Porto de elite superioriza-se ao Chelsea sob os holofotes da Liga milionária

Porto de elite superioriza-se ao Chelsea sob os holofotes da Liga milionária

Noite de gala proporcionada por um FC Porto de elite que vulgarizou o Chelsea no regresso de José Mourinho ao Estádio do Dragão. O meio-campo portista engoliu o pendor criativo dos «Blues» e o Dragão voltou a viver noites de magia europeia sob a batuta de Julen Lopetegui.

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Foi um FC Porto de gala aquele que ontem recebeu o poderoso Chelsea de José Mourinho, no reduto do Dragão - no regresso do «Special», tornado «Happy One», a uma casa onde fora (muito) feliz, o Chelsea não foi capaz de extinguir a chama do Dragão e acabou mesmo por ser subjugado, com classe, pela exibição da equipa de Julen Lopetegui. Quem ontem viu o FC Porto fluído, eloquente e pontiagudo, dificilmente entenderá porque razão a mesma equipa deu fraca mostra de si três dias antes, frente ao modesto Moreirense - será este Porto «made to be» europeu?

Porto personalizado, Chelsea a meio-gás

A entrada dos portistas em campo logo reflectiu a atitude concentrada e ambiciosa do colectivo - com Martins Indi na esquerda da defesa (opção que garantiu maior contenção defensiva), um meio-campo onde Danilo Pereira era a âncora defensiva, Rúben Neves a reforçada aposta e André André o cérebro (deslocado para a faixa) e o ataque novamente liderado pelo camaronês Vincent Aboubakar, o Porto mostrou garra e tarimba para ombrear com o milionário Chelsea, pressionando com sagacidade e impondo uma luta intensa pela posse de bola. 

Não que os «Blues» não tenham entrado com ameaças à baliza de Iker Casillas - as derivações de Diego Costa para o flanco canhoto foram constantes e Pedro Rodríguez obrigou, aos 14 minutos, o guardião espanhol (que bateu o recorde de presenças na prova, 152ª, mais uma que Xavi) a uma defesa apertada. Maxi Pereira respondeu, e, numa incursão pela direita, alvejou as redes de Asmir Begovic - o disparo não passou distante do poste. Três minutos depois, aos 39, Yacine Brahimi, o mágico de serviço, ludibirou Ivanovic e rematou para a possível defesa de Begovic. Na recarga, André André, oportuno, inaugurou o marcador.

A resposta do Chelsea ao golo caseiro cheirou a golo caído do céu, marcado pelo pé divinal de Willian: na sequência de um livre directo, aos 45+2 minutos, o médio brasileiro disparou e Casillas, pregado ao relvado, apenas pôde vislumbrar o empate da equipa de José Mourinho, O empate não abalou o FC Porto, e, apesar de Diego Costa voltar a ameaçar as redes do Dragão no arranque da segunda parte, os portistas voltaram a dominar as operações a meio-campo (Fàbregas foi engolido pelo controlo portista). Aos 51 minutos, Maicon, marcado de forma passiva, cabeceou ao primeiro poste após um canto: 2-1 e novo júbilo no reduto do Dragão.

Golo de Maicon deu confiança que não mais foi abalada

O segundo golo do central brasileiro em apenas dois jogos (marcou ao Moreirense) teve o condão de reforçar a confiança da equipa - apesar da barra de Casillas ter bamboleado após um remate quase perfeito de Diego Costa (arco delicioso descrito em pleno ar), o Porto não vacilou e, a partir do golo, colocou em campo toda a sua classe, tranquilidade e segurança. Na resposta ao remate do avançado brasileiro do Chelsea, Brahimi e Rúben Neves estiveram perto de marcar, expondo o nervosismo que reinava no sector defensivo dos «Blues». Para reanimar a equipa, Mourinho lançou Eden Hazard e tirou o obsoleto Obi Mikel.

Com o craque belga em campo, pouco mais o Chelsea foi capaz de fazer do que lançar ocasionais fogachos ofensivos (num deles Hazard aproveitou erro de Indi Martins para tentar o empate) mas sem nunca demonstrar a tranquilidade e classe do adversário. Nos vinte minutos finais, o Porto alimentou-se da descoordenação e desmotivação londrina para impôr o seu jogo superior. Rúben Neves exibiu-se a um nível espectacular (que maturidade precoce), André André voltou a mostrar que sabe ser o impulsionador do pensamento ofensivo da equipa e Danilo Pereira, combativo, soube ser o pilar que sustentou o meio-campo (Imbula subiu o nível também).

Chelsea perdeu-se em campo, Porto de bitola europeia espalhou classe

Aos 70 minutos, o Porto iniciou uma série de pequenos massacres, nos quais encostou, de forma embaraçosa, o Chelsea às cordas - Imbula esteve perto do golo, e, em sucessivas recargas, nem André André nem Brahimi foram capazes de sentenciar a partida. Aos 72, o argelino bailou e, perante uma defesa a sucumbir, esteve perto de terceiro tento. O médio sérvio Nemanja Matic entrou (73 minutos) para reorganizar uma equipa em cacos, mas o ímpeto portista dificilmente poderia já ser interrompido - Danilo Pereira enviou a bola ao poste a dez minutos do fim, no último lance digno de arrancar suspiros às bancadas.

Com esta vitória (que reedita o 2-1 caseiro de 2005, única vitória do Porto sobre o Chelsea até ontem) o Porto soma 4 pontos no grupo G e ultrapassa o clube londrino (que apenas tem 3). O Porto de Julen Lopetegui volta assim a espantar a Europa do futebol, depois de ter arrancado um épico triunfo sobre o colosso bávaro Bayern Munique (nos quartos-de-final da edição transacta). Já José Mourinho, esse, continua sem vencer no Estádio do Dragão na condição de adversário.

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