Benfica x FC Porto: Análise Táctica do Clássico

Benfica x FC Porto: Análise Táctica do Clássico

Com o clássico de Domingo a chegar, o Vavel Portugal debruça-se sobre as tácticas dos dois gigantes que se enfrentam na Luz.

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Francisco Fontes

A história do título de campeão Nacional 14/15 joga-se este Domingo no Estádio da Luz. Benfica e Porto defrontam-se num jogo que se revela decisivo para ambas as partes. Ao Benfica, até o empate pode servir (fica com 3 pontos de vantagem e sai na frente no confronto directo) enquanto que aos Dragões apenas os 3 pontos satisfazem a turma de Lopetegui. O jogo do título será uma verdadeira batalha táctica dentro de campo.

Um início de jogo a todo o gás

O início da partida, com hora marcada para as 17h00, será com certeza vertiginoso. O FC Porto, querendo apagar da mémoria a derrota pesada frente ao Bayern quererá demonstrar fibra de campeão e entrar a alta intensidade. Lopetegui saberá que grande parte das suas hipóteses em sair da Luz com os 3 pontos dependerão da forma como a sua equipa entrar no campo. Pensamos ser plausível esperar um Porto asfixiante, a jogar em campo inteiro e a pressionar a primeira fase de construção de jogo do Benfica. Para tal, a equipa deverá apresentar uma defesa bastante subida, com Alex Sandro e Danilo em constantes incursões pelas laterais para tentar causar desequilíbrios na defensiva do Campeão Nacional.

Igualmente, o meio-campo do Porto jogará um papel fundamental neste início de partida. Casemiro, o elemento mais recuado procurará dar qualidade na construção de jogo do Porto, à medida que também será ele a aguentar o meio campo contra potenciais contra-ataques da equipa da Luz. Quanto aos outros elementos do meio campo, Oliver e Herrera, caberá-lhes a tarefa de conseguir chegar a bola ao último terço do campo, para servirem o trio de ataque portista, que deverá ser formado por Brahimi, Quaresma e Jackson Martínez. Poderemos portanto esperar um início escaldante, com o Porto muito pressionante e a tentar chegar rapidamente ao golo.

A criatividade de Oliver pode desiquilibrar

Do lado do Benfica, poderemos esperar uma equipa mais expectante. Ao campeão Nacional, tanto o empate como a vitória servem, sendo que esta última sela praticamente o título. Assim sendo, o Benfica procurará sobretudo suster uma primeira ofensivas dos homens da Invicta. Causar esta frustração no Porto e ao mesmo tempo lançar contra ataques vertiginoso podem fazer rescussitar o fantasma de Munique na mente dos jogadores do Porto. Para tal efeito, Jorge Jesus deverá apostar num 11 de maior contenção. O prognóstico que fazemos inclui na lateral esquerda André Alemida, jogador com características mais defensivas que Eliseu para conter Quaresma/Brahimi.

No meio campo, Jesus quererá com certeza uma maior ocupação dos espaços para inviabilizar as acções dos criativos do Porto. Dada a eventual ausência de Salvio, apostamos que Jesus vai fazer figurar no seu onze Samaris e Fejsa no miolo mais recuado, ao passos que promove a alteração de Pizzi do lado direito, para dar mais cobertura a Maxi Pereira, sabendo de antemão que Gaitán será dono do lado esquerdo do ataque e que terá um papel fulcral no apoio a André Almeida na esquerda.

Duas identidades diferentes

Benfica e Porto são os dois líderes indiscutíveis desta Liga e sem dúvida os únicos que puderam sempre aspirar à conquista do título em Maio. No entanto, são duas equipas com abordagens ao jogo bastante diferentes.

Por um lado, os Encarnados privilegiam o futebol rápido de contra-ataque e primeiro toque, com uma grande exploração de jogo pelas alas. Não é por acaso que Gaitán/Salvio são uma das duplas que contam com mais golos e assistências da Liga Portuguesa. O miolo de Jorge Jesus, com Pizzi e Samaris não tem tido o objectivo de ter muita criatividade mas sim de conferir maior estabilidade na transição ofensiva e defensiva, para equilibrar a equipa em ambos os processos. O Benfica utiliza um 4-4-2 claro, com 2 alas que tentam servir os atacantes Jonas e Lima.

Fejsa poderá ser peça importante na Luz

Já do lado do Porto, a táctica à qual Lopetegui dá mais primazia é o 4-3-3. O treinador espanhol priveligia muito a posse de bola e aposta muito na mobilidade e circulação de bola. Grande parte do seu  jogo passa pelo miolo do terreno, se bem que também tem capacidade para desiquilibrar pelas alas, através de Brahimi, Tello ou Quaresma. No entanto, é no meio campo que se encontra a chave deste FC Porto. Casemiro funciona como pêndulo, um pouco à semelhança de Fernando em anos anteriores. Já o jogo ofensivo e a sua construção fica entregue ao pulmão de Herrera e à magia de Olíver Torres, dois jogadores que somam inúmeras assistências para golo esta época. Os laterais do Porto também jogam parte importante neste processo, pois são jogadores com grande propensão ofensiva e que criam muitas situações de dois para um frente ao lateral adversário, razão pela qual será fundamental um grande espírito de sacrifício e de entreajuda por parte dos extremos dos Encarnados.

A chave do jogo: A batalha do meio campo

Será portanto seguro dizer que a chave do Benfica x Porto e provavelmente do campeonato estará no meio-campo. É inegável a maior qualidade do meio campo Portista que conta com o músculo de Casemiro e a criatividade de Olvier Torres e de Herrera. No entanto, Jorge Jesus não se deixará enganar e procurará a melhor forma de travar o poderoso meio campo do Dragão. Com dois médios de combate Samaris e Fejsa, o treinador do Benfica poderá obter a ocupação de espaços e a agressividade necessária para travar as iniciativas do trio centrocampista do Porto e obrigar os Dragões a procurar mais o jogo pelos flancos. No entanto, a qualidade de Maxi Pereira, a inteligência táctica de André Almeida e o espírito de sacríficio dos dois extremos poderão ser um activo de peso para Jorge Jesus.

O pêndulo do meio campo Portista

O jogo de Domingo será uma verdadeira batalha táctica, em que os detalhes serão determinantes. Análises tácticas à parte, a emoção está garantida, em mais um Benfica x Porto escaldante, com lotação esgotada.

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