Verão desportivo de proporções bíblicas: Sporting no Céu ou a cruz de Jesus?

Verão desportivo de proporções bíblicas: Sporting no Céu ou a cruz de Jesus?

A transferência de Jorge Jesus poderá representar o melhor golpe da História do Sporting ou quem sabe o suicídio para clube e treinador em caso de insucesso.

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Rafael Reis

Seis anos depois termina um ciclo no Benfica ao lado de Jorge Jesus, o que obriga as águias a reagir de imediato, e a escolha deverá passar por Rui Vitória. Após o impasse nas negociações, Jesus causou espanto generalizado por ao que tudo indica acordar a sua ida para o Sporting, dando início a uma nova era no futebol português e quem sabe ao regresso de uma rivalidade a três como há muito não acontecia.

Na sua entrada o treinador consigo carrega as várias vantagens e desvantagens que se podem acarretar com o intuito de em Alvalade conquistas como a recente Taça de Portugal não sejam uma raridade e espaçados no tempo com sete anos de intervalo.

Sem dúvida: um grande golpe o das últimas horas levado a cabo por Bruno de Carvalho, que tem excedido todas as expectativas, para encetar um ataque de rendimento desportivo para várias unidades influentes do actual Sporting à imagem do que Jesus havia feito com sucesso na Luz e vários jogadores poderão ser os principais beneficiários do trabalho de Jesus em exponenciar as características dominantes das suas unidades.

No entanto, é necessário esperar para ver se conseguirá aumentar a produtividade de Islam Slimani, por exemplo, ou se nesse capítulo falhará como sucedeu também em alguns casos no Benfica como Derley, que não conseguiu ’moldar’ da forma como o desejaria.

Por outro lado, se no Benfica Jorge Jesus não parecia disposto a apostar nos valores da formação, no Sporting será diferente? Não parece crível, com o acréscimo de no Sporting não existir neste momento uma estrutura montada para suportar um projeto muitas vezes megalómano como o de Jesus, que como se sabe não aposta em jogadores de nacionalidade portuguesa.

Por esse motivo, os elementos proeminentes que se encontram na equipa B e mesmo outros jovens que estiveram emprestados para rodar como Ricardo Esgaio, Iuri Medeiros e Filipe Chaby ou até Rúben Semedo, este por motivos disciplinares, terão residuais possibilidades de permanecer sob a égide de JJ.

Como tal, existe um cenário muito possível no qual se pode prever um futuro problemático para JJ no Sporting - muito complicado para o técnico ter sucesso pelos leões já esta época, por várias e diferenciadas razões, pelo que neste Verão pode até ter dado início ao final da sua carreira de sucesso por motivos que ainda se desconhecem mas que deverão ligar-se a muito dinheiro, enorme ambição e uma ligação sentimental a um clube pelo qual se alimenta carinho.

Começando nos supracitados riscos de exponenciar valores de potencial arriscado e um passado de descrédito pelos jovens que chegam a partir da formação e acabando no próprio relacionamento com outro ‘chefe de fila‘ como Bruno de Carvalho, Jesus pode vir a ter tudo para correr mal, enquanto para o bem ou para mal o Benfica, mesmo a ter de mudar de treinador, continua a ter bem delineado o seu projecto desportivo de domínio em Portugal.

Mesmo o FC Porto apostará na continuidade com Julen Lopetegui, com quem Jesus poderá continuar a manter uma específica rivalidade na luta pelo topo da classificação, agora com o mesmo objectivo - roubar o ceptro ao Benfica, sem se poder esquecer os electrizantes regressos de Ricardo Quaresma a Alvalade, onde é fortemente assobiado, e onde agora abraçará o treinador adversário.

A mudança de Jorge Jesus para Alvalade assume-se como uma reviravolta na qual poucos acreditavam; há alguns dias, quem diria que JJ iria rumar ao Sporting numa transferência de enorme risco que poderá ser um golpe de génio mas que neste momento parece até mais próxima da ruína das ambições do próprio treinador e até do equilíbrio financeiro do próprio clube ainda que seja o tempo a ditar lei… e enganar os mais cépticos.

Mediática mudança poderá num eventual cenário negativo vir a ser o suicídio para clube e treinador

No entanto, é certo que muito se arrisca neste golpe e o que para muitos se trata de uma tentativa de afronta a Luís Filipe Vieira por parte não só de Bruno de Carvalho como da parte do próprio Jesus pode vir a custar o sucesso da sua carreira, pois não parece sequer fazer sentido manifestar a ideia de que no Benfica o treinador bicampeão nunca mais voltará a entrar...

Até há pouco tempo, esta seria uma ideia inacreditável, mas está perto de concretizar-se, com o Sporting a arriscar tudo no que em caso de insucesso será o caminho para a falência financeira com este passo apesar do gáudio generalizado entre os comentadores afectos aos verde-e-brancos.

É certo que não será o Sporting directamente a investir estes elevados valores, pelo menos para já, com a confirmação da entrada de investidores. Mesmo assim, se Jesus nada ganhar no primeiro ano, uma situação que não deixa de ser provável face á conjuntura actual, é certo e sabido que quem investe também pode no dia seguinte desinvestir tendo a ‘faca e o queijo na mão‘...

Quem conhece o meio futebolístico saberá que é uma ideia utópica pensar que quem irá pagar são os investidores - a curto, médio ou longo prazo, quem paga é o Sporting, e a realidade retrata que neste momento os leões não possuem liquidez para suportar um vencimento desta dimensão e mesmo entrando investimento dentro de algum tempo a SAD sentirá as consequências deste endividamento.

A contratação de Jorge Jesus deve ser encarada como um patrocínio, não uma oferta, sabendo-se ainda que o Sporting não possui as mesmas condições de retorno que por exemplo o Benfica no que respeita a bilheteira, patrocínios, encaixe de transferências, receitas televisivas, marketing e merchandising, pelo que num cenário negativo de insucesso desportivo o leão poderá estar hoje a caminhar para o seu suicídio.

Suicídio esse que pode dividir-se.. entre todos, mas acima de tudo para Jesus, que poucos dias depois de ser apontado a grandes clubes internacionais, durante pouco tempo chegou a especular-se clubes como o Real Madrid, terá inclusivamente de lutar para chegar à Liga dos Campeões num percurso que será tudo menos fácil.

Por seu turno, no que ao Benfica diz respeito, chega o momento de provar quem mais necessitava: se Jesus do Benfica ou se o Benfica de Jesus numa temporada 2015/2016 que se tornou assim a época mais intensa e esperada na História do futebol português. Sim, é mesmo verdade, JJ segue para o Sporting, onde agora necessita de estabelecer referências como conseguiu com sucesso na Luz com jogadores como Maxi Pereira… que continua com o futuro indefinido na Luz.

Segundo rezam as crónicas, Jesus estará mesmo garantido por 3 anos e quase 6M€ brutos por ano, sem contar com prémios, um excepcional salário para o técnico mas ao mesmo tempo um enorme encargo para o Sporting que para cobrir o investimento se vê na obrigação de realizar um grande encaixe financeiro, quem sabe se já neste Verão.

Caso contrário o leão fica sob pena de colocar o próprio futuro em risco pois não só tem de amortizar o enorme esforço desenvolvido para contratar Jesus como para lograr o feito que no Sporting seria praticamente inédito de suportar uma época á volta de 60 jogos oficiais na luta por todas as competições. 

Chegar ao resultado pretendido com a contratação de Jesus será muito difícil atendendo ao plantel que o Sporting possui neste momento ainda que se possa apontar como garantia de ‘chancela Jesus’que este novo leão irá jogar um excelente futebol, ficando a dúvida se o actual plantel suportará o ritmo de jogo e de treino e mesmo o estilo de jogo da eleição do técnico.

Não se espera uma reacção calorosa quando Jesus regressar á Luz enquanto adversário

Com essa metodologia o treinador deixa algum trabalho feito na Luz com atletas com perspectivas de grande crescimento ainda que até este momento pouco utilizados, como César e Hany Mukhtar, a juntar aos restantes nomes que ajudou a notabilizar, e agora esperará fazer o mesmo em Alvalade.

Como tal, este Sporting necessita de reforços, sendo que não existe capital para tal no seio do clube, pelo que se pode prever que o emblema de Alvalade vá contratar em quantidade, o que nem sempre resulta em apostas de sucesso - aliás, a análise às últimas épocas do Sporting demonstra pouca qualidade na generalidade das contratações, o que tem acontecido especialmente na era Bruno de Carvalho.

Esse é mais um ‘aviso á navegação’ para uma equipa que necessita de bons resultados no imediato, isto porque na eventualidade de Jorge Jesus vir a ter um inicio de época ao nível do fatídico mês em que Marco Silva se despediu de praticamente todas as competições este novo projecto passa de imediato a estar em causa e desta feita em Alvalade procura-se bem mais do que a Taça de Portugal - conquistas como a Liga tornaram-se também obrigatórias.
 
A exigência máxima começa logo em Agosto com a disputa da Supertaça precisamente frente ao Benfica com um plantel que para já perdeu Nani, a sua principal referência, sem esquecer que na outra  ‘barricada’ da 2ª Circular, onde até há pouco tempo era bem feliz, se baptizou já a ‘traição de Jesus’.

Tal como o mediatismo da sua mudança, a sua ‘traição’ é também vista como grande pelos adeptos de um clube que o acolheu da melhor maneira possível, principalmente nesta última época na qual em toda a sua duração foi pedindo o apoio do público para depois o abandonar numa acção encarada com choque pelos mais fervorosos apoiantes encarnados, pelo que não se espera a melhor reacção quando se consumar o seu regresso como adversário.

Com tantos obstáculos pela frente, apenas muito dificilmente não se poderiam desenhar cenários nos quais Jesus se dirige para a sua cruz; não se colocando em tempo algum a sua valia como treinador, é ao mesmo tempo certo que por muito mérito que possa ter o treinador não joga e se o Sporting não nada conquistar poderá mesmo estar a pôr o rumo da sua carreira numa movimentação tida apenas com o objectivo de ganhar mas que está longe de ser sucesso garantido.

Outro aspecto que pode fazer alguma ‘espécie’ a quem acompanha a modalidade é o do próprio dinheiro para o efeito, que chegará desde proveniências de moralidade pouco clara como a Guiné Equatorial, onde se conhece perfeitamente qual o ponto de influência, o ditador Teodoro Obiang e o estado de miséria a que vota os seus próprios habitantes, e Angola pela mão de Álvaro Sobrinho.

Uma das faces do Escândalo BES que após ter sido ilibado não sem antes ter tido uma intervenção a roçar o ridículo no inquérito movido pela Assembleia da República, Sobrinho regressa agora, mais forte do que nunca, ‘em grande’, para investir no Sporting. Hoje e mais do que nunca apraz relembrar o adágio de que o dinheiro não envelhece nem tem cor, seja ela qual for…

Tudo somado, um negócio em que os leões incorrem num enorme risco de cair no lodo em termos financeiros face às dívidas já existentes, aquelas que agora se irão criar, a juntar ao facto de o clube não ter sequer dinheiro para construir um pavilhão para as modalidades e que ainda na semana passada chegou a cobrar entradas no seu estádio para que os próprios adeptos pudessem festejar a conquista de um troféu...

Dias depois, o Sporting surge a contratar um dos mais caros treinadores da actualidade numa incompreensível gestão de clube em termos financeiros. Valerá a pena ‘empenhar os dedos e os anéis’ na perspectiva desportivos?

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