Morreu Johan Cruyff, um dos maiores
Johan Cruyff, uma figura que ficará eternamente na memória de todos.

Morreu Johan Cruyff, um dos maiores

O holandês foi o melhor jogador do mundo em 1971,1973 e 1974 e ficará na história como um dos intérpretes mais carismáticos de sempre do desporto rei mundial.

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Paulo Pereira

O pai do futebol moderno, Johan Cruyff, morreu a 24 de março de 2016, após lutar contra um cancro do pulmão. O holandês faleceu na sua casa, em Barcelona, e deixa um legado inestimável ao futebol tal como hoje o conhecemos. Jogador de fino recorte, velocidade estonteante e finta fácil, Cruyff é o exemplo máximo de que um dos melhores jogadores de todos os tempos e um dos melhores treinadores que o futebol já teve oportunidade de vislumbrar. “O futebol deu-me tudo. O cigarro quase me tirou tudo” - esta é uma das frases mais marcantes de Johan Cruyff que morreu aos 68 anos, vítima de um cancro do pulmão, uma recaída anunciada há cinco meses atrás. Cruyff jurou lutar e vencer mais uma batalha na sua vida mas o futebol chora a sua perda, daquele que é considerado o pai do “Futebol Total”. Nascido em 1947, Hendrik Johannes Cruyff estreou-se muito novo num dos clubes do coração, o Ajax. Com apenas 17 anos, em 1964, Rinus Michel viu muita qualidade num jogador que utilizava, com grande inteligência, a velocidade com que fintava adversários. Cruyff era um talento natural em campo e levou o clube holandês a um percurso de glória não mais conhecido até aos dias de hoje. Mudou-se em 1973 para o Barcelona depois de dar nas vistas no Ajax. Se o clube holandês era uma casa para o internacional holandês, mais tarde Cruyff revelaria que o Barcelona era a sua segunda casa. A primeira época como atleta “Blaugrana” foi de sucesso com a conquista do campeonato espanhol que fugiu desde 1960. O momento mais alto dessa campanha aconteceu no estádio Santiago Bernabéu, em que os catalães golearam o rival Real Madrid por 5-0. O holandês marcou um golo nessa partida e acabou a temporada com 16 tentos marcados. Até ao fim da sua estadia no Nou Camp, a estrela holandesa ainda venceria uma taça do Rei e sairia para mais tarde voltar e fazer história. No entanto, o local de primazia seria o banco de suplentes, como técnico do Barcelona.

Foi com o mítico futebolista, que a Holanda conseguiu uma das suas melhores participações em Mundiais. Em 1974, na Alemanha nasceu a “Laranja Mecânica”, puxada por um Cruyff que fazia da sua velocidade e virtuosismo armas difíceis de parar por parte dos adversários. Quem hoje tem a oportunidade de ver a equipa do Barcelona jogar, não pode esquecer o contributo de Cruyff para o futebol moderno. Não é estranho ouvir Pep Guardiola, considerado o melhor treinador do mundo, dizer que quando a sua equipa guarda a posse de bola, os adversários não podem marcar golos - uma máxima sobejamente conhecida devido à leitura de jogo de Johan Cruyff, verdadeiro percursor do que hoje se conhece como “Tiki-Taka”, o futebol total. A carreira de treinador começou no Ajax, onde treinou grandes nomes, que sob a sua égide se tornaram também eles lendários pela “Laranja Mecânica”, Marco van Basten, Frank Rijkaard, Ruud Gullit ou Dennis Bergkamp são alguns exemplos. A Taça das Taças foi conquistada em 1987 pelo clube holandês e o percurso continuou, novamente, na Catalunha. A ideia de jogo implementada na Holanda foi a mesma usada no Nou Camp, com um futebol apoiado na posse de bola e no espetáculo. Cruyff criou uma equipa de sonho. Zubizarreta, Ferrer, Guardiola ou grandes estrelas como Ronald Koeman, Stoichkov e Michael Laudrup. Venceu quatro campeonatos consecutivos e levou o Barcelona à glória europeia, quando venceu a Taça dos Campeões Europeus em 1992, frente à Sampdoria. Depois dos catalães, não mais Johan Cruyff voltaria a treinar. Ficou conhecido como um génio futebolístico, criador do “futebol total”. Anos depois seria sucedido por Guardiola que criou, também ele, uma das melhores equipas do Barcelona de sempre.

“A qualidade sem resultados, é inútil. Os resultados sem qualidade são chatos”, Johan Cruyff.

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