Irmãos Palmieri recordam início no futsal e garantem: "Temos uma relação muito especial"
Arte: Hugo Alves/Editoria de Arte

Dizem que o Brasil é o país do futebol. Esse pensamento parece ter se entranhado na vida dos brasileiros de uma maneira quase que natural. O futebol é, muitas vezes, a primeira brincadeira das crianças, ainda que elas não entendam o que o esporte significa. Para milhões, é um sonho a ser realizado. Para alguns poucos, se torna uma realidade que transforma vidas. Foi assim com os irmãos Emerson e Giovanni Palmieri, nascidos na cidade de Santos, no litoral paulista.

Pense na quantidade de casos de irmãos que se tornaram jogadores de futebol a nível profissional. São poucos. Entre os casos mais famosos, temos Thiago e Rafinha Alcântara, os irmãos Yaya e Kolo Touré, os alemães Sven e Lars Bender e os holandeses Ronald e Frank de Boer. Entretanto, é ainda mais raro encontrar irmãos que atuem exatamente na mesma posição, como é o caso de Emerson e Giovanni Palmieri, laterais-esquerdos da Roma e do América-MG, respectivamente, que concederam entrevista à VAVEL Brasil.

Começo dos jogadores teve passagens pelo futsal e dificuldades frequentes

O mais velho, Giovanni, já tem carreira consolidada no Brasil. Aos 27 anos, passou por clubes tradicionais no país, como Fluminense e Náutico, antes de chegar ao Coelho.

Por outro lado, Emerson – quatro anos mais novo – ainda é relativamente desconhecido no território sul-americano. A principal razão está em sua saída precoce para o futebol italiano, onde vem se firmando como titular da Roma, depois de também ter jogado uma temporada no Palermo, emprestado pelo Santos.

Giovanni chegou em América-MG em maio (Foto: Divulgação/América-MG)
Giovanni chegou em América-MG em maio (Foto: Divulgação/América-MG)

Tratando de apresentar o caçula, Giovanni descreveu seu irmão como "um cara sensacional, parceiro, humilde pra caramba, com quem você pode contar pra qualquer momento. Só tenho elogios a ele. É um cara que sempre está com um sorriso no rosto, tentando botar você pra cima. É um cara diferente", afirmou o jogador do América-MG.

Os dois relembraram o começo no esporte e destacaram as principais dificuldades que enfrentaram. Para Emerson, um dos maiores obstáculos era a distância para chegar aos treinos.

"O começo foi um pouco complicado pra gente, mas conseguimos controlar bem as situações adversas e deu tudo certo. Para ir aos treinos, tínhamos que pegar carona ou pegar até dois ônibus pra chegar no local do treino, então isso que foi mais complicado no começo", recordou o lateral. "O sonho de ser jogador vem desde a infância. Só sabíamos fazer isso".

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Por outro lado, seu irmão mais velho comentou o apoio que teve da família e disse ter tido alguma influência na carreira de Emerson, que seguiu seus passos pela lateral esquerda.

"Meus pais e meu irmão sempre me deram muita força. São as três pessoas principais que sempre me apoiaram. Comecei jogando no meio-campo, depois passei para a lateral, no sub-17, e meu irmão praticamente fez a mesma coisa, ele até comentou comigo que me viu jogando na lateral e deu vontade de atuar ali naquela posição", explicou Giovanni, que destaca o futsal como importante para o desenvolvimento de ambos, ressaltando que Emerson passou a praticar o esporte nas quadras por volta dos cinco anos.

Distância foi empecilho no início da carreira e Emerson sofreu com adaptação à Itália, diz Giovanni

Aos 23 anos, Emerson Palmieri vai estabelecendo sua carreira fora do Brasil. Desde o início, os dois irmãos tiveram de viver longe da família, e se acostumaram com a distância. Apesar de estarem separados fisicamente, Giovanni garantiu que os dois seguem muito próximos.

"A gente tem uma relação muito especial. Além de irmão, a gente é muito amigo. Eu saí muito cedo de casa, acho que isso fez bastante falta pra ele no crescimento dele. Todo dia a gente vai se falando, sempre junto", ressaltou o mais experiente.

Emerson com camisa da Itália (Foto: Claudio Villa/Getty Images)
Emerson com camisa da Itália (Foto: Claudio Villa/Getty Images)

Ao falar sobre a transição que seu irmão teve de enfrentar quando se transferiu para o Palermo, então com apenas 20 anos, Giovanni afirmou que as dificuldades acabaram contribuindo para que o lateral da Roma se desenvolvesse mais dentro do país europeu. A fluência no novo idioma pode ser, inclusive, um grande diferencial para que Emerson se consolide como opção para a posição da Seleção Italiana, para a qual já foi convocado por Giampiero Ventura.

"A adaptação é um pouco mais difícil, ele chegou num time que não tinha brasileiro. Mas essa dificuldade acabou ajudando ele, serviu pra ele aprimorar o italiano, e é um diferencial muito grande. Claro que é difícil. Tem a dificuldade de não estar jogando, de não pegar o jeito de jogar, que é diferente do futebol brasileiro, mais tático e defensivo, você tem que ser muito disciplinado e às vezes o brasileiro peca nisso".

"A gente fica orgulhoso, sabe da luta que ele teve para conseguir essa oportunidade na seleção, essa afirmação na Roma, o tanto que ele sofreu, principalmente no início da temporada. Ele deu a volta por cima", completou.

Convocado para a Azzurra, Emerson não pretende voltar ao Brasil

Titular na Roma, Emerson pretende continuar na Europa (Foto: Giuseppe Maffia/NurPhoto via Getty Images)
Titular na Roma, Emerson pretende continuar na Europa (Foto: Giuseppe Maffia/NurPhoto via Getty Images)

Emerson, o garoto que jogava futsal com cinco anos, e seguiu os passos do irmão no campo, afirmou que pretende seguir um caminho totalmente alheio ao de Giovanni.

Enquanto viu o mais velho construir sua carreira toda no Brasil, o lateral romanista frisou que pretende seguir na Europa por toda a carreira. Revelado no Santos, não descarta totalmente um retorno ao seu Brasil, mas deixa claro que, caso ocorra, seria mais próximo ao fim da carreira.

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"Espero fazer toda minha carreira na Europa, e se um dia tiver que tornar pro Brasil que seja muito mais pra frente", assegurou o camisa 33 da Roma, que se apresentou como jogador aos torcedores que não o conhecem.

"O jogador Emerson é um jogador que é muito batalhador, e que gosta de ajudar a equipe fazendo gols e dando assistências e sempre trabalhando pra evoluir diariamente", concluiu.

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