Sporting: Ewerton garante, Tobias Figueiredo promete

Sporting: Ewerton garante, Tobias Figueiredo promete

Um dos objectivos de um treinador ao iniciar uma época será certamente o estabelecer de um onze-base, a partir do qual possa criar rotinas e, consequentemente, uma ideia de jogo. No Sporting, o técnico Marco Silva tem sentido grandes dificuldades em implementar as suas ideias na totalidade, muito devido à mudança constante de defesas centrais. Depois da dupla Paulo Oliveira/Tobias Figueiredo, eis que chegou Ewerton; o brasileiro pegou de estaca e ganhou imediatamente a confiança do técnico leonino, relegando o jovem Tobias para o banco. Terá o central canarinho ganho o estatuto de titular indiscutível?

Francisco_Ferreira
Francisco Ferreira Gomes

Já o disse e reafirmo: ao contrário do que muitos querem fazer querer, os principais desaires e momentos negativos do Sporting ao longo da temporada têm a sua génese, não no sector defensivo, mas antes no ataque; com efeito, foi a ineficácia ofensiva que, na maioria dos casos, custou pontos preciosos aos leões.

Pode-se falar de Maribor, de Coimbra ou dos empates caseiros com Moreirense e Paços de Ferreira como exemplos de falhas defensivas decisivas, todavia, e aprofundando o olhar sobre tais partidas, encontramos inúmeras ocasiões de golo não concretizadas e que, tendo sido aproveitadas, diluiriam por completo as ditas gaffes na retaguarda. (foto: AFP)

Apesar disso, a verdade é que foi na zona central da defesa que Marco Silva mais mexeu ao longo da época, desesperadamente à procura de uma dupla capaz de corresponder à qualidade do resto da equipa.

Tal missão não começou da melhor forma: no defeso, os leões vêem sair Rojo e Eric Dier, jogadores que, em suma, seriam os titulares do eixo da defesa caso ficassem em Alvalade. Por cá ficaram o voluntarioso (e às vezes só isso) Maurício, e a promessa Paulo Oliveira; nomes como os de Nuno Reis, Tobias Figueiredo e Rúben Semedo estavam associados a empréstimos ou rodagem na equipa B. (foto: ASP)

Perante este panorama, a direcção leonina foi às compras, trazendo para casa Naby Sarr, jovem central francês de quase dois metros. O gaulês estreou-se a titular ao lado de Maurício na ronda inaugural do campeonato em Coimbra, e cedo se percebeu que a altura era o melhor que Sarr tinha para dar.

Com dois centrais lentos e de qualidade técnica, no mínimo, questionável, não foi muito difícil a Paulo Oliveira ganhar lugar no onze; afinal de contas, era o único central com o mínimo de velocidade e posicionamento exigido, e capaz de fazer dois passes seguidos…para companheiros de equipa. (foto: record.xl.pt)

Com a chegada de Janeiro a imprensa apressou-se a criar a necessidade nuclear do Sporting em contratar um central no mercado de Inverno, um tema que ganhou outra dimensão quando Maurício foi (felizmente!) transferido para a Lazio. Chegou então Ewerton por empréstimo, contudo a falta de ritmo de jogo levou-o para a equipa B durante uns tempos.

Enquanto isso, Tobias Figueiredo foi ganhando confiança, começando a revelar todo o potencial que lhe era apontado; pode não ser um prodígio da técnica, mas tem um elevado sentido prático associado a domínio do jogo aéreo e velocidade q.b. (foto: AFP)

Contudo, e como em quase tudo, o futebol é feito de oportunidades e foi assim que, após a expulsão de Tobias diante do Penafiel, Ewerton estreou-se de leão ao peito, causando imediatamente boa impressão nos adeptos e plantel leonino. O impacto do ex-Anzhi foi de tal modo grande, que já se fala na contratação em definitivo do central brasileiro.

A se confirmar tal cenário, é criada aqui uma situação delicada: em condições normais, Ewerton e Paulo Oliveira formariam a dupla de centrais titular, relegando Tobias Figueiredo para terceira opção. Ora o dilema reside exactamente aqui. (foto: abola.pt)

Após anos de formação e desenvolvimento, Tobias teve finalmente a sua oportunidade no Sporting, mostrando qualidade mais do que suficiente para ficar no plantel principal dos leões enquanto alternativa fiabilíssima e futuro titular. Todavia, e na sua suposta condição de terceiro central na próxima época, o jovem luso passaria mais tempo no banco, e arriscar-se-ia assim a ver o seu desenvolvimento estancar, podendo ser assim desperdiçado, a médio-longo prazo, mais um indubitável valor do nosso futebol.

Talvez o cenário não se vislumbre assim tão dramático, afinal de contas uma equipa como o Sporting deve disputar um número considerável de partidas ao longo da temporada, precisando para tal de alternativas de qualidade.

A verdade é que Ewerton chegou e, em pouco tempo ganhou a confiança de treinador e colegas de equipa, tendo provavelmente ganho lugar cativo no centro da defesa até final da temporada. Caso o brasileiro fique no plantel leonino, o técnico verde-e-branco terá três centrais de qualidade, e uma dor de cabeça que, ao contrário das do início desta época, Marco Silva receberá de braços abertos.

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