Barcelona & Juventus à lupa: Final da sobriedade e experiência

Barcelona & Juventus à lupa: Final da sobriedade e experiência

Mais do que um duelo entre os goleadores Alvaro Morata e Lionel Messi, a final da Champions entre Barcelona e Juventus representa a epítome da sobriedade e experiência.

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Rafael Reis

Numa análise geral a ambas as meias-finais da Liga dos Campeões, o desfecho reflecte a importância da sobriedade e maior experiência de ambos os apurados, Barcelona e Juventus, e que se estenderá à final de Berlim; esperar-se-á um encontro táctico dominado por jogadores habituados a muitas e longas ‘guerras’.

A maior surpresa (no plano estritamente teórico, dará pelo nome de Juventus, que afastou um Real Madrid que em ambas as mãos demonstrou que numa fase tão adiantada na Champions é impossível ter sucesso com um meio-campo tão desequilibrado e no qual sempre falta um verdadeiro jogador com cultura defensiva que tanto Barça como Juve possuem e dele se fazem valer para apresentar resultados – no caso dos merengues, a dependência de Luka Modric é total e o croata nem sequer foi opção…

Acrescente-se que Modric não é, nem nunca será, um médio defensivo ou sequer um jogador com esse tipo de características, consiste sim num jogador de classe mundial cuja categoria permite ao Real disfarçar o que em ambas as mãos frente à Juventus foi um problema insolúvel primeiramente com uma total inadaptação de Sergio Ramos à função e depois com um risco enorme com Toni Kroos a assumir um posto que em  boa verdade não é seu apoiado por um outro criativo como Isco.



Ataque da Juve será liderado por um Morata motivado e a atravessar grande momento

Todo este risco não compensou para o Real Madrid, que parece não contar seriamente com Sami Khedira (em final de contrato), Asier Illarramendi e Lucas Silva, duas contratações avultadas, todos eles atletas que evoluem precisamente na posição que tanta carência apresentou, o que indica que os três deverão abandonar o grupo. Fica a dúvida se na próxima temporada o agora portista Casemiro terá a sua oportunidade ou se o mercado ainda trará mais um nome a esta equação.

No que a esta temporada diz respeito, jogar sem meio-campo não chega para se vencer a Liga dos Campeões e disso tirou proveito a Juventus, uma equipa que em todas as eliminatórias até ao derradeiro encontro conquistou vantagens na primeira mão para depois controlá-las com mestria, fórmula que permitiu com maior ou menor dificuldade afastar Borussia de Dortmund, Monaco e Real, juntando-lhe um goleador emergente chamado Alvaro Morata.

Mais do que ‘trair’ o emblema que o formou, Morata representa um exemplo de brio que nunca deveria ter deixado o Bernabéu principalmente num plantel que para o seu lugar apenas pontificava Karim Benzema, o que obrigou à necessidade da chegada por empréstimo de Chicharito Hernandez, atacante com qualidade mas de potencial manifestamente inferior ao do espanhol que muito tem ajudado uma Juve que comprova que o futebol é mesmo um caso de trabalho e muita evolução.

No espaço de um ano, o mesmo plantel reforçado por Morata e Patrice Evra caía com justiça na meia-final… da Liga Europa perante o Benfica, o que não impediu que nesse período de tempo a equipa tenha crescido em consistência com os resultados a falarem agora por si só, em especial numa semifinal na qual foi importante o retorno do suplemento de classe que é o talentoso Paul Pogba que muito trabalhou, segurou ímpetos e ainda assistiu Morata para o golo que vale a qualificação.


Favorito Barça terá como sempre Messi, em busca de uma quinta Bola de Ouro que parece próxima

Perante a ‘vecchia signora’ coloca-se agora um adversário de muito respeito e provavelmente a equipa em melhor forma na actualidade do futebol europeu, o Barcelona, que merece em pleno a final pelo trabalho desenvolvido por Luis Enrique num ‘tiki taka’ que parece tão Nou quanto a casa dos catalães, com maior dinâmica e velocidade de execução que permitiu mesmo suplantar um dos criadores desse estilo, Pep Guardiola, e o Bayern.

Conquistar a Champions para o Barça representa não só (o que não será nada pouco) a possibilidade de arrecadar uma dobradinha como em termos individuais deverá reencaminhar Lionel Messi para a Bola de Ouro, voltando a destronar Cristiano Ronaldo no que poderá ser uma inédita quinta para o argentino (e para qualquer jogador na História do futebol) que voltou ao seu mais alto nível esta temporada e ainda terá dentro de algumas semanas uma Copa América que poderá sublinhar essa conquista.

Uma grande exibição de Messi frente ao quase eterno campeão italiano poderá ser a maçã no topo do bolo para Messi, esperando-se agora pelo seu confronto com a cerrada defensiva da Juve que estará concentrada ao máximo e motivada a não estar pelos ajustes perante as suas movimentações com elementos de enorme experiência como Giorgio Chiellini, que reeditará um duelo com Luis Suárez de… dentes cerrados, literalmente no caso do uruguaio. Para ter em atenção na gala na capital alemã. 

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