Primeira e segunda academia: Palmeiras ensina a jogar futebol
Primeira e segunda academia: Palmeiras ensina a jogar futebol ( Divulgação / Palmeiras)

A Academia de Futebol foi a alcunha concedida por toda a imprensa brasileira e por torcedores de diversos times à equipe do Palmeiras, inicialmente nos anos 60, e, depois, nos anos 70 "Segunda Academia", em virtude do futebol jogado com extrema classe e técnica pelos esportistas do time paulistano. Na época, o consenso era geral. Alegava-se que assistir a um jogo do Palmeiras era ter o prazer de presenciar uma verdadeira "aula de futebol". Este fato levava torcedores dos mais diversos clubes a assistir os jogos da então chamada "Academia".

Com um elenco abarrotado de jogadores renomados do futebol nacional que tiveram passagem pela Seleção Brasileira, os times da era da Academia eram dos poucos que conseguiam derrotar o histórico Santos de Pelé, considerado uma das maiores equipes de futebol de todos os tempos.

Além do grande número de campeonatos estaduais, nacionais e internacionais conquistados, o momento mais marcante do período da Academia de Futebol aconteceu em 1965, quando a equipe inteira do Palmeiras, time titular, reserva e até o massagista, representou a Seleção Brasileira em um amistoso contra a seleção do Uruguai que fez parte dos festejos de inauguração do Estádio Magalhães Pinto, o "Mineirão". A partida foi realizada no dia 7 de setembro (data da independência brasileira), e o Palmeiras derrotou o Uruguai por 3 a 0. Pela primeira vez, um único clube representava a Seleção Brasileira em toda a história do futebol nacional.

O início da Primeira Academia

A formação da Primeira Academia, time que marcou época com a camisa da Sociedade Esportiva Palmeiras, está intimamente ligada à venda de Mazzola ao futebol europeu.Com uma proposta de 30 milhões de cruzeiros, uma fortuna na época, o Milan levou a melhor e contratou Mazzola.

Mazzola deixou o Palmeiras com 85 gols em 114 partidas e não chegou a ganhar títulos, mas contribuiu indiretamente com a formação de uma equipe histórica. Orientado pelo técnico Oswaldo Brandão, o então presidente Mario Beni usou o dinheiro da venda ao Milan para contratar Chinesinho, Julinho Botelho, Romeiro e o volante Zequinha.

Em jejum desde a temporada de 1951, o Palmeiras saiu da fila ao conquistar o Super Campeonato Paulista 1959 diante do Santos de Pelé e ainda faturou a Taça Brasil 1960. 

Durante os dez anos da Primeira Academia a escalação base foi : Valdir de Moraes (Picasso / Leão); Djalma Santos, Djalma Dias (Baldocchi), Valdemar Carabina (Minuca) e Ferrari (Geraldo Scotto); Dudu (Zequinha) e Ademir da Guia; Julinho Botelho (Gildo / Germano), Servílio (Chinesinho / César Maluco), Tupãzinho (Vavá / Ademar Pantera) e Rinaldo (Romeiro / Ênio Andrade)

A Segunda Academia: o time que nunca perdeu

"Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca. Dudu e Ademir da Guia. Edu, Leivinha, César e Nei”. Um esquadrão imortal que está marcado para sempre na historia da Sociedade Esportiva Palmeiras. O time que nunca perdeu. 

A segunda academia que marcou os anos 70. Foi mais longeva que a primeira e o seu principal marco foi o bi-campeonato de 73/74.

O jornalista Mauro Beting descreve a segunda academia como “impressionante”. “A segunda academia era menos técnica que a primeira. Ela durou mais tempo, era um futebol diferente e teve um preparador físico como o professor Hélio Maffia que chegou junto com o Oswaldo Brandão e fizeram um trabalho diferenciado. Os próprios Dudu e Ademir da Guia contam que a segunda academia também foi melhor não só por ser mais longeva, mas por estar melhor preparado fisicamente”, comentou.

Até hoje, os grandes times do Palmeiras continuam denominados Academias de Futebol: além da original Primeira Academia (na década de 1960), houve também a Segunda Academia(na década de 1970). Modernamente, a "era Parmalat" também é comumente chamada de Terceira Academia (década de 1990). Dessa forma, outra alcunha também surgiu e se difunde pelos meios do esporte: a Eterna Academia.

As duas academias alviverdes foram responsáveis por momentos memoráveis, quase todos os jogadores que participaram dos dois elencos se tornaram ídolos do clube, além de diversos títulos. 6 Campeonatos Brasileiros, 1 torneio Rio-São Paulo e 4 Campeonatos Paulistas.

 

 

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