Sporting na «pole position»? Nunca com um plantel curto e mal planeado...

Sporting na «pole position»? Nunca com um plantel curto e mal planeado...

Na pré-época, a direcção leonina reiterou a candidatura ao título, chegando até, pela voz de Augusto Inácio, a considerar o Sporting competidor favorito. Mas, rapidamente, o tempo tirou o tapete às pretensões leoninas. Um plantel curto e mal construído dificilmente levaria os adeptos a sonhar até ao fim. O FC Porto apenas matou o último estilhaço da verde (e iludida) esperança.

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Crónica VAVEL

O Sporting não disse «adeus» ao título no passado Domingo, nem foram os três golos de Tello que condenaram os Leões a esquecer o sonho do título. Este Sporting, conturbado, envolto em frentes de guerra diversas, ora em falatório imparável ora em «blackout», apenas viu (e sentiu) a morte do último estilhaço de esperança verde na derrota do Dragão - há muito que o iludido Sporting já perdera a carruagem do título.

É certo que a direcção leonina insistiu na candidatura ao título e chegou até a declarar o favoritismo leonino, colocando, pela boca do director-desportivo Augusto Inácio, o Sporting à frente do campeão Benfica e do renovado FC Porto, na «pole position» da corrida pelo campeonato nacional 2014/2015. Iludido pela prestação da temporada anterior, o Sporting embarcou na odisseia do título e mobilizou os seus adeptos em torno do objectivo - mas era tudo ilusão.

O tempo rapidamente explicou ao Sporting que a temporada anterior dificilmente poderia servir de ponto de partida para um ataque tão prematuro ao título; explicou também que o contexto de 2013/2014 era único e que usá-lo para recriar uma luta tão árdua e longa (contra rivais gastadores) era exercício falacioso: o Porto não iria repetir a pior época dos últimos 30 anos e o Benfica, apesar da perda de activos, empenharia em 2014/2015 o escudo de campeão - e o campeão merece respeito.

Num ápice o Sporting esbarrou com um leve cheiro de realidade: em quatro jornadas, três empates e uma única vitória arrancada a ferros, em casa, diante do Arouca. À passagem da jornada 13 da Liga NOS, o Sporting levava já uns inacreditáveis 10 pontos de atraso para o rival e líder Benfica - inacreditável? apenas para quem sonhava com o título e baralhava o desejo com realidade. Digladiando-se contra dois rivais de bolsos rotos, o Sporting atacava o título com armas menos eficazes, menos letais e menos experientes

Envolvido em várias frentes (e não apenas nas lides internas, como em 2013/2014), o Sporting jovem e inexperiente percebeu que a alternância do confronto milionário com o confronto doméstico trazia flutuações motivacionais e físicas às quais apenas um plantel sólido, diverso e tarimbado poderia fazer frente de modo pragmático. Com um novo treinador (um treinador novo também), um onze juvenil e um plantel curto, como poderia o Sporting ter partido na «pole position»? Contra um Benfica campeão, filho actual de um Jesus que reina há 6 anos, e face a um FC Porto ainda hegemónico, sedento de esquecer a temporada passada, repito a pergunta, como poderia o Sporting partir na «pole position»?

É verdade que os Leões deram boas respostas nos duelos clássicos, seja contra Benfica seja contra Porto, mas tais feitos não passam de particularidades quando colocados perante uma análise conjuntural e global do rendimento leonino; a verdade é o Sporting se encontra a uma dúzia de pontos do líder Benfica e a oito distantes pontos do FC Porto, que se isolou no segundo lugar. O Braga, pé ante pé, ameaça o terceiro lugar do Leão - começar por querer partir à frente e acabar a defender o terceiro lugar.

No banco, contra o Porto, Marco Silva nem sequer lá tinha sentado um defesa central suplente; com Mané na bancada, restava o proscrito e esquecido Capel, em quem nem direcção nem equipa técnica confiam; Rosel como imediato suplente de William e André Matins, relegado, substituto de Adrien. E pouco mais, à excepção de Slimani, mas com efémero Tanaka incluído. Com um plantel extenuado, visivelmente definhado (Adrien, Nani e Montero não podem já disfarçar), como poderia o Sporting lutar pelo jogo no Dragão? Simplesmente não poderia - faltam opções técnicas credíveis para uma época dura e longa.

A apoteótica vinda de Nani iludiu ainda mais o auto-proclamado favorito Sporting, mas como o sapiente Marco Silva nunca se cansou de dizer, um jogador não faz uma equipa - pena que os Leões não tenham sabido entender isso. Com uma dupla de centrais flutuante, errante e indefinida (primeiro Maurício e Sarr...depois Oliveira no lugar do francês), o Sporting apenas soube quem eram os seus dois centrais de confiança em Janeiro, a meio da Liga, quando instalou Tobias ao lado do ex-vimaranense. Como poderia uma equipa ser candidata ao título quando apenas viria a definir a sua dupla de centrais a meio da corrida?

No meio-campo, os intérpretes são de grande qualidade mas o banco está vazio - Rosel nunca foi visto como opção credível e André Martins, desaparecido, já parece ser um corpo estranho no Sporting. Slavchev, contratado e emprestado depois, nunca calçou as botas e recebeu em Janeiro guia de marcha; Gauld, tão tenro, não entra nas contas de Marco Silva para 2014/2015. Nas alas, Wilson Eduardo foi recambiado, Heldón foi pelo mesmo caminho e sobrou Mané para colmatar o cansaço de Nani ou Carrillo. No ataque, existem apenas Slimani e Montero - Tanaka apenas engana e Salim e Sacko parecem ter sido fantasmas imaginados.

O Sporting não disse «adeus» ao título no passado Domingo, apenas foi acordado com estrondo com três golos de Tello, que assim acordou o Leão para o pesadelo de ter sonhado, acordado, com uma meta que, dado o estado de regeneração do clube, não pode ainda ser uma obsessão. Não, o Sporting não partia na «pole position», e não, o Sporting não edificou uma equipa capaz de lutar pelo campeonato nacional e tudo aquilo que a época viria a trazer consigo. Nisso o jogo contra o Porto foi claro - se o Sporting 2014/2015 foi construído para ser campeão, então, foi definitivamente mal construído...

 

 

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