que os visitantes levaram para casa o isolado ponto ambicionado.

Sorri o Porto, que assistiu de bancada. Depois de cumprir na jornada, com a vitória por 0-2 frente ao Moreirense, sai feliz nas contas com o empate dos maiores rivais: faz afastar o Sporting para a margem dos 3 pontos e aproxima-se do líder, a 4 pontos. 

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