Andrea Pirlo, o «regista» intemporal, despede-se da «Vecchia Signora»

Andrea Pirlo, o «regista» intemporal, despede-se da «Vecchia Signora»

O médio intemporal «regista» italiano vai jogar no clube norte-americano de Nova Iorque e assim juntar-se a Frank Lampard e a David Villa, astros que já se encontram no clube.

paulopereira79
Paulo Pereira

O experiente «regista» Andrea Pirlo já é jogador do New York City, ele que nas últimas quatro épocas alinhou na tricampeã Juventus. «Pirlo vai continuar a sua carreira no New York City FC após quatro épocas na Juventus», afirmou o clube norte-americano na rede social Twitter.

O arquitecto chegou a Nova Iorque

No novo clube, o New York City, alinham também as estrelas Frank Lampard e David Villa, e o emblema da cidade de Nova Iorque ainda vai ter outro reforço vindo do velho continente, o espanhol Angelino, cedido pelo Manchester City. O jovem defesa esquerdo, de tenros 18 anos, irá alinhar no clube por empréstimo do City, confirmou esta segunda-feira o clube inglês. «Tenho de me habituar a jogar entre homens, e justificar a oportunidade para voltar ao City no final da época uma vez terminado o empréstimo», afirmou o espanhol na hora da partida.

A «vecchia signora» fez um homenagem ao talento ímpar do médio italiano Pirlo, de 36 anos, dedicando-lhe um extenso texto com o título «Obrigado Maestro». Pirlo, natural de Brescia, irá pela primeira vez emigrar na sua carreira profissional, depois de ter representado o Brescia, o Inter, o Reggina, o AC Milan e a Juventus, nunca tendo abandonado o Calcio. Na avolumada bagagem o médio leva duas Liga dos Campeões, duas Supertaças Europeias, seis Ligas italianas, três Copas italianas e um Campeonato do Mundo, entre muitos outros títulos.

Pirlo tem currículo invejável (Foto: Giuseppe Cacace / Getty Images)

Juventus presta homenagem: «Obrigado Maestro»

«Obrigado Maestro. Não se pode começar se não com estas duas palavras de saudação a homenagem a Andrea Pirlo no final da sua aventura «bianconera». Obrigado pelo que fizeste ver, viver, vencer nestes quatro anos.

Maestro, porque, de todos os sobrenomes, foi sempre aquele que agradou mais. Os companheiros chamam-lhe Professor e, de facto, para eles, campeões afirmados, encontrarem-se ao lado de Andrea é como estar numa master class. Para quem, por outro lado, não é profissional, conhecer a simplicidade refinada do seu jogo é uma revelação contínua, é como descobrir a própria essência do futebol. É por isto que, para nós, Maestro é o mais indicado. E, depois, é o designativo dos artistas, sejam eles pintores, realizadores de cinema, diretores de orquestra.


Pirlo, em campo, é isto tudo. É carisma silencioso, é controlo de bola, é a finta que surpreende um, dois, três adversários de um golpe. É a abertura de improviso, o balão que passa por cima da defesa. É a cabeça em permanente evolução, quando o jogo está distante. Um olhar à direita, um ao centro, um à esquerda, para ter debaixo de olho companheiros e adversários. Para saber primeiro que todos o que acontecerá: não é premonição, não é instinto. É inteligência pura e simples.

Um dom que, unido a dois pés delicados e precisos, plasmaram um fora de série inalcançável. É também graças a ele que a Juventus, hoje, está novamente no topo do futebol italiano e europeu: com ele, com a sua chegada no verão de 2011 iniciou-se o nosso exultante caminho. Com uma assistência sua para Lichtsteiner, a 11 de setembro daquele ano, começou a ditadura do Stadium, inaugurado apenas três dias antes.

Alguns meses depois marcará o seu primeiro golo «bianconero»: 18 de fevereiro de 2012, Juve-Catania, livre direto aos 22 da primeira parte. Kosicky permanece parado, petrificado, a ver a bola alojar-se à sua esquerda. Nos quatro anos seguintes a cena repetiu-se outras 14 vezes: dos 19 golos marcados pela Juventus, em 164 jogos, 15 foram em lances de bola parada, geralmente nos minutos finais. Como aquele em Génova, a 16 de março de 2014, elemento fundamental no «scudetto» do recorde. Ou aquele quatro dias depois, marcado em Florença, na Liga Europa. Ou como o golo no “derby” de novembro passado, este não de livre, marcado a quatro segundos do fim.

Com a sua capacidade de permanecer frio e lúcido nos momentos mais delicados, imperturbável, também houve boa disposição e ele prestou-se a isso de boa vontade. A campanha social #PirloIsNotImpressed tornou-se de repente um tormento e, confessamo-lo, perguntámo-nos muitas vezes como foi possível concluí-la. Também desta vez Andrea antecipou tudo decidindo iniciar uma nova aventura em Nova Iorque.


Tecnicamente, neste caso, fala-se de resolução consensual do contrato. Nós gostamos mais de pensar neste momento como um aperto de mão, como uma palmada nas costas entre amigos que partilharam experiências extraordinárias. E que guardam, um em relação ao outro, afeto, estima e profunda gratidão. Para o Andrea, jogar e vencer com a Juventus foi a lógica, a quase inevitável consequência de uma carreira já constelada com sucessos, enriquecida nos últimos quatro anos, com outros tantos «scudetti», uma Taça de Itália e duas Supertaças italianas. Para a Juventus e para os seus adeptos ter admirado Andrea, ter partilhado com ele emoções e vitórias, foi um prazer e um privilégio.

E agora, obrigado Maestro e boa sorte, seguir-te-emos também do outro lado do oceano. Now #WeAreImpressed»

Elogios ao «regista» intemporal

Ao longo dos tempos também muitos colegas e treinadores o elogiaram. «Andrea é único, só pode ser comparado a Xavi». Afirmou Cesare Prandelli, antigo treinador de Pirlo na selecção de Itália.

«É um jogador fantástico. Tem uma grande visão de jogo e consegue colocar a bola onde quer. Jogar com a cabeça é muito importante neste desporto. As pernas não são suficientes quando não se usa a cabeça». Johan Cruyff, três vezes campeão europeu como jogador do Ajax.

«Jogar com Pirlo é fantástico, todos os dias aprendemos algo novo. Há muitos anos que é um jogador de topo. Quando o vemos jogar queremos ser como ele». Paul Pogba, antigo colega de Pirlo na Juventus.

«Pirlo é um líder silencioso: fala com os pés. É um campeão e consegue adaptar-se a qualquer situação táctica. Tem classe, inteligência e personalidade. Sabe como ser decisivo em qualquer equipa». Palavras de Marcello Lippi, antigo treinador de Pirlo na selecção de Itália.

«Vê-lo na televisão é diferente de jogar com ele. Alinhar a seu lado é fantástico, é tão forte. Sempre o observei, na tentativa de lhe roubar alguns segredos. Quando fica a marcar livres e já terminei o treino, volto a calçar as botas só para o observar». Palavras sentidas de Álvaro Morata, antigo colega de Pirlo na Juventus.

«Quando o vi jogar pensei: Deus existe, pois o talento que tem para o futebol é extraordinário». Declarou o lendário guarda-redes Gianluigi Buffon, antigo colega de Pirlo na Juventus e na selecção de Itália.

«Sempre considerei Andrea o melhor jogador italiano. Defrontei-o muitas vezes, das camadas jovens até ao campeonato do Mundo, posso garantir que indiscutivelmente é um campeão. Há dezoito anos já era a estrela da equipa, sempre foi um jogador decisivo». Xavi Hernández, antigo médio do Barcelona e da selecção de Espanha.

* Pirlo VIDEO: WE DO NOT OWN THE RIGHTS TO THE CLIPS OR MUSIC. ALL RIGHTS BELONG TO THEIR RESPECTFUL OWNERS. This video is not intended to violate any Condition of Use. Copyright Disclaimer Under Section 107 of Copyright Act 1976, allowance is made for "fair use" for purposes such as criticism, comment, news reporting, teaching, scholarship, and research.

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