O futebol chinês: potência futebolística do futuro?
(Foto: DIPTENDU DUTTA / AFP)

O futebol chinês: potência futebolística do futuro?

A China acordou para o futebol e muitos são os que se questionam se estamos perante uma nova potência futebolística.

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João Rodrigues

O mercado de Inverno fez sobressair uma nova aposta no futebol mundial. Falamos da China e da valorização do seu campeonato. O futebol chinês está a demonstrar que quer crescer e se possível chegar ao estatudo de potência, objetivo já assumido pelos dirigentes daquele país. Um sonho, que mesmo estando muito distante, já esteve mais longe de se concretizar. 

Estatuto consolidado na Ásia

Guangzhou Evergrande é penta-campeão chinês e venceu a última edição da Liga dos Campeões Asiática(Foto: Divulgação)
Guangzhou Evergrande é penta-campeão chinês e venceu a última edição da Liga dos Campeões Asiática (Foto: Divulgação)

Apesar de só agora começar a ser um destaque no mundo inteiro, o futebol chinês já tem há algum tempo o seu estatudo consolidado na Ásia. Talvez seja por isso que os responsáveis querem agora alargar horizontes pelo Mundo. Exemplo dessa consolidação é a conquista da última Liga dos Campeões Asiática por parte do Guangzhou Evergrande.

Já em relação ao campeonato, temos um liga bastante competitiva. Constítuida por 16 equipas, a Superliga Chinesa desenrola-se ao longo de 30 jornadas. No final da temporada, os dois últimos classificados são despromovidos enquanto que. no topo da tabela, os três primeiros classificados garantem o apuramento para a Liga dos Campeões Asiática, tal como o vencedor da taça. Como podemos ver, temos um formato muito semelhante a grande parte das ligas europeias, pelo que não será por aí o falhanço do objetivo.

A China acordou e o Mundo abanou

Os clubes nacionais fizeram parte de um mercado de inverno bastante concorrido, aumentando ainda mais a curiosidade em torno do seu campeonato. A contratação de jogadores estrangeiros juntamente com os salários exorbitantes, têm protagonizado uma viragem surpreendente no interesse daquele campeonato. Este é o ponto principal da imagem de marca do futebol chinês. Exemplos disso, são as chegadas de jogadores como o ex-benfiquista Ramires, Gervinho ou ainda o ex-FC Porto Freddy Guarín. Podemos dizer que foram principalmente estes três jogadores que alertaram o futebol ocidental para o processo que está a decorrer. É caso para dizer que a China acordou e o Mundo abanou.

Jogadores de topo, treinadores consagrados

Ricardo Goulart (esq.) e Diego Tardelli na suas apresentações. (Foto: doentesporfutebol.com.br)
Ricardo Goulart (esq.) e Diego Tardelli na suas apresentações. (Foto: doentesporfutebol.com.br)

O futebol chinês é muito diferente do de países como os Estados Unidos, Quatar ou Emirados Árabes Unidos. Se a esses países chegam jogadores de nome sonante já no fim das suas carreiras, ao futebol chinês  estão a chegar jogadores ainda  no auge das suas carreiras. Ramires  e Gervinho têm 28 anos, Guarín um ano a mais apenas.

Há ainda nomes como Paulinho, Alan ou Ricardo Goulart, entre muitos outros brasileiros. Podemos ainda falar de nomes como o recém-chegado e bem conhecido Jackson Martínez ou Tim Cahill. Por cá, este efeito tem-se  feito igualmente notar.. Alguns clubes como o Nacional da Madeira ou Vitória de Guimarães com Rondón ou Rodrigo Defendi, respetivamente, já puderam lucrar.

O português Rubén Micael e o ex-portista Kléber são mais alguns dos vário estrangeiros do campeonato local. Contudo, parece óbvio que os jogadores vão para o futebol chinês não por causa do futebol mas sim pela questão económica. No caso do internacional português trata-se mesmo disso: «Não vou ser hipócrita, é óbvio que pensei no futuro da minha família. Havia a possibilidade de ir em janeiro [de 2015], mas o Sérgio [Conceição] na altura não deixou que isso acontecesse. Com o passar do tempo fui falando com algumas pessoas, fui-me preparando e quando voltou a abrir o mercado lá, sabia que a possibilidade de ir era muito grande».

O mesmo se passa a nível de treinadores. A aposta em treinadores conceituados e experientes como Luís Felipe Scolari ou Sven-Goran Eriksson tem sido uma constante. Mas pode servir também para primeiras experiências como foi o caso de Cannavaro, que aos 41 anos assumiu o cargo de treinador no Guangzhou Evergrande ainda antes de Scolari o substituir.

Sven-Goran Eriksson é o treinador do Shanghai East-Asia.
Sven-Goran Eriksson é o treinador do Shanghai East-Asia.

Um logo caminho a percorrer

Há muito dinheiro a ser investido, mas  isso não chega. Há ainda um longo caminho a percorrer. A China parece ter compreendido precisamente isso e já começou a apostar em outras vertentes do futebol.

Podemos falar na aposta em território europeu, onde se situa a maioria das grandes potências do futebol e onde o dinheiro surge novamente como peça principal. O investimento em clubes como o Manchester City, Atlético Madrid ou Sochaux são alguns exemplos. No caso do Sochaux, a empresa Ledos detém por completo os direitos do clube francês. Os direitos televisivos do campeonato local, recentemente renegociados e avaliados em 1.1 mil milhões de euros pela empresa CMC (a mesma que investiu no Man. City), para cinco anos, é igualmente sinal do crescimento que se espera para a Liga. Crescimento esse que também por objetivo melhorar os resultados desportivos da seleção desse país.

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