Fique de olho: Thomas Müller, atacante da Alemanha

Raros craques do futebol mundial tem costume de fugir dos holofotes. Muito por isso, é difícil imaginar que um dos cotados a ser o melhor jogador da Copa do Mundo seja tão pouco falado pela mídia, mesmo com tanto destaque. O alemão Thomas Müller, aos 24 anos, tem a chance de conseguir um feito histórico neste domingo (13): se tornar campeão e ser o único jogador da história a conquistar por duas vezes a chuteira de ouro em Copas.

A Alemanha de Joachim Löw se caracteriza pelo forte conjunto. Uma defesa sólida, um meio-campo extremamente técnico, e um ataque fulminante. E muito desse poderoso ataque, que marcou 17 gols nessa Copa, passa pelo camisa 13: foram cinco gols e três assistências, o que o creditam a brigar novamente pela artilharia da competição. O líder no quesito, James Rodríguez, marcou seis tentos em seus seis jogos. Se marcar contra a Argentina e Messi não anotar um hat-trick, Müller será, pela segunda vez seguida, o chuteira de ouro do mundial (o colombiano tem uma assistência a menos).

Nunca na história das Copas algum jogador foi duas vezes artilheiro do mundial. Em 2010, com o corte do capitão Ballack, a camisa 13 caiu para Müller. A mesma 13 que, anos antes, foi de outro jogador com o mesmo sobrenome: Gerd, artilheiro máximo da Copa de 74. Com um sobrenome de peso e muito futebol, o atacante marcou cinco gols e deu quatro assistências, conquistando sua primeira chuteira de ouro. Curiosamente, o único jogo que não esteve em campo foi justamente o da desclassificação alemã: a semifinal contra a Espanha.

Com o tempo, Müller se tornou em um jogador emblemático da Alemanha. Quando veste a camisa da Nationalef, se transforma: não há, no atual elenco, quem seja mais enérgico. Suas comemorações de gol são explosivas, e o camisa 13 é o primeiro a correr ao juiz para contestar alguma decisão. Contra Portugal, na estreia, mostrou suas características: marcou três gols e, em uma discussão com Pepe, causou a expulsão do português.

Mesmo não sendo centroavante de ofício, o jogador impressiona pela qualidade da finalização, pela força física e pelo bom posicionamento. Fundamentos de um atacante nato, mas que também sabe jogar onde for conveniente: na ponta direita, de 'falso nove' ou no meio campo. E, assim, dá alternativas tão interessantes para Joachim Löw. Tão exaltado pelo treinador, Müller é um dos jogadores mais completos do futebol mundial.

Mesmo com os gols e as assistências, nunca foi o protagonista no Bayern de Munique ou na Nationalelf. Na Baviera, normalmente é um coadjuvante das estrelas Ribery e Robben. Na seleção, prefere ficar à sombra de nomes mais consagrados, como Schweinsteiger e Klose. E, muito por isso, é tão fundamental no esquema da Alemanha, que neste domingo enfrenta a Argentina, no Maracanã. Sendo 'só mais um' em seus brilhantes elencos, o alemão muitas vezes passa despercebido. Quase um ultraje para quem tem 10 gols em Copas, e caminha a passos largos para ultrapassar o conterrâneo Klose.

É inegável que Müller é excelente jogador, mas é impressionante como cresce em momentos decisivos. Foi assim na Copa de 2010, quando era um garoto de 20 anos, e é agora em 2014. Com velocidade, força física, domínio dos fundamentos e chamando o jogo para si, Thomas Müller tem tudo para ser campeão, artilheiro e o craque da Copa do Mundo. E com todos os méritos.

Ficha técnica

Nome: Thomas Müller
Data de Nascimento: 13/09/1989
Idade: 22 anos
Altura: 1,86m
Peso: 74kg
Clube: Bayern de Munique
Contrato: Junho de 2017

Temporada 2013/2014

No meio-campo ou no ataque, Müller viveu mais uma temporada de destaque no Bayern de Munique. Foi titular em 40 partidas, marcou 26 gols, e conquistou os títulos da Bundesliga, DFB Pokal, Uefa Supercup e do Mundial de Clubes. Mais uma cria das categorias de base do clube, é um verdadeiro torcedor dentro de campo.

Foi o artilheiro da Pokal, marcando o gol do título no último minuto -- confirmando sua característica de jogador decisivo. Como todo o elenco do Bayern na última temporada, começou de forma arrasadora e caiu de rendimento ao fim da época -- estrelada pela eliminação na Champions League para o Real Madrid. Mesmo assim, o saldo mais uma vez foi positivo para o camisa 25 do gigante da Baviera.

Thomas Müller: artilheiro e decisivo (Foto: Stuart Franklin / Bongart)
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