Marco Silva & Sporting: dos 4 anos de contrato até ao tabu da permanência
Foto: Pedro Ferreira

Marco Silva & Sporting: dos 4 anos de contrato até ao tabu da permanência

Foi no Verão de 2014 que Marco Silva assinou um contrato de longa duração com o Sporting, tornando-se aposta duradoura da direcção de Alvalade. Menos de um ano depois, a sua continuidade no clube é assunto tabu e a relação com Bruno de Carvalho, não menos que truculenta. Afinal, como passou o técnico de aposta duradoura a precária (in)certeza no reino do Leão?

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No Verão de 2014, o treinador mais apetecido da liga portuguesa assinava um longo contrato com o Sporting, que acabara de ver Leonardo Jardim ingressar no Mónaco. Marco Silva terá insistido na preferência por um vínculo de dois anos mas a direcção leonina optou por convencer o técnico a rubricar uma ligação duradoura: quatro anos no reino do Leão para o ex-líder estorilista. A lógica implicaria uma aposta contundente num técnico jovem que revitalizasse o futuro do clube.

Mas a lógica assim não se fez transparecer - desde logo começando pela posição da direcção leonina. Rapidamente o atrito entre Marco Silva e Bruno de Carvalho tomou conta do ambiente desportivo de Alvalade, com divergências assinaláveis a culminarem numa ruptura em Dezembro. Indirectas públicas de lado a lado, intransigentes posições de força que dificilmente seriam camufladas pela estória pacificadora do presidente - havia, de facto, uma grave dissensão em Alvalade (como viria a reconhecer mais tarde).

Pelo meio da polémica, intervenções controversas e bombásticas de uma personalidade notável do clube, que incendiaram ainda mais Alvalade e colaram o presidente à insofismável vontade de despedir o treinador logo em Dezembro. José Eduardo dava a sua versão dos factos, apontando o dedo a Marco Silva, julgando-o «polvo» de interesses obscuros e dias mais tarde de ter o objectivo de «depor o presidente» Bruno de Carvalho - da parte da direcção nem uma palavra. Apenas «blackout».

Segundo José Eduardo, Marco Silva não entendia o «projecto Sporting» e não estava preparado para seguir em frente; subentendidas ficaram críticas à relação do técnico com os jogadores e até com o seu agente, que detinha, à altura, a gestão das carreiras de Maurício, Fredy Montero, entre outros. O Sporting, passivo como uma rocha, nada disse - a defesa do treinador no qual fortemente apostara meses antes ficava por fazer: o silêncio ensurdecedor deixou claro que Silva não era consensual no reino do Leão.

A tímida e breve demarcação do Sporting em relação às palavras de José Eduardo (personalidade do círculo de confiança de Bruno de Carvalho) deu-se já após o tempo limite, de nada servindo - o silêncio deixara já demasiadas questões às quais o Sporting não podia já responder. Por entre os escombros da controversa relação, notícias sobre sucessivas cláusulas contratuais minavam aquela que antes fora uma aposta duradoura. Afinal, a confiança inicial em Marco não fora assim tão inabalável.

Fazendo fé nas notícias veiculadas pela generalidade da imprensa desportiva (o Sporting nunca se pronunciou oficialmente sobre elas), Marco Silva teria uma cláusula que permitira o seu automático despedimento caso terminasse a primeira volta com 15 ou mais pontos de desvantagem do topo da Liga. Além dessa, outra assinalaria que o alerta de despedimento poderia vir a ser accionado caso terminasse o campeonato abaixo da terceira posição. Ora, da confiança dos quatro anos de contrato para a sucessão de cláusulas de mau augúrio foram breves meses de trabalho - afinal, Marco era aposta de futuro ou incerteza de presente?

Aparentemente sanado o conflito (fazendo fé nas palavras do presidente), é tempo de analisar a presente temporada e projectar, planeando, a próxima. Mas o que disse Bruno de Carvalho a propósito de ambos os temas? No fundo, colocou um notório ponto de interrogação na continuidade de Marco Silva, não comentando a continuidade do treinador ao mesmo tempo que referiu a impossibilidade de fracassar nos objectivos de conquistar a Taça de Portugal e garantir a presença na «Champions» 2015/2016.

Não deixa de ser estranho que o treinador que reunia todas as condições para assinar por um projecto duradouro, feito de aprendizagens e progressos colectivos (tanto no âmbito da direcção como no da equipa técnica e plantel) esteja agora no meio de um tabu declarado - nem presidente nem o próprio treinador querem pronunciar-se sobre o assunto da manutenção do técnico em 2015/2016, tema que estaria longe de ser imprevisível para a massa adepta leonina aquando da aposta em Marco Silva. Aparentemente, a forte aposta  da direcção do Sporting nunca o foi - desde as cláusulas, passando pela polémica, até estar agora dependente da conquista da Taça de Portugal, muitas parecem ser as condições para que, afinal, Marco possa permanecer.

Aquilo que outrora parecia confiança plena, não parece ter sido mais que cautela camuflada de certeza. Menos de um ano após ir para o Sporting, Marco não sabe se continuará no clube, sequer se ele próprio quererá continuar. Desvaneceu rapidamente a contundência da aposta no jovem técnico, e até já muitos adeptos leoninos, que o seguraram em Dezembro e Janeiro, já encolhem os ombros quanto à possibilidade da sua saída no fim da temporada.

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