Para Jorge Jesus, participar e ganhar (nunca) será um problema?

Para Jorge Jesus, participar e ganhar (nunca) será um problema?

A postura de Jorge Jesus referentemente à Liga Europa, considerando um problema ter de disputar o apuramento na recepção ao Besiktas, tem sido reprovável e inqualificável para um clube com os pergaminhos e responsabilidade do Sporting.

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Rafael Reis

Comentários invulgares e curiosos são uma realidade no futebol, em especial no português. No entanto, na semana passada terá sido proferida uma frase que provavelmente não mais será esquecida pelos apreciadores da modalidade e da competitividade que esta sempre encerra pelo facto de pela primeira vez (pelo menos que me recorde) ter sido dado a entender que uma vitória histórica se tratou de um facto negativo.

Passemos a factos: nunca o Sporting tinha sido capaz de vencer na Rússia tanto na Liga dos Campeões, como nas extintas Taça UEFA e Taça das Taças nem tão-pouco na Liga Europa e depois da derrota caseira frente ao Lokomotiv e do próprio desinvestimento e falta de aposta do próprio clube na Liga Europa poucos acreditariam que os leões seriam capazes de vencer em Moscovo, muito menos de golear como foi o caso.

Imprevisível como sempre, o futebol e os seus desígnios tornaram possível a uma equipa do Sporting privada de cinco titulares e na jornada imediatamente subsequente a um verdadeiro vexame europeu que é perder perante uma equipa que até então nunca havia vencido um encontro na fase de grupos de uma prova como a Liga Europa e que depois… voltou a perder, como é o caso do Skenderbeu, que foi goleado com facilidade em Alvalade, desta vez vencer na visita ao Lokomotiv.

Postura de Jorge Jesus em relação à Liga Europa é profundamente infeliz

Esta terá forçosamente de ser vista como uma vitória dos jogadores, que abordaram a partida frente aos russos com uma ambição que Jorge Jesus nunca teve, ou não se tivesse já dado como praticamente eliminado aquando da derrota na Albânia ou na conferência de imprensa já na Rússia ter retirado qualquer pressão sobre a equipa nesse jogo. No entanto, o pior estaria para vir, no pós-jogo - depois de uma goleada histórica, o treinador considerou ter sido criado um “problema”.

Mesmo tendo em conta o questionável desinteresse do Sporting pela Liga Europa, uma prova na qual os verde-e-brancos poderiam alimentar legítimas aspirações de discutir a sua conquista se… isso quisessem (e discutir títulos não significa ser obrigado a conquistá-los), terá de ser visto como inqualificável a visão de que a possibilidade dos leões em passar à fase seguinte da competição ser um problema, como apelida Jesus.

Problema, isso sim, será um plantel com a qualidade de que dispõe o Sporting ser afastado num grupo em que é claramente superior mesmo tendo em conta o prestígio internacional de Lokomotiv e Besiktas, um rival que apesar de contar com valiosas armas se encontra claramente ao alcance da equipa lisboeta caso essa partida seja encarada com a seriedade necessária: bastaria à equipa leonina apresentar a mentalidade vencedora que já garantiu três triunfos sobre o grande rival Benfica.

Depois de ter contabilizado sucessivos insucessos e desrespeitos pela Liga Europa que fizeram com que tenha desperdiçado boas oportunidades para juntar um título internacional ao seu currículo, Jorge Jesus parece de facto não ter aprendido a ‘sua’ lição, principalmente por em termos europeus ter contribuído para um decréscimo qualitativo do clube que agora orienta que, ressalve-se, na época passada ainda disputava a Liga dos Campeões com claras possibilidades de atingir os oitavos-de-final.

Comportamento nas derrotas frente a Lokomotiv e Skenderbeu foi no mínimo reprovável

Em 2015/2016, o Sporting não só falhou o acesso à Champions como encara a Liga Europa com um provinciano espírito de Taça da Liga que chega até a roçar a falta de respeito e a minar o prestígio internacional de um clube com pergaminhos e historial como o de Alvalade que apesar de liderar a Liga em Portugal, fora de portas está longe de repetir a muito interessante performance do ano passado na mais importante prova de clubes.

Não sendo tão apetecível desportiva e financeiramente, a Liga Europa não é, longe disso, uma competição de somenos importância e deve mesmo observar não só o comportamento dos leões na recepção ao Lokomotiv e na deslocação ao Skenderbeu, concluídas com derrotas até embaraçosas face à displicência mostrada por todos os intervenientes, e ainda o comportamento do seu treinador como lamentáveis.

Com uma ressalva: ficará manchada a imagem do Sporting em termos internacionais caso não se empregue a fundo contra o Besiktas num jogo que na prática deveria ter tanta importância quanto a final da Taça de Portugal que os leões conquistaram frente ao Sp. Braga em Maio, pois estará uma eliminação europeia em jogo. E quem sai prejudicado não é apenas o leão, é mesmo o futebol português e o seu já longo percurso, o que deve ser profundamente lamentado. 

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