Troca de técnicos e resultados instáveis: campanha da Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa de 2002
Troca de técnicos e resultados instáveis: campanha da Seleção Brasileira nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002

A campanha do Brasil nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002 começou em 28 de março de 2000, contra a Colômbia, no estádio El Campin, em Bogotá. Em campo, um time renovado: apenas quatro remanescentes – Dida, Roberto Carlos, Emerson e Aldair – do vice- campeonato da Copa da França, disputada dois anos antes.

As mudanças, contudo, iam além das quatro linhas. No banco de reservas, Vanderlei Luxemburgo era o técnico Canarinho. Mesmo sendo a estreia no torneio, o comandante já via a pressão batendo na porta. Após conquistar a Copa América de 1999 com uma vitória categórica por 3 a 0 em cima do Uruguai, a Seleção perdeu um amistoso para a Argentina por 2 a 0 no Monumental de Núñez e sofreu um duro revés contra o México por 4 a 3 na final da Copa das Confederações (as duas partidas em 1999).

Com isso, o empate sem gols com a Colômbia em nada ajudou a alterar esse cenário. Aliás, nem mesmo o triunfo na 2º rodada contra o Equador adiantou. 3 a 2 de virada sob vaias dos brasileiros presentes no Morumbi.

 Os jogos seguintes foram de inconstância, alternando-se entre vitórias, empates e derrotas. Destaque para a derrota por 2 a 1 contra o Paraguai, a segunda derrota brasileira na história da competição, que encerrou com uma invencibilidade de sete anos no torneio.

 O alívio veio em julho. Pela sexta rodada e mais uma vez no Morumbi, a Seleção venceu os argentinos – então comandados por Marcelo Bielsa – por 3 a 1. Alex e Vampeta marcaram para os donos da casa.

A sequência posterior a esse resultado foi dúbia e pede um parêntese. Em agosto o Brasil foi derrotado fora de casa por 3 a 0 pelo Chile. Em solo brasileiro, a repercussão levantou a possibilidade de que estava por vir a pior campanha da equipe na história da competição. Em meio a esse contexto, o extracampo se sobressaiu, tumultuando ainda mais o ambiente da Seleção e de seu técnico.

 Ex-secretária de Luxemburgo, Renata Alves acusou o treinador de sonegação de impostos e intermediação ilegal na venda de jogadores. Sob investigação da Receita Federal, o comandante Canarinho admitiu ter burlado o fisco. Na partida seguinte ao surgimento da notícia, a Seleção pentacampeã goleou a Bolívia no Maracanã por 5 a 0, com direito a três gols de Romário, desafeto de Luxemburgo.

Em meio a essa caótica realidade, a gota d’água veio nas Olímpiadas de Sidney, na Austrália. O time comandado por Luxemburgo sofreu para avançar em um grupo formado por Eslováquia, África do Sul e Japão. Nas quartas de final, a derrota na morte súbita para Camarões custou o emprego do treinador, demitido após reunião com Ricardo Teixeira.

Na primeira partida sem o técnico e com o auxiliar Candinho à frente da equipe de forma interina, a Seleção goleou: 6 a 0 em cima da Venezuela, com outro hat-trick de Romário. Assim, o Brasil encerrou o primeiro turno das Eliminatórias na segunda colocação, com 17 pontos, atrás da Argentina.

Começo da era Felipão

Após muitas especulações, Emerson Leão foi anunciado como novo técnico Canarinho. Apesar da mudança, a campanha seguiu passando pouca confiança aos torcedores. Nos três primeiros jogos de Leão no comando nas Eliminatórias, ocorreram uma vitória (1 a 0 ante a Colômbia, em São Paulo), uma derrota (1 a 0 para o Equador, em Quito) e um empate (1 a 1 com o Peru, novamente em São Paulo).Pouco mais de um mês depois dessa última partida, a Seleção mudou o foco e entrou em campo pela Copa das Confederações. Após uma campanha inconsistente na primeira fase, onde empatou sem gols com Austrália e Japão – além de vencer Camarões por 2 a 0 -, a esperança brasileira teve fim com a derrota para a França (2 a 1) na semifinal. Na disputa do terceiro lugar, mais uma decepção e vitória australiana por 1 a 0. Aliado ao início de campanha no torneio classificatório ao Mundial, o desempenho do Brasil na Copa das Confederações custou o emprego de Leão, que ficou pouco mais que seis meses à frente do time.

Com mais seis jogos pela frente nas Eliminatórias, Felipão assumiu o posto de treinador da Seleção Brasileira. O jogo inaugural do gaúcho foi perto de casa, mas, ao menos no resultado, insatisfatório: 1 a 0 para o Uruguai, em Montevidéo. O destaque dessa partida, além da estreia do novo comandante, ficou por conta do goleiro Marcos. Após a sequência dada por Leão a Rogério Ceni, o arqueiro palmeirense agarrou a oportunidade dada por Felipão e não saiu mais da condição de titular.

Após se recuperar do revés para os uruguaios vencendo o Paraguai em Porto Alegre, a Seleção seguiu instável, com derrotas para Argentina e Bolívia, ambas fora de casa, e vitória sobre o Chile em Curitiba.

Apesar das campanhas aparentemente equivalentes dos treinadores que passaram pelo Brasil nesse curto período, o time montado por Felipão já mostrava uma cara nova. Em relação à equipe que estreou nas Eliminatórias empatando com a Colômbia por 0 a 0, no início do ano 2000, o time que triunfou sobre o Chile em outubro de 2001 tinha apenas três nomes em comum. A zaga foi o setor mais alterado: na primeira partida, Antônio Carlos e Aldair eram os titulares, enquanto no cotejo com os chilenos, Juan e Lúcio formaram a dupla de zagueiros.

A derrota para a Bolívia em La Paz fechou um número inédito. Se na história das Eliminatórias o time brasileiro só havia perdido uma vez, o revés para os andinos marcou o sexto revés da equipe apenas naquela edição da competição. Dessa forma, o Brasil entrou em campo pela última rodada na quarta colocação – atrás de Argentina, Equador e Paraguai -, com 27 pontos somados, correndo o risco de acabar na quinta posição e disputar a repescagem.

O adversário da última rodada, no entanto, foi nada menos do que o penúltimo colocado entre as dez seleções. No fim, o Brasil encerrou sua campanha em novembro de 2001 com uma vitória 3 a 0 sobre a Venezuela em São Luis e garantiu, na terceira colocação (atrás de Argentina e Equador), vaga ao Mundial da Coreia do Sul e do Japão no ano seguinte.

O último jogo diante dos venezuelanos foi uma prévia daquele que veio a disputar a Copa do Mundo. No gol, Marcos se consolidou como titular, enquanto Roque Júnior, Lúcio e Roberto Carlos fecharam a defesa. No ataque, porém, veio uma mudança significativa: Rivaldo ganhou a companhia de Ronaldo.

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