Renovação após o sucesso

Renovação após o sucesso

As equipas não podem parar no tempo. Têm de procurar renovar-se constantemente. Fernando Santos tem nas mãos um processo complexo mas que poderá ser o caminho para um futuro glorioso.

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Marcelo Morais

Em 2016, a seleção atingiu o ponto mais alto da sua história ao vencer o Europeu. Finalmente a qualidade dos jogadores portugueses foi traduzida num feito marcante. 2016 não foi certamente o único ano em que a seleção portuguesa era constituída por jogadores de qualidade. Ao longo dos anos, foram várias as gerações com jogadores de alto nível. Apesar disso, só em 2016 conseguimos vencer uma prova. A mentalidade pragmática e calculista imposta por Fernando Santos pode ter sido a chave do sucesso, pois apesar de não haver grandes exibições, a verdade é que Portugal ganhou.

Ao contrário do que seria de esperar, a seleção não ficou dependente das caras que ficaram para a história pela conquista do Euro 2016. Desde aí, várias têm sido os jogadores que têm vindo a perder o lugar na seleção, dando lugar a muitas caras novas.

Eduardo, Bruno Alves, Ricardo Carvalho, Eliseu e Vieirinha estiveram presentes no Europeu de França, mas o facto de estarem na fase final das suas carreiras e o surgimento dos novos jogadores com qualidade, têm levado a uma renovação nos eleitos de Fernando Santos.

Rui Patrício é um pilar assente na equipa nacional. O guarda-redes do wolverhampton conta já com 30 anos. Entre os seus habituais substitutos está Antony Lopes, que é uma solução do agrado do selecionador. As restantes hipóteses variam entre jogadores em fase final de carreira (Beto) e outros que se procuraram afirmar (Cláudio Ramos, José Sá)

O eixo da defesa da seleção nacional durante o Euro 2016 era toda composta por jogadores com mais de 30 anos. Atualmente só Pepe e José Fonte se têm mantido nas listas de Fernando Santos. A renovação da defesa portuguesa é uma prioridade. Rúben Dias é a principal promessa para este sector do terreno e a tendência tem vindo a ser vê-lo ao lado do experiente Pepe. Mais recentemente, Pedro Mendes fez a sua estreia pela seleção, já com 27 anos. Luís Neto também surge por vezes nas convocatórias. No entanto, o central do Zenit já tem 30 anos.

Nas laterais o problema não é tão grave.  Raphael Guerreiro é o titular no lado esquerdo. Mário Rui é o seu substituto. Kévin Rodrigues ainda procura o seu espaço. No lado direito as hipóteses são várias. Cédric sempre foi um jogador que trouxe confiança a Fernando Santos. No entanto tem vindo a ser ultrapassado por João Cancelo e Nélson Semedo. Os jogadores formados no Benfica, têm vindo a mostrar um grande nível nos seus clubes, Juventus e Barcelona, respetivamente. Há também a hipótese Ricardo Pereira.

No meio campo a renovação tem sido progressiva. Na parte mais recuada do “miolo” William Carvalho e Danilo Pereira são as principais peças. Mas a crescente importância que Rúben Neves tem vindo a ter na sua equipa têm-lhe aberto oportunidades na seleção. Bruno Fernandes, Renato Sanches, Pizzi, João Mário e agora Gedson Fernandes têm vindo a ganhar importância junto de Fernando Santos e serão os substitutos diretos de jogadores como João Moutinho e Adrien Silva.

Na zona mais avançada do terreno o único indiscutível é o capitão, Cristiano Ronaldo. Há um lote grande de jogadores para as posições mais avançadas do terreno e todos têm tido as suas oportunidades. Bernando Silva, Gelson Martins, André Silva, Gonçalo Guedes, Bruma, Rafa Silva, Hélder Costa,…

 

Não é de um dia para o outro, mas aos poucos a cara da nossa seleção vai ganhando contornos diferentes. Depois do auge do sucesso o sentimento não pode ser de tristeza. Deve haver confiança pois o futuro da seleção está em boas mãos, neste caso, em bons pés.

 

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