FC Porto x Sporting: deserto de vitórias do Leão desde 1974

FC Porto x Sporting: deserto de vitórias do Leão desde 1974

Aproxima-se o clássico FC Porto x Sporting e todas as atenções se centram agora no duelo entre o segundo e o terceiro classificados da Liga NOS. Com apostas arriscadas em cima da mesa, Porto e Sporting irão, no Domingo discutir a sua sorte no campeonato - a história do milénio dá total favoritismo ao Dragão.

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O dia do grande clássico FC Porto x Sporting aproxima-se a passos largos e o panorama futebolístico foca-se no jogo de Domingo, quer pelo seu rico historial de rivalidade quer por tudo aquilo que o embate do Dragão representa para o futuro de ambos os clubes - FC Porto e Sporting jogam entre si a continuidade na luta pelo título e, até, a acesa discussão pela posse do segundo lugar, actualmente detido pelos portistas. Com muito a perder, ambos os rivais não poderão deixar fugir (ainda mais) o líder Benfica.

Tudo a perder para Porto e Sporting

Se o FC Porto está proibído de perder terreno para o destacado Benfica (que possui mais 4 pontos), o Sporting está ainda em piores lençóis: os Leões encontram-se a uns desmotivadores 9 pontos de distância, logo, qualquer tropeção no Dragão implicará o definitivo afastamento da luta pelo campeonato nacional. Nem um nem outro foram ainda capazes de bater o líder vermelho, e, entre si, registou-se um empate 1-1 em Alvalade, na primeira volta da Liga NOS. Jonathan Silva marcou o tento sportinguista, Naby Sarr, azarado, marcou o auto-golo que deu o empate ao Porto.


O chavão é aplicado vezes sem conta mas não gasta o seu sábio intuito: «num clássico não existem favoritos», diz-se, e, de facto, a prática muitas vezes corrompe a teórica ideia de que basta aferir do momento de forma e da valia do plantel de cada equipa para garantir superioridades a priori. Apesar de vermos no FC Porto maior valia técnica e um leque de escolhas mais alargado, será precipitado afirmar que o Dragão é favorito - basta relembrar a partida da Taça de Portugal, na qual o Porto foi dominado por um Sporting afoito e corajoso. 

Se a História jogasse vestia a camisola do Porto

Mas se abordarmos este clássico pelo prisma estatístico, verificaremos que a História, fosse ela um jogador no relvado do Dragão, estaria definitivamente a jogar do lado da formação portista, às ordens de Julen Lopetegui -  o registo de jogos entre Porto e Sporting é, desde o 25 de Abril de 1974, feito de um domínio portista simplesmente avassalador: desde a revolução dos cravos, o Sporting apenas foi capaz de vencer três encontros da liga nacional no reduto dos azuis-e-brancos. Em 40 partidas jogadas nas Antas/Dragão, para a Liga, o Leão venceu apenas três (1975/1976, 1996/1997 e 2006/2007).

De facto, a narrativa do passado diz-nos que a última década de sucesso do Sporting, aquela em que o Leão deu boa luta, foi precisamente a década de 60 - entre 1960 e 1969 o Sporting venceu quatro deslocações ao reduto nortenho azul (1961, 1962, 1965 e 1968), mostrando níveis de competitividade na Liga que não mais viria a ter. Na jornada da década 60, nomes como Osvaldo Silva, Morais e Lourenço, fizeram as alegrias leoninas e representaram o último período áureo do Sporting no terreno do rival FC Porto.

Osvaldo sabia como marcar ao Porto

O domínio incontestado do FC Porto impôs-se na cena nacional, principalmente nos jogos disputados no Porto; a bem da verdade, não só o Sporting pereceu repetidamente às mãos do Dragão - também o grande Benfica foi sucessivamente chamuscado pelo poderio crescente de um FC Porto que se engrandecia ano após ano. Utilizando a mesma revolução de 75 para enquadrar a análise, verificamos que o Benfica apenas foi capaz de azedar seis recepções portistas, em jogos da liga portuguesa. Seis vitórias encarnadas, duas delas obtidas nos últimos 10 anos e, a última, conseguida em Dezembro de 2014. 

Passado vale por si, futuro não tem favorito

Portanto, visto e revisto o registo da memória, dúvidas não persistem quanto à reputação feroz que o Porto construiu ao longo das últimas quatro décadas, principalmente em jogos disputados no conforto do seu lar, autêntico inferno para os rivais Benfica e Sporting - mas, reputações à parte, favoritismo são sempre um lugar-comum redutor; é certo que o peso psicológico da História pode desempenhar diversos papéis de pressão sobre o portador da expectativa/responsabilidade, mas tal análise facilmente se dilui noutras variáveis psico-sociais que poderão, a cada circunstância, afectar o rendimento de uma equipa. Ilustremos com uma pergunta simples: Não estará o Porto mais pressionado, obrigado a ganhar o clássico devido à reputação criada e ao investimento feito na sua equipa?

Porto apostou forte em Adrián, Tello, Casemiro, Brahimi & CIA (Foto: LUSA)

Para o clássico de Domingo não existem favoritos. Poderemos projectar tácticas, avançar com hipotéticas posturas estratégicas e até prever protagonistas - tudo isso faz parte da criação do ambiente e enriquece o contexto, desportivo e jornalístico. Mais acertado que olhar no oráculo e disparar um resultado previsível, é reviver o passado histórico que deu corpo ao duelo eterno entre Leões e Dragões, relembrando factos, exultando brilhantismos e recompondo uma narrativa social e desportiva, feita de gente, de emoções, rejúbilos e tristezas, golos e defesas. 

Pós-25 de Abril: início de um caseiro domínio portista sem reservas

No primeiro FC Porto x Sporting após a revolução sócio-política de 1974, Porto e Sporting empataram 1-1, com golos de dois ilustres estrangeiros que ainda hoje são nomes inesquecíveis nas histórias de ambos os clubes: o argentino Hector Yazalde marcou aos 50 minutos mas o cubano do Porto, Teófilo Cubillas, igualou à passagem do minuto 84. O Benfica sagrar-se-ia campeão nessa temporada 1974/1975. No seguinte FC Porto x Sporting da Liga, em Outubro de 75, o Sporting conseguiu uma vitória forasteira que encetaria uma seca leonina de mais de 20 anos - Chico Faria, Manuel Fernandes e Baltasar marcaram os golos do Sporting, Fernando Gomes e Murça apontaram os tentos caseiros. O Benfica voltaria a reclamar o título.

Sporting de 75 venceu nas Antas 2-3

O expressivo 4-1 seguinte, na temporada 1976/1977, à passagem da jornada 22, viria simbolicamente a representar um marco de inversão nas tendências - apagou-se o rugido do leão no reduto portista, iniciou-se a senda dominadora do Porto. Os três golos do fabuloso António Oliveira (Duda marcou o outro tento, Sporting marcou por Fraguito) marcaram uma nova era portista feita de domínio caseiro (global) diante dos rivais - ainda assim, o Benfica continuou na senda das consagrações nacionais, com o Sporting, em segundo, por um ponto de vantagem, a manter-se à frente do Dragão. Mas o futuro leonino na cidade do Porto transformar-se-ia, a partir daí, num pesadelo.

Porto de 76 bateu Leões em casa

Em 1977/1978, na jornada 6, o Porto ultrapassava com facilidade o Sporting, com um 3-0 onde Duda voltou a marcar; Octávio Machado bisou nessa partida. O Porto viria a sagrar-se campeão nacional, quebrando a auspiciosa série de triunfos benfiquistas. Na temporada seguinte, 1978/1979, o FC Porto tomaria novamente as rédes do futebol português, batendo ao sprint o Benfica: 50 pontos contra 49 dos encarnados. Nos duelos FC Porto x Sporting seguiu-se a tal seca leonina, que duraria até 1997. Num dos jogos de maior incerteza no «placard» final, duas grandes penalidades (bis de Demol) ajudaram os portistas a baterem o Sporting de Luisinho, Fernando Gomes (de saída do Porto), Carlos Manuel, Silas e Ivkovic - decorria o ano de 1990.

Década de 80: prolongamento da seca leonina nas Antas

A seca de vitórias em solo das Antas foi longa mas a sede de títulos foi amenizada pelo triunfo leonino no campeonato 1979/1980: com 52 pontos, o Sporting superiorizava-se à concorrência com nomes sonantes como Jordão, Manuel Fernandes e Augusto Inácio. Mas no que toca à particularidade dos duelos FC Porto x Sporting, a superioridade era azul: entre 1985 e 1990, o Porto registou 6 vitórias consecutivas em casa, período no qual os dragões se sagraram campeões nacionais por três vezes. Pelo meio, glória absoluta em 1987, com a conquista da Taça dos Campeões Europeus, com um plantel onde pontificavam figuras como João Pinto, Augusto Inácio, Jaime Magalhães, Paulo Futre, Rabah Madjer ou António Sousa.

Mais de vinte anos depois, Sporting triunfou nas Antas

Demorou 22 anos: interminável espera leonina. Mas, no ano de 1997, o triunfo forasteiro voltou a sorrir ao Leão. Os golos lusos de Beto e Pedro Barbosa valeram ao Sporting uma feliz deslocação às Antas (1-2), numa década em que o domínio portista na cena nacional tinha-se já consolidado de forma absoluta: os dragões acabariam chegariam ao fim do milénio como penta-campeões. Essa partida, jogada a 15 de Março de 1997, selou a última vitória do Sporting no velho Estádio das Antas, em duelos da liga portuguesa. 

Barbosa ajudou a bater Porto de Aloísio em 1997
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