Benfica e FC Porto: candidatos mas pouco...

Benfica e FC Porto: candidatos mas pouco...

Se antes foi o Benfica a baquear perante a pressão da oferenda pontual do rival, agora foi o FC Porto a vacilar na cara da flagrante oportunidade de ficar apenas a um único ponto do líder e rival. O Benfica cai em Vila do Conde e, poucas horas depois, o Porto estatelou-se na Choupana e desperdiçou a chance de ficar apenas a um ponto das águias.

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O FC Porto resolveu devolver a caridade feita pelo Benfica no arranque da segunda volta do campeonato e, hoje, na Choupana, estatelou-se perante a flagrante oportunidade de intensificar a luta pelo título e reduzir a desvantagem para apenas um ponto. Horas depois do Benfica tropeçar com estrondo em Vila do Conde, perante um Rio Ave frenético nos últimos 15 minutos, o Porto não foi além de um frustrante empate no reduto do indómito Nacional.

Se na jornada 18 foi o FC Porto a cair, incauto, em derrota, agora foi o Benfica a engasgar-se na corrida pelo título - em ambas as ocasiões (jornadas 18 e 26) nenhum dos rivais foi confiante, seguro e suficientemente capaz de capitalizar a derrota alheia e galgar terreno no ombro-a-ombro pelo tão desejado título de campeão nacional. Na jornada 18, o Porto escaldou-se no Caldeirão perante um Marítimo super-defensivo que beneficiou da pólvora seca do Dragão;

Um dia depois, o líder tranquilo entrava em campo, na Mata Real, pronto para, embalado pela desgraça portista, vencer o Paços de Ferreira e colocar a conquista do título para lá de qualquer dúvida: seriam 9 pontos de vantagem, uma enormidade pontual completamente fatal numa liga pouco competitiva como a portuguesa. Mas, contra as expectativas (até as do FC Porto, certamente), o Benfica baqueou e perdeu - golo de Sérgio Oliveira, de grande penalidade.

Na hipótese de colocar as duas mãos no troféu, o Benfica, nervoso, deixou que o jogo lhe fugisse entre os dedos: falta de pontaria primeiro, insegurança latente e, finalmente, um desvario táctico que abriu caminhos para o triunfo caseiro. Jorge Jesus abriu o Benfica ao meio (meio-campo ficou totalmente despovoado) e Paulo Fonseca agradeceu; hoje foi o FC Porto a desdenhar a oferenda do rival: podendo apenas ficar a um ponto, o Dragão perdeu o fogo e, entre solavancos, ficou-se pelo empate na Choupana.

Se o Benfica desperdiçou, à passagem da jornada 18, a possibilidade de fechar as contas do título e deixar o Porto a uma miragem de 9 pontos, o FC Porto deitou para o caixote do lixo a oportunidade de intensificar ao limite a luta pelo campeonato: ficando a um mísero ponto, o Porto esfumaria a vantagem motivacional/pontual que o Benfica detinha, assim como o ascendente encarnado, personificado na «onda vermelha» que segue a equipa para todos os estádios.

Tal como o Benfica tinha entrado bem na partida contra o Paços de Ferreira, também o FC Porto entrou de modo positivo na Choupana e, apesar dessas boas entradas, as saídas não foram famosas: na Mata Real o Benfica ficou em branco e viu uma grande penalidade cometida por Eliseu dar a chance ao Paços de festejar um triunfo contra o campeão; entrou bem o Porto na Madeira e entrou bem o Benfica em Vila do Conde: Salvio marcou aos 5 minutos e, depois, deu-se o eclipse vermelho...

Em suma, encontramos, nas duas primeiras posições da Liga, duas equipas pouco preparadas para lidar com situações de pressão: o Benfica demonstrou-o claramente na jornada 18, e o FC Porto mostrou-o hoje. Com duas oportunidades de serem felizes, tanto Benfica como Porto enervaram-se, perderam-se por entre inseguranças e incertezas, intranquilos perante equipas tímidas que vivem, precisamente, das incongruências psicológicas dos grandes de Portugal. 

Existem apenas dois candidatos ao título em Portugal, duas equipas apetrechadas para dominarem totalmente a competição e, com a quantidade de dinheiro gasta nos plantéis (e nos excendentes...), subjugarem a vasta maioria dos adversários - a competitividade lusa é baixa e o avanços pontuais de Benfica e Porto provam isso. Mas tanto Porto como Benfica provam, no limite, que não se têm a si mesmos em boa conta: equipas mentalmente inseguras, que tremem perante a sombra da pressão que o sucesso exige. Candidatos, sim. Mas pouco.

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