Caio Júnior: referência no esporte e um exemplo de profissional
Caio Júnior: referência no esporte e um exemplo de profissional

De atleta vitorioso a treinador com uma ascensão meteórica, Luiz Carlos Saroli, mais conhecido como Caio Júnior, nasceu em 8 de março de 1965, em Cascavel, cidade do oeste paranaense. Experiente, o treinador havia assumido a equipe da Chapecoense no lugar de Guto Ferreira – que deixou a equipe para treinar o Bahia na Série B -, em junho desse ano.

Caio Júnior chegou a Chapecoense em 25 de junho de 2016, com a missão de manter a equipe na Série-A do Campeonato Brasileiro, bem como garantir que a equipe conseguisse manter a arrancada na temporada. Contudo, muito mais do que isso, junto de seus comandados, o treinador conseguiu conquistar o mundo.

Como jogador, Caio iniciou no futebol justamente nas divisões de base do Cascavel, para depois, chegar ao Grêmio, em 1985, equipe onde permaneceu até 1987. Jovem e em ascensão profissional, o jogador paranaense chegou a morar no Olímpico, e adotou o nome “Caio”. Ainda, posteriormente incorporando o nome “Júnior”, para diferenciar-se de outro Caio na equipe profissional. Destacou-se com pouca idade e ainda foi artilheiro da equipe gaúcha na edição de 85.

Após grande sucesso no futebol gaúcho, Caio foi contratado pelo Vitória de Guimarães, equipe de Portugal, e conquistou a Supertaça de Portugal 87/88. Depois, passa a jogar no Estrela Amadora, pela 2ª Divisão, alcançando o título II Liga.

Retornando ao Brasil em 1994, Caio Júnior, então ex-jogador do Grêmio, resolveu assinar com o então ‘rival’, o Internacional (de Porto Alegre). Chegando a equipe, conseguiu se destacar e pode comemorar mais um título do Gauchão. No ano seguinte volta para o futebol português para atuar pelo Belenenses.

Caio Júnior conseguiu se destacar de tal forma, que de novo ao futebol brasileiro, passou a defender o Novo Hamburgo em 1996 (2ª Divisão do Campeonato Gaúcho) e, em 1997 volta a atuar pelo futebol paranaense, mas desta vez pelo Paraná Clube, que estava em ascensão. O pentacampeonato da equipe paranaense foi conquistado e então, Caio, devido à qualidade e profissionalismo que dedicava ao futebol, passou a integrar o quadro de ídolos do time da Gralha.

Ainda, durante o ano de 1998, defendeu três equipes diferentes, sendo o Lousano, Iraty e o XV de Piracicaba, sendo que acaba por encerrar sua carreira como atleta no Rio Branco de Americana, equipe de são Paulo.

Após encerrar sua carreira como jogador de futebol, Caio Júnior ingressou no Coritiba, em 2000, como supervisor de futebol, que abriu portas para que se tornasse auxiliar técnico da equipe do Cruzeiro, no ano seguinte. Logo em 2002, o então auxiliar técnico do Cruzeiro foi convocado a assumir um novo desafio, e dessa vez tomando a frente da equipe profissional de seu ex-clube, o Paraná. O retorno a equipe, agora como treinador, ficou marcado na história, principalmente porque a equipe mantinha-se na elite do futebol brasileiro devido ao trabalho realizado.

Em 2005, o técnico aceitou um novo desafio, dessa vez assumindo o comando do Cianorte, e de cara enfrentando a equipe do Corinthians, pela Copa do Brasil. No primeiro jogo, a vitória por 3 a 0 faz a equipe paranaense se destacar na imprensa esportiva brasileira, o que, não se repetiu na segunda partida. No ano seguinte, novamente, retornando ao comando do Paraná Clube, o treinador ajudou a escrever o melhor momento do tricolor da vila Campeonato Brasileiro, o que resultou na quinta colocação na tabela e a tão almejada vaga na Libertadores da América.

Após a brilhante campanha pelo tricolor, o Palmeiras anunciou Caio Júnior como novo treinador, sendo que foi escolhido como um dos três melhores técnicos do futebol brasileiro, ao lado de Muricy Ramalho e Joel Santana. Com passagem por Goiás (2008) e Flamengo (2008), o técnico passou a se aventurar pelo futebol internacional, dessa vez assumindo em 2009 a equipe do Vissel Kobe, do Japão, o que lhe abriu as portas para o Catar. Contratado pelo Al Gharafa, o treinador alcançou três títulos e o prêmio de melhor treinador do país.

Após passagem pelo futebol internacional, retornando ao futebol brasileiro em 2011, assumiu a equipe do Botafogo. Comandando Loco Abreu, Elkesson, Maicossuel e Herrera, e outros, o treinador conseguiu manter a equipe carioca entre as primeiras colocações do Brasileiro na maior parte da competição e no ano seguinte, volta ao time que o revelou, o Grêmio, ficando apenas até o término do estadual.

Em 2012, Caio Júnior retornou ao futebol árabe, substituindo Abel Braga, no Al Jazira, um dos principais times do futebol dos Emirados Árabes Unidos, conquistando o título na Copa do Presidente. Após uma passagem breve pelo futebol do Bahia, o treinador retorna e dessa vez assumindo o Vitória, conquistando o Campeonato Baiano. Ainda no futebol brasileiro, passa pelo Criciúma e volta ao futebol dos emirados, assumindo o Al Shabab, onde faturou o título da Copa do Golfo e de cara foi reconhecido pela Confederação de Futebol dos Amirados Árabes como um dos melhores técnicos da temporada no país.

Com 51 anos, o técnico assumiu o Verdão catarinense, e daí pra frente alcançou a marca de 11 vitórias, 13 empates e 10 derrotas, em 34 partidas sob o comando da equipe. Com um futebol mais dinâmico, a Chape se destacou e Caio chegava cada vez mais perto de alcançar o seu maior feito como técnico até o momento: a decisão da Copa Sul-Americana, contra o Atlético Nacional de Medellín.

O treinador chegou e conquistou a confiança da pequena-grande Chapecó, alcançou o mais alto de seus objetivos, manteve a Chapecoense no seu melhor momento, comandou sim, mas também foi amigo de seus comandados e aprendeu com eles, chegou a final da Sul-Americana com sede de vitória, mas também com a sensação de dever cumprido. Aliás, quem é a Chapecoense, não é mesmo? A equipe tão desacreditada por muitos, mas que chegou e mostrou sua intensidade, seu equilíbrio, qualidade e que conquistou o mundo de tal maneira que tornou-se inesquecível. Caio Júnior, quem é esse homem? Alguém que viveu e aproveitou intensamente todas as suas conquistas, acreditou que era possível e que tinha a certeza de que sua vida tinha valido a pena.

“Se eu morresse amanhã, eu morreria feliz, pois tudo o que quis na vida eu consegui.”- Caio Júnior.

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