Ausência de
João Paulo e o quebra-cabeça de Alberto Valentim no Botafogo

Em 2017, Walter Montillo chegava ao Botafogo com o status de ser a grande contratação da temporada. Atrás dele, o goleiro Gatito Fernandez, após uma boa temporada pelo Figueirense, atraía os holofotes. No mesmo período, porém, chegava João Paulo. Vindo do Santa Cruz, o meia atraiu pouca atenção por parte dos torcedores, apesar de ser uma das referências técnicas do Santa Cruz no ano anterior.

Com o passar do tempo, o argentino, recém-chegado, lutou brevemente contra as lesões, mas não conseguiu vencer a batalha. Camilo, ícone da equipe em 2016, passava longe de produzir o futebol que o levou para a Seleção Brasileira. Sem os dois principais meio-campistas, como Jair Ventura, treinador à época, poderia melhorar a situação do Botafogo? Cenário de crise? Não, porque surgiria João Paulo.

Ainda no ano passado, o atleta de 27 anos se tornou peça chave ao esquema do Botafogo. Assumindo a função de camisa 10, auxiliava um meio-campo que, ao mesmo tempo, conseguia ser técnico e com a possibilidade de combater os adversários, seja ao lado de Matheus Fernandes, Rodrigo Lindoso ou Airton. João Paulo se tornou peça chave no esquema, já que era o responsável por organizar as jogadas.

2018: melhor versão de João Paulo?

Ainda em 2017, João Paulo havia jogado como volante em algumas partidas – mesmo que isso não fosse comum sempre. Neste ano, porém, o atleta assumiu essa vaga de vez. Tudo começou com Felipe Conceição, que resolveu colocá-lo fixamente nesse setor do campo, jogando por trás – ou ao lado, já que o esquema variava a um 4-1-4-1 em alguns períodos – do “camisa 10”, função que o próprio exerceu durante muito tempo na temporada anterior.

Foi um casamento perfeito: mesmo na bagunça tática que era a equipe comandada por Felipe Conceição, João Paulo se destacava com um dos poucos pontos que conseguia se destacar, e sempre atuando na posição de segundo volante. Nas primeiras partidas do Botafogo no Campeonato Carioca, o atleta sempre puxava a responsabilidade para si e ditava o ritmo de jogo da equipe de General Severiano.

Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo

Mas, por que utilizar João Paulo como volante deu tão certo? Além da grande qualidade técnica, em termos de passes, lançamentos etc, o atleta possui o ponto positivo de conseguir cobrir espaços nas duas faixas do campo como poucos. Nesse contexto, ficava evidente que o mesmo participaria bastante das partidas, já que aparecia para organizar o jogo e, logo depois, voltava para recompor e impedir os ataques adversários, o que pode explicar seus 22 desarmes feitos no estadual, o maior número de um jogador do Botafogo.

Com isso, João Paulo se tornou um expoente na equipe do Botafogo. Suas boas atuações eram tão comuns que se tornaram algo redundante de ser citado, e, por isso, o jogador recebia sempre um destaque dos próprios jogadores, tanto que tornou-se capitão da equipe em certo momento do Campeonato Carioca. A partida contra o Vasco, porém, deu uma pausa na temporada do jogador, que se machucou gravemente após uma dividida com Rildo.

Dor de cabeça para Alberto Valentim

Como já citado, a importância de João Paulo para a equipe do Botafogo era ímpar. Sua ausência, consequentemente, é bastante sentida, e, por isso, Alberto Valentim tem um grande quebra-cabeças para montar dentro de sua mente: quais as peças podem suprir essa ausência? Até aqui, o volante Marcelo, recém-contrato do futebol israelense, vem sendo o escolhido.

O atleta criado nas categorias de base do Vitória, porém, não conseguiu impressionar até aqui. Marcado por ser mais defensivo, porém menos que técnico, que João Paulo, Marcelo até consegue cobrir espaços e estar presente em vários setores do campo em uma partida, mas peca em excesso nos passes e na chegada dentro da área. Com ele em campo, o Botafogo ganha um apoio defensivo maior, mas perde na parte técnica, já que, até aqui, o atleta não conseguiu repetir as atuações no rubro-negro baiano, onde ficou marcado por ser um volante bastante participativo dos jogos.

Foto: Reprodução/Footstats

Mapa de calor de Marcelo contra o Flamengo: concentração pelo lado esquerdo e presença em muitos setores

Com a presença de Marcelo em campo, porém, Rodrigo Lindoso tem mais espaço para transitar na faixa ofensiva, conseguindo criar chances por meio de seus passes – assim como fez no primeiro gol diante do Flamengo, na última quarta-feira (29). Nesse contexto, é possível enxergar o Botafogo em um 4-3-3 variando para 4-1-4-1 na fase defensiva, já que os dois alas voltam para recompor espaços nos ataques adversários. No caso, Marcelo se concentra mais no lado esquerdo na região da faixa central do campo.

Outra opção – um tanto quanto utópica – seria a utilização de Renatinho no setor. O ex-jogador do Paraná tem domínio no controle de bola e consegue dar dinamicidade aos jogos, já que consegue rodar a bola e achar companheiros em boas situações por meio de seu passe. Sua parte física, porém, seria um entrave para essa possível escalação, já que a posição exige demais do respectivo jogador, que tem o trabalho de ajudar na criação e na cobertura de espaços. 

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