Sem sofrer gols no mata-mata, defesa argentina deixa de ser vilã

Durante muito tempo, a principal culpada por Lionel Messi não conseguir chegar a uma final de Copa do Mundo era a defesa argentina. Até o começo deste mundial, todas as escolhas de Alejandro Sabella para o setor eram questionadas, mas às vésperas da decisão contra a Alemanha, o sistema defensivo da Argentina é um dos pontos fortes.  

Foram apenas três gols sofridos em seis partidas disputadas, mas todos aconteceram ainda na fase de grupos (um contra a Bósnia na estreia e dois contra a Nigéria na terceira rodada). Nos jogos eliminatórios, a Argentina ainda não sofreu nenhum gol e o sistema defensivo é o maior responsável por esse sucesso da seleção na Copa do Mundo. Mas nem sempre foi assim.

Quando Alejandro Sabella anunciou a lista dos 23 convocados para a Copa do Mundo, muita gente criticou suas principais escolhas para a defesa. O único dos titulares que tinha algum apoio dos argentinos era o lateral-direito Pablo Zabaleta, campeão inglês pelo Manchester City.

A posição mais criticada seria a de goleiro. Sergio Romero, que disputou apenas três partidas com o Mônaco na temporada, foi escolhido em detrimento de Willy Caballero, destaque do Málaga no Campeonato Espanhol, que nem foi chamado. Mas o jogador chega à final depois de defender dois pênaltis e ser o herói da Argentina na semifinal contra a Holanda. Além disso, Sergio está 354 minutos sem sofrer gols e precisa de mais três para ultrapassar Ubaldo Fillol como recordista da seleção.

Outro jogador bastante criticado que cresceu na Copa do Mundo foi o Marcos Rojo, mesmo sendo bastante seguro do vice-campeonato português do Sporting Lisboa. Com boas atuações desde a primeira fase, o lateral-esquerdo foi um dos jogadores mais elogiados da Argentina tendo até marcado um gol diante da Nigéria.

Ausente da partida contra a Bélgica, nas quartas de final, retornou contra a Holanda e foi bastante importante na marcação de Arjen Robben que garantiu o zero a zero e a disputa por pênaltis.

Diferente dos outros, Garay era considerado um risco não por ter uma qualidade técnica baixa e sim por sofrer com problemas físicos que poderiam comprometer seu desempenho ao longo do Mundial. Com seu clube, Benfica, venceu quase todos os títulos em Portugal e ainda foi vice-campeão da Uefa Europa League, por isso chegou credenciado por um bom futebol.

Firme no jogo aéreo e mostrando bastante personalidade e firmeza, Garay por muitas vezes foi responsável por cobrir os erros de seu companheiro de defesa no início da Copa do Mundo, Federico Fernández, mas Sabella detectou o problema e colocou Martín Demichelis no lugar do jogador do Napoli.

Aos 33 anos, Demichelis era considerado um jogador em fim de carreira ao retornar ao Manchester City a pedido do técnico Pellegrini, e fez uma temporada razoável que ajudou a equipe a conquistar o título inglês. Com isso, Sabella não pensou duas vezes para convocá-lo e também o colocou em campo contra a Bélgica, nas quartas e o zagueiro foi bem.

A experiência de Demichelis provou ser o que faltava para a defesa da Argentina ter mais segurança. O jogador corrigiu várias falhas de posicionamento do seu antecessor e apesar da falta de velocidade tem compensado com um senso de cobertura e colocações exemplares.

O quinteto defensivo é a peça fundamental da engrenagem argentina e com uma ajuda excepcional de Javier Mascherano que vem jogando em sua melhor forma na seleção e também de Lucas Biglia, que venceu a concorrência com Fernando Gago no meio-campo, tem dado a liberdade ideal para que Messi possa atuar sem responsabilidades defensivas em excesso.

Essa solidez da defesa tem dado esperança aos argentinos que seja possível segurar todo o brilhantismo tático da Alemanha na decisão da Copa do Mundo e dar a Argentina o seu terceiro título mundial.

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